sábado, 12 de dezembro de 2009

A EMPRESA “PORTUGAL” (*)


A globalização, incentivada pelas novas tecnologias disseminadas pelos mais variados sectores de actividade humana, tenderá cada vez mais, a transformar o conceito tradicional de “País”, no conceito de “País – Empresa”.

O mercado “Mundo”, polvilhado de “Países – Empresas”, constitui o cenário de luta entre aqueles que procuram, para os seus respectivos cidadãos, o melhor ambiente de prosperidade e de qualidade de vida possíveis, de forma sustentada, não só ao nível do crescimento mas também ao nível do desenvolvimento equilibrados. Assim, a estrutura organizacional de um país pode comparar-se à de uma empresa.

Na empresa “Portugal”, a “Missão” deveria ser defendida, estoicamente, por “Administradores” (Classe Politica) mais responsáveis e não por uma classe de políticos tão obcecada com o ciclo eleitoral, muitas vezes inimiga de reformas inadiáveis e tão necessárias à reestruturação interna nacional e à correcta utilização das “matérias-primas”, como o são, a saúde, o ensino, a justiça, a segurança social, e a fiscalidade. A correcta utilização destas “matérias-primas”, é determinante para sinalizar a qualidade da empresa “Portugal” no mercado mundial, de modo a que seja possível, captar o “bom” investimento que aumente o volume das nossas exportações, seja ele proveniente de empresários nacionais ou estrangeiros.

A má “performance” económica da empresa “Portugal”, poderá não só hipotecar os “dividendos” futuros, a receber pelos “accionistas” ou “contribuintes” vindouros, como também, poderá dar origem, à percepção de empresas internacionais de “rating”, que venham a associar à “Portugal” um risco potencial de incumprimento elevado, e por conseguinte, de insolvência iminente, dado os níveis insuportáveis da divida publica externa e dos do défice orçamental observáveis no presente e comprometedores no médio e longo prazo.

Se a “Portugal”, adoptar medidas e estratégias de acção insípidas e desarticuladas, visando somente o curto prazo, não terá capacidade de sobreviver neste novo paradigma que é a globalização, e por conseguinte, a sua razão de existir extinguir-se-á no mercado “Mundo”, dando origem a perda de soberania do país.

Tal facto, seria bastante nefasto para a “Portugal”, sujeitando-se esta a ser vítima de uma “OPA” hostil de interesses estrangeiros, como resultando da má gestão Lusitânia dos Administradores (Políticos), Directores (Empresários) e Trabalhadores com baixa produtividade e persistentemente focados no seu próprio umbigo, leia-se, interesses corporativistas indiferentes ao interesse comum, como o são por exemplo, os dos sindicatos, dos professores, juizes, médicos, etc.

A resistência à mudança, a inacção, o adiar e o medo de arriscar, são vectores que contribuem para o insucesso de um “País - Empresa.” como a "Portugal."

domingo, 6 de dezembro de 2009

ALIENAÇÕES VIRTUAIS E REAIS (*)


Actualmente, e no conjunto das sociedades mais avançadas e permissivas, no que diz respeito, ao acesso às “auto-estradas de informação”, o utilizador de um simples computador, “Smartphone” ou ainda de um “PDA”, pode comportar-se de forma imprópria, ao desprezar os princípios e valores basilares de um corpo social que se deseja equilibrado, coeso, solidário e mais humano.A utilização crescente e exponencial, deste tipo de tecnologias por indivíduos de faixas etárias indiferenciadas, está na base de comportamentos individuais fortemente alienantes, fruto de uma dependência que demonstram ter para com as novas tecnologias (Internet).

As redes sociais (“Facebook”, “Twitter”) estão a transformar aquilo que no passado era o serão familiar, o motivo de convívio e por vezes de tertúlia entre amigos, onde era possível, conversar, rir, enfim, conviver, tendo como interlocutores aqueles cujo calor humano se manifesta pelas “faces humanas” visíveis na mesma realidade espacial. Esse calor humano é essencial como vector de sociabilidade saudável. Haverá alguém que dê mais valor a um sorriso em código expresso por caracteres alfanuméricos (Letras e números) em vez de um sorriso à moda antiga? Penso que não.

Por conseguinte, e por melhor definição de imagem que uma “Webcam” possa ter, continuo a pensar que a maioria dos não alienados prefere estar no “local do acontecimento”.

O Homem, como animal gregário que é, está a transformar a sua essência natural numa essência de dependência alienante ao adoptar comportamentos solitários que conduzem à criação do binómio Homem - Máquina. Na minha perspectiva, o equilíbrio desta relação, começa a ser favorável à Máquina. Que o digam os novos “desempregados” tecnologicamente excluídos para sempre do mercado de trabalho.

As exigências das máquinas obrigam o Homem a correr a velocidades anti-natura, numa sociedade onde a informação é o activo cada vez mais importante e poderoso. Em poucos segundos, a mesma informação é dirigida a quem a solicita qualquer que seja o local do destinatário.

Nenhuma máquina pode, por enquanto, substituir-se ao Homem, excepto quando este aceitar alienar-se. No dia em que o Homem se entregar cegamente a uma “escravatura” imposta pelas máquinas então nascerá uma nova sociedade planetária, constituída por uma nova “raça de elite dominante”, à qual eu designaria por "sociedade robotizada" e na qual as máquinas esmagariam o papel do Homem à escala global.

sábado, 21 de novembro de 2009

PORTUGUESES do SÉC. XV e do SÉC. XXI (*)






Os êxitos consecutivos dos corajosos descobridores portugueses no século XV e XVI, e que ousaram “navegar por mares nunca antes navegados”, em busca de melhores condições de vida, deixaram um testemunho profundo e inesquecível, na História Universal, no que diz respeito ao desenvolvimento do saber cientifico da época e da sua respectiva aplicabilidade nos vários saberes desse periodo, tão necessários para realização das tarefas diárias, como por exemplo, a navegação marítima e o acesso a novas rotas de comércio, em busca de matérias primas de grande valor e, por arrasto, com a consequente descoberta de novos mundos que viriam a permitir a exploração de uma nova força de trabalho: A Mão-de-obra escrava barata.
A pobreza reinante e a escassez de oportunidades de vida em Portugal do século XIV e XV, forçaram os mais audazes, a arriscar a “deslocalização” das suas vidas para outros mundos ou “mercados” mais promissores, com a “tormenta” de pôr em causa os mitos da época em relação aos famosos guardiões dos caminhos marítimos, ao bom estilo do monstro “Adamastor”. O desespero dos portugueses “emigrantes” deu lugar à coragem bem sucedida, e permitiu ainda o enriquecimento rápido da metrópole que facilmente se habituou a viver das riquezas do Império.
Quando o sucesso português se expandiu pelos quatro cantos do mundo, a concorrência internacional, incentivada ferozmente pelas riquezas obtidas pelos portugueses, deu origem a que novos países entrassem na corrida: Inglaterra, Holanda, França, Espanha.
Portugal que se limitava a consumir as riquezas vindas do seu império e que as usava para comprar os restantes bens necessários à vida da metrópole, sem preocupações de reinvestimento interno, foi, pouco a pouco, posto fora do palco das atenções do comércio mundial. Infelizmente e por demérito próprio, Portugal embora responsável pelo processo inicial de “globalização” da economia mundial, nunca mais conseguiu alcançar o “pódio” das nações mais desenvolvidas.
No presente momento, seria bom que os políticos portugueses, as empresas e a sociedade civil portuguesa, recordassem esta dura lição dos séculos XV e XVI. E porquê?
Porque o cenário económico de Portugal está fortemente condicionado pela economia da UE e do resto do mundo, apesar de a crise ser global. Os recursos humanos de valor, também designados por "cérebros", engrossam as fileiras da emigração, arriscando com coragem o embate dos “novos e desconhecidos mares”, tal é o triste panorama do nosso país. Um grande número de empresários medíocres, insiste em remunerar os seus trabalhadores portugueses, ao estilo daquilo que em tempos foi a mão-de-obra escrava. Não produzimos aquilo que consumimos e estamos cada vez mais endividados interna e externamente, e por conseguinte, a nossa independência económica já está nas mãos de estrangeiros. A galinha de ovos de ouro dos tempos XV e XVI já morreu. A galinha da UE está a definhar. E a riqueza da nossa economia privada é crescentemente desviada para a alimentar o “monstro” do Estado, ou dos seus representantes políticos…

sábado, 7 de novembro de 2009

ARMAS CIBERNÉTICAS (*)



Nos finais do século XX, uma nova era tecnológica baseada na utilização de computadores, telemóveis e de outros equipamentos similares sucessivamente melhorados e alimentados por programas sofisticadíssimos, veio permitir o surgimento de uma nova realidade expressa pelo conceito de “Aldeia global” e na qual um número crescente de “adeptos” nem sempre surge com a melhor das intenções, como tudo na vida. O acesso à informação nunca foi tão democrático como agora, no século XXI. Porém, esse acesso mais democrático pode afectar a liberdade de quem pensa que é livre.

Alguém disse que o principal inimigo da democracia, era a própria democracia. Ou seja, o livre acesso a certas informações obtidas pelos cibernautas maliciosos (Hackers) pode pôr em causa a integridade de entidades importantes e em caso limite, a segurança dos próprios países, através de ataques cibernéticos orientados para novas formas de guerra, sem implicar grandes investimentos financeiros. A realidade nunca esteve tão próxima da ficção, e por conseguinte, o controlo dos Estados nestes actos de guerra à “velocidade da luz”, é muita das vezes reactivo e não preventivo.

O provérbio popular, “Tempo é dinheiro”, está no espírito e na vida de muitos cidadãos do mundo que recorrem cada vez mais ao “fenómeno” da internet, para tomar decisões e comportamentos, sejam eles profissionais ou de lazer. O desenvolvimento das tecnologias de informação, no que diz respeito, à produção de computadores de grande “performance” a custos verdadeiramente “democráticos”, a internet e o respectivo arsenal de “software”, mudou e irá continuar a mudar as diversas formas de relacionamento entre os cidadãos, não só ao nível social e de segurança, como também politico, económico-financeiro nos seus países e na restante comunidade internacional.

A guerra agora também é virtual, numa nova dimensão de espaço, mas com consequências eventualmente nefastas para as nossas vidas do dia-a-dia. Estamos atentos e em estado de alerta constante e esta atitude origina mais ansiedade social num mundo onde os variados povos se acotovelam para sobreviver nestes tempos dificeis.

sábado, 17 de outubro de 2009

O PRESIDENTE CAMALEÃO (*)


O tempo joga, na maioria das vezes, a favor dos políticos mais hábeis e subtis, na medida em que os seus eleitores têm, quase sempre, memória curta. No dia 16 de Março de 2003, o Presidente dos EUA – George W. Bush, e os Primeiros-Ministros de Inglaterra, Espanha e Portugal, Tony Blair, José Maria Aznar e Durão Barroso, respectivamente, reuniram-se nos Açores, para discutirem as possibilidades dos EUA e seus aliados de declarar guerra ao Iraque, independentemente de haver ou não uma resolução favorável da ONU.

Bush e a sua administração forçaram o conflito com o Iraque, sob o pretexto de destruir todo o arsenal bélico nuclear iraquiano. As “provas” da sua existência foram apresentadas por Colin Powell no seu célebre discurso na ONU mas nunca efectivamente encontradas. Este comportamento agressivo dos EUA, despoletou um ainda maior ódio dos países muçulmanos face aos países do Ocidente, e que se concretizou por dois ataques terroristas de relevo e posteriores aos de 11 de Setembro de 2001, como foi o de Londres (7 de Julho de 2005) e o de Madrid (11 de Março de 2004).

O alinhamento destes quatro lideres políticos, contribuiu gravemente para a desgraça do Iraque, que de uma ditadura militar se transformou num campo de batalha cheio de mortos para enterrar, mutilados e feridos para tratar, e um país a necessitar de ser construído a partir do zero… Este triste cenário, beneficiou a Al-Qaeda que sorveu até à ultima gota de sangue as vitimas desta guerra em beneficio próprio.

A ascensão politica fulminante de Durão Barroso, iniciada nos seus tempos inesquecíveis do Maoismo, PCTP-MRPP, PSD, até à Presidência da Comissão Europeia, é notável. Porém, os tempos mudam e por conseguinte os políticos também. O mesmo Durão Barroso que apoiou a guerra criada por George W. Bush (Inimigo político de Barack Obama), é o mesmo que, há poucos dias, endereçou as felicitações, em nome da Comissão Europeia, pelo feito de Barack Obama: A obtenção do Nobel da Paz 2009.
Coincidências? Não, novos tempos, novos ideais mas sempre a politiquice do costume…

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

UM FUTURO NADA FÁCIL (*)



Os resultados das eleições legislativas de 2009, demonstraram que o eleitorado português reconhece, presentemente, a importância de adoptar, ora, politicas mais estatizantes ou de esquerda (BE, CDU), ora, politicas mais liberais ou de direita (PSD, CDS-PP).
O PSD e a CDU, foram os grandes derrotados nestas eleições. Noites de fortes trovoadas irão surgir no horizonte do PSD e porquê? Porque o PSD, internamente e logo após as eleições autárquicas, irá estar sujeito às já habituais lutas pela liderança, o que na minha opinião, constituirá uma fraqueza politica aquando da necessidade de manter consensos e coligações no parlamento via PSD. Procurar-se-á encapotar essa fraqueza com uma oposição forte e nem sempre cooperante com o governo minoritário de Sócrates. E isso, será grave para Portugal.

Caso o PSD, continue a ser liderado, na base da inflexibilidade negocial parlamentar, ou por Manuela Ferreira Leite, ou por outra individualidade do partido, então poderemos estar perto de um “apagão parcial" na Assembleia da República, implicando entendimentos com outras forças partidárias.

No que diz respeito à CDU, e por mais que Jerónimo de Sousa se esforce em maquilhar os resultados, temos que compreender que o seu partido está a perder influência para o BE.
Por mais sorrisos que Sócrates nos delicie, não vale a pena esconder que o PS saiu derrotado. Ao não conseguir a maioria absoluta, o PS será obrigado a “ouvir”, a “dialogar”, a negociar, e não somente a classificar os seus opositores com afirmações do tipo “bota abaixo” ou “maledicentes”. O respeito entre partidos nunca foi tão necessário e imperioso, dada a situação preocupante em que o país se encontra. Saberá o PS, governar em minoria, tendo em conta a personalidade do Primeiro-Ministro José Sócrates? Como irá Sócrates relacionar-se com líderes como Paulo Portas, um dos políticos mais incisivos e eficazes do nosso actual espectro partidário? E como será relação politica de Sócrates, líder de uma esquerda moderna, com a esquerda radical de Louça que defende nacionalizações e outros anacronismos políticos populistas.
O Presidente da República, que tem procurado ser equidistante na sua relação com os vários partidos políticos, também se encontra sobre “brasas”.
A crescente crispação entre S. Bento e Belém, a explicação do Presidente da República do caso das escutas, por exemplo, em nada abona à estabilidade politica interna de Portugal. A própria e conceituada revista inglesa, “The Economist”, caracteriza a atitude do Presidente, como imprópria nos tempos difíceis da nossa democracia e com possíveis danos ao nível captação do investimento estrangeiro.

A instabilidade actual do nosso sistema político implicará, forçosamente, uma maior intervenção presidencial sem polémicas e atitudes dúbias. O comportamento futuro do Presidente da República, poderá condicionar ou não, a sua reeleição em Janeiro de 2011.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

OS JOVENS SEM ABRIGO DA UE (*)







De forma muito silenciosa e discreta, constato, com tristeza, a emergência de uma realidade social preocupante, com graves consequências para o futuro da União Europeia (EU), e que se traduz pela exclusão sucessiva dos jovens no projecto europeu, nomeadamente, na sua inclusão no mercado de trabalho. Como exemplo, temos os casos de Portugal, Espanha, Grécia e França.

O conceito tradicional de família, tipica do século XX, está em causa. As cada vez maiores pressões económico-politicas e sociais (Baixos salários, instabilidade económica e politica, pobreza crescente, corrupção, economia paralela, insegurança, justiça tardia quando não inexistente, concorrência "louca" no mercado laboral, como resultado de elevadas taxas de desemprego, e na concorrência entre empresas, nem sempre sujeitas às mesmas regras de funcionamento, concorrência desleal, etc.) destroem as relações dos jovens que aspiram à sua independência enquanto cidadãos. Assim, os jovens que entram nesta máquina social, estão amputados de meios de subsistência semelhantes áqueles que tiveram os seus pais e por conseguinte, o futuro daqueles é incerto.

Infelizmente, para muitos, a solução obriga os jovens a viver nas casas dos seus pais. Até quando? Outros têm a sorte de ter emprego e assim podem constituir familia, tornando-se independentes. Mas até quando? Actualmente, o trabalho é incerto. Causa: Ditadura Globalizante em que vivemos. Os divórcios são banalizados e fonte de pobreza para muito homens e mulheres dos novos tempos...
Muitos não aguentam a pressão, e suicidam-se, como foi o caso de alguns trabalhadores da France Telecom. A situação é de tal ordem grave, que o governo francês quis saber o que se estava a passar na empresa.

Aqueles jovens que não conseguem trabalho, e os pais que também perderam o seu “ganha-pão” transformaram-se em “novos pobres”, muito deles, sem abrigo e sem voz, sujeitos a actos de violência física e psíquica na sociedade que os rejeita, acabam a deambular pelas ruas como mendigos...

A sociedade da competição fez implodir os seus sonhos, sucessivamente adiados, e transformou-os em utopias. No passado, os então jovens Van Gogh, Camões, Fernando Pessoa, Galileu, Darwin, Einstein e outros, emanciparam-se porque o mundo não os amputou… Presentemente, quem recuperará os génios da minha geração que deambulam pelas ruas do nosso mundo?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

OBAMA: O SUPER-HERÓI AMERICANO (*)


Na noite do dia 9 de Setembro de 2009, pelas 20h00 de Washington, viveu-se um momento épico no Congresso Americano, protagonizado por um dos principais líderes políticos do início do século XXI, o carismático Barack Obama. Detentor de uma forte fé politica, consubstanciada pela forma apaixonada como que este exerce a presidência dos EUA e a forma como envolve os seus apoiantes.

Um dos seus pontos fortes, enquanto gestor político, manifesta-se pela sua coragem em assumir riscos políticos, mesmo que para tal tenha que se opor a certos interesses instalados.

A gestão agressiva de George W. Bush, dos assuntos políticos internacionais, nomeadamente, com os países que ele apelidou de “o eixo do mal” trouxeram mais problemas aos EUA, do que bons acordos diplomáticos. Por outro lado, Bush foi um dos responsáveis máximos pela derrocada do modelo económico americano interno, com graves consequências ao nível da confiança dos agentes económicos americanos e estrangeiros. A convicção de que os mercados eram estáveis, e de que não seria necessário adoptar medidas de supervisão, tiveram como consequência o pânico financeiro ocorrido nos quatro cantos do mundo, naquilo que foi a primeira crise globalizada.

Por conseguinte, é para mim difícil compreender que recentemente, John McCan, ex-candidato republicano a presidente dos EUA, venha reiterar posições políticas e económicas, ocorridas num período negro da gestão Republicana, e através das quais o mercado livre permitiria aligeirar a tutela das respectivas autoridades da concorrência.
Obama que pretende acabar com a posição dominante das seguradoras de saúde nos EUA, procura criar no seu país, uma função pública e social, que complemente os serviços privados, dando a escolher aos americanos a solução que mais lhes convier.

Os republicanos criticam e chamam socialista a Obama, por este querer criar um serviço público de saúde, agitando os fantasmas do estilo “Onde o Estado se mete, estraga”.
Pergunto: Onde está a coerência dos Republicanos que promovem o liberalismo mas que defendem o grupo das seguradoras de saúde, possivelmente a funcionar em conluio, extorquindo dinheiro àqueles que estão protegidos e fechando as portas a quem está desamparado? Que estilo de democracia é essa?

sábado, 12 de setembro de 2009

A JUSTIÇA E OS INVESTIMENTOS ANGOLANOS (*)




Acredito que a língua portuguesa sempre foi uma das “armas” mais eficazes no bom e desejável relacionamento entre Portugal e Angola. É um crédito que ainda hoje, Portugal não pode hipotecar, de todo.
Em ambiente de guerra fria, os EUA procuraram chamar a si as riquezas naturais angolanas, apoiando a UNITA enquanto que a URSS colaborava com o MPLA com o mesmo objectivo. Nem sempre essas influências foram boas para o povo angolano. A guerra civil entre a UNITA e o MPLA, foi disso exemplo.

Presentemente, nas elites politicas e empresariais portuguesas e angolanas, o tempo das mazelas, resultantes da guerra colonial e suas consequências, foi-se desvanecendo com os anos, a tal ponto que hoje, existem laços importantes de cooperação em vários domínios da vida económica e politica entre Portugal e Angola, como são, por exemplo, a promoção de investimentos portugueses na banca e na construção civil angolanas. Em contrapartida, os Angolanos negoceiam com os portugueses o seu petróleo e outras riquezas oriundas de Angola.

No mundo globalização e multipolar, a língua portuguesa já não é condição necessária nem suficiente, para continuarmos a ser um parceiro privilegiado na sociedade angolana. É imperioso que em Portugal, haja uma estrutura económica forte, atractiva, produtiva, susceptível de alargar e expandir a nossa influência em Angola e que não nos resignemos com eventuais complexos de pequena dimensão.

A recente polémica dos 104 milhões de euros desaparecidos no Banif, e a apresentação de uma queixa-crime do Estado angolano na Procuradoria Geral da República de Portugal sobre o paradeiro desse dinheiro, poderá resvalar para um crise de consequências inimagináveis e perigosas para o relacionamento que se quer saudável entre os dois Estados. Receio que esta embrulhada, venha a dar origem a mais um episódio caricato da nossa Justiça com implicações negativas ao nível de captação de investimento estrangeiro em Portugal e ao nível da boa vontade de Angola em nos considerar parceiros estratégicos.

Entretanto, os nossos concorrentes em Angola, EUA e China, já perceberam onde está a “janela de oportunidade angolana” para continuar a alimentar as suas economias poderosas e atractivas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A OPERETA POLITICA NACIONAL (*)


O acordo estabelecido entre os vários líderes partidários, relativamente ao modelo das entrevistas a realizar na RTP, SIC e TVI, é um embuste democrático que não presta homenagem àqueles que persistem em exercer o seu dever cívico através do voto.
Em lugar de se promover o diálogo espontâneo e natural entre os políticos na TV, que realce a liderança política de um governo responsável, não, promove-se a venda de um produto televisivo completamente montado e cheio de regras a cumprir pelos intervenientes, de modo a diminuir o risco de alguém poder “perder a face”.
As TV’s e os políticos arriscam o menos possível, enquanto que a maior parte do risco é assumido pelo eleitorado, que continua a passar “cheques em branco” desde 1974, e, que vê os seus direitos cada vez menos assegurados em Portugal.
Por conseguinte, temo que nos bastidores de um palco chamado Assembleia da República, existam acordos semelhantes e em que cada actor político se limita a aparecer no “Canal Parlamento” ou nos “Telejornais” a representar o seu papel, sabendo à partida, que tudo já está determinado pelo “Sistema”.
Certos comentadores políticos da nossa praça, admitem que este tipo de promoção política com regras, é característico de países amadurecidos politicamente e onde o ar que se respira é verdadeiramente democrático, como é o caso dos EUA.
Ao quer transpor e copiar para a realidade portuguesa, o modelo americano corre-se o risco de “borrar a pintura”, uma vez que a sociedade civil americana nada tem a ver com a sociedade civil portuguesa, no que diz respeito àquilo que se espera dos politicos.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

SÉCULO XXI: IDEOLOGIAS PRECISAM-SE (*)




Após o fim da II Guerra Mundial (1939-1944) e com a Europa devastada por um dos conflitos mundiais mais traumatizantes, não só ao nível do número de pessoas eliminadas, como também pela destruição material das nações envolvidas, os EUA criaram, através do Plano Marshall, a sua janela de oportunidade para criar uma rede de influências numa Europa dividida em dois blocos através do muro de Berlim.
Nessa época, as ideologias dominantes no espaço europeu, baseavam-se por um lado, na democracia, suportada pelo capitalismo e pela iniciativa privada, e por outro, no comunismo baseado no colectivismo dos meios de produção geridos pelo governo central.
Bastaram 45 anos de funcionamento do modelo comunista inspirado na utopia do homem “bom”, para que em 1989, o muro de Berlim fosse derrubado, com consequências trágicas para a ideologia defendida na URSS e da falência do modelo que a sustentava.
O contraponto ideológico que de certo modo obrigava às ideologias da época, um respeito mútuo, tinha acabado por se desmoronar como se tratasse de um autêntico castelo de cartas.
Pavoneando-se no palco das vaidades, o capitalismo liberal americano e o europeu (UE), procuraram aliciar as ex-republicas soviéticas a aderirem ao capitalismo, sem haver a preocupação de o adaptar às especificidades de cada país.
O desmembramento da URSS em repúblicas independentes teve como consequência o esvaziamento de um sistema politico completamente ineficaz e injusto para dar origem a um outro ambiente igualmente severo - capitalista selvagem comandado por máfias e corrupção politica.
Agora, e para surpresa dos menos atentos, o modelo de capitalismo subjacente à actual crise financeira em que vivemos, é criticado por muitos que acham que o Estado deve ser mais interventivo na economia, deve monitorizar as politicas económicas, financeiras e monetárias, regular com mais eficácia os diversos de mercados, eliminar os paraísos fiscais, enfim, a reformar o actual sistema financeiro nos moldes da cimeira de Londres.
Assim, a criação de uma ideologia menos radical à esquerda e menos extremada à direita impõe-se…

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A DITADURA DAS MÁQUINAS (*)


O processo de desenvolvimento da globalização é irreversível. Por conseguinte, o sucesso de cada cidadão, ou de uma empresa, em obter e manter um “lugar ao sol” numa “praia mundial” cheia de concorrentes ameaçadores, dependerá cada vez mais das competências dos indivíduos, orientadas para aquilo que o mercado de trabalho procura, onde quer que seja, ou das razões pelas quais determinada empresa justifica a satisfação das necessidades dos seus clientes, tornando a sua actividade empresarial rentável e sustentável a médio e longo prazo.
Os modelos económicos e sociais actuais, estão a destruir o conceito de família tradicional. Os movimentos migratórios são consequência de um desenraizamento ao sabor das vagas nessa “praia mundial” que olha para o capital humano como se de uma “matéria-prima” se tratasse.
A globalização não implica somente um choque de culturas e mentalidades mas tem também como consequência, a ruptura entre aquilo que uma determinada geração de desempregados já não consegue alcançar, e aquilo que é obrigatório nomeadamente: Uma adaptação a um modelo económico mundial cujas exigências são: Rápida e constante aprendizagem, Flexibilidade e Polivalência.
Pensamos que somos donos da nossa liberdade económica, social e politica mas estamos expostos a uma “ditadura das máquinas de informação” que nos expropria a identidade e que nos manipula com o intuito de nos manter num sistema centrado de poder que decide verdadeiramente o rumo das nossas vidas, como aconteceu por exemplo, com a politica de guerra do terror promovida pelo ex-Presidente George W. Bush, como desculpa para atacar o Iraque e o Afeganistão, e que tão graves consequências teve e está a ter no Ocidente…

sábado, 22 de agosto de 2009

A SAÚDE AMERICANA (*)






Os excelentes dotes oratórios de Barack Obama, foram determinantes na sua eleição como presidente dos EUA. E Obama, conhecendo este seu dom sublime, faz dele, uma “arma estratégica” na definição e alcance de um dos pontos da sua missão politica – Criar um sistema universal de saúde, - que possibilite a todos os americanos “desamparados”, um apoio mais humano, solidário e consistente com a importância de um país, como são os EUA.

Os Republicanos, fortes adeptos de uma economia onde o Estado não se deve meter em certas áreas de negócio, pois o mercado resolve as “ineficiências naturalmente”, estão unidos em dificultar o a concretização de um eventual sucesso desta reforma de Obama, chegando ao extremo de o apelidar de “socialista”, nome que nos EUA, não é muito bem visto. Até mesmo alguns democratas se sentem incomodados com o “eco” dessa palavra tabu, - Socialismo.-

Porém, Obama não quer acabar com os seguros de saúde privados mas defende a existência de programas públicos que assegurem também alguma concorrência no sector. Mas na impossibilidade de os criar, então dever-se-ia de optar pela solução de cooperativas sem fins lucrativos, autosustentáveis, cuja qualidade e abrangência fossem asseguradas a todos aqueles que não tivessem acesso à solução do privado, pagando preços mais acessíveis.

Além dos adversários políticos, existe o “lobby” das seguradoras cujo interesse em dominar a cobertura dos cuidados de saúde, ser-lhes-ia mais favorável, caso a situação se mantivesse inalterável. Nesse caso, os EUA continuariam a gastar mais sem ter por isso melhores resultados.

Se Obama fraquejar neste “objectivo emblemático” da sua presidência, a sua carreira e carisma políticos, construídos heroicamente e contra todas adversidades, esvaziar-se-ão rapidamente como se fossem balões perdendo “gás”…

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ESTADO NOVO E A DEMOCRACIA EM PORTUGAL (*)


Pertenço a uma geração de portugueses que não viveram as restrições cívicas individuais e colectivas, impostas por um regime autoritário como foi o Estado Novo de Salazar. As políticas económicas e sociais eram totalmente controladas pela ditadura, de então, e a ausência de liberdade de expressão e da confiança do Estado no cidadão, como agente criador de riqueza, tiveram como grave consequência:
(1) A amputação da função critica do povo português tão necessária ao desenvolvimento do país; (2) Ao emergir de um Estado corporativista e paternalista, para com uma classe empresarial “acomodada” e sem saber o que significava concorrer nos mercados nacionais e internacionais. O condicionamento industrial é bem uma prova desse facto.
O Portugal de Salazar, mesmo sem ter participado na II Guerra Mundial, perdeu no confronto com outras economias completamente arrasadas pela guerra mas que deram a volta por cima (Ex: a Itália, Espanha e a Alemanha).

Embora vivamos em Democracia, os portugueses cidadãos anónimos, encontram-se feridos de morte… senão vejamos: As revoluções trazem sempre consigo, boas novas e promessas e a revolução dos cravos não fugiu à regra. Porém, a classe politica que tem estado em “palco”, desde 1974, é cada vez mais maniatada por interesses obscuros, difíceis de entender do ponto de vista da justiça, da equidade fiscal, dos atrasos de pagamentos aos credores do Estado, das listas de espera na saúde, do ensino em nada orientado para as necessidades das empresas e por aí adiante. Por fim, temos a triste constatação de saber que na maior parte dos países da Europa de Leste integrados na UE, os níveis de qualidade de vida já são superiores aos do nosso cantinho lusitano.

A ausência de transparência, de verdade na política e nos negócios públicos e privados, o diferente tratamento de pessoa para pessoa consoante o seu “status” não são formas mais subtis de limitar os direitos de quem não têm voz? De facto, existem algumas “adaptações salazaristas” na nossa democracia.
Enfim, o 25 de Abril foi bom para uma minoria que deve a sua boa qualidade de vida ao bode expiatório do ditador Salazar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

AS CONTAS DE MERCEEIRO (*)




Já não há vergonha e competência governativa neste país. Qualquer formando dos cursos técnico-profissionais, promovidos pelo actual governo do Sr. Engenheiro e Primeiro-Ministro Sócrates, sabe fazer umas “continhas” que este e o seu acólito, Super-Ministro Teixeira dos Santos, ou não sabem ou sabem mas procuram esconder com a máxima discrição, tal é a “bujarda” da politica de apoio à natalidade, anunciada pelo governo nos media nos últimos dias.

Com o baixo nível de escolaridade do nosso povo, muitos só ouviram que se tratava de uma politica de apoio social ponderada e rigorosamente estudada pelos letrados dos nossos governantes, e por conseguinte, aplaudiram logo num desses jantares políticos tão elucidativos e ao sabor de um “pastel de bacalhau” e de um “copo de três”. Mais uma vez, foram enganados com a propaganda deste governo. E porquê? Porque neste país parece haver desprezo pela matemática e muito menos interesse em ensiná-la a alunos responsáveis e potencialmente inimigos deste estado de coisas.

Porém, dei-me ao trabalho de fazer umas continhas simples, assentes em vários pressupostos: (1) Aplicação do capital de 200 euros no ano de 2010 sem ser resgatado até ao ano 2028; (2) Taxa de juro líquida de 3% assumida a título de exemplo, nessa aplicação “conta poupança” proposta pelo governo. Isto com uma taxa de depósito optimista para quem poupa mas pessimista para quem quer comprar casa e formar família.

No fim de 2028, o novo contribuinte teria na sua conta poupança, o valor de 340.49 euros sujeitos muito possivelmente a imposto de capitais. É este o conceito de “Apoio à Natalidade” do Governo? Mais, dividam agora 340.49 por 18 anos e obtemos 18,91 euros por ano. Mais ainda, dividam 18.91 euros por 360 dias e obtemos a consideração do governo de 0,05 cêntimos de ajuda por dia… Em África, há seres desumanizados que ganham um dólar por dia…

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

DARWIN, MALTHUS e ENERGIA VERDE (*)







A interacção entre o evolucionismo biológico das diversas espécies vivas e os respectivos ecossistemas onde estas nascem, vivem e morrem, foi-nos transmitida na obra, “A Origem das Espécies” (1859), pelo célebre naturalista Charles Darwin (1809-1882), e na qual o processo de “selecção natural”, surge como critério de sobrevivência.
Entretanto, Thomas Malthus (1766-1834), economista, na sua “Teoria Populacional” (1798) observou que o crescimento demográfico aumentava drasticamente, como consequência da mais eficaz produção de alimentos, das melhores condições de vida, do combate às doenças, do melhor saneamento básico e da própria Revolução Industrial. Contudo, o nível de recursos escassos consumidos pela população em crescimento exponencial (Baixas taxas de mortalidade e elevadas taxas de natalidade), ameaçaria a sustentabilidade da comunidade, ao estilo de uma “praga humana”. Assim, os mecanismos correctores fazer-se-iam pelas doenças, guerras, competição, miséria persistente, e controle da fome.
A transposição das teorias de Darwin e de Malthus para o cenário das energias renováveis e/ou poluentes leva-me a obter duas conclusões:
(1) A persistência do actual paradigma energético mundial, implicará que, ou se mantêm alianças entre nações mais poderosas e amigas nesta área de negócio, ou se entra em guerras pela sua apropriação. Como consequência teremos instabilidade potencial nos mercados mundiais por mais umas décadas, como acontecerá logo a seguir à crise mundial actual;
(2) A adopção de um novo paradigma alicerçado nas energias renováveis e de acesso mais democrático, permitiria a sobrevivência da espécie humana num planeta mais verde e sustentável…

domingo, 26 de julho de 2009

A MISSÃO DE OBAMA (*)




As enfermidades sentidas actualmente pelo povo americano, resultam de um conjunto de politicas desastrosas para os EUA, adoptadas pelo ex-Presidente, George W. Bush. Politicas externas agressivas orientadas por investimentos na indústria militar com a estratégia de garantir recursos energéticos (Petróleo) e de procedimentos de “facto consumado” (Invasão no Iraque) à revelia das ONU. Esqueceu-se daqueles que viviam nos EUA.

As consequências mais imediatas deste posicionamento político, estão na base do endividamento público a níveis nunca antes vistos e que reduzem a margem de manobra de Obama que prefere arrumar a casa e dar conforto aos americanos dentro das suas fronteiras. Ficará na História dos EUA se o conseguir.
Obama “carrega a cruz” de resolver o imbróglio que herdou em várias áreas:
(1) Colapso do sistema financeiro sem regulação, opaco na qualidade dos serviços prestados aos investidores, gerido na maior parte dos casos, por gestores gananciosos e corruptos e em que os valores dos activos financeiros se encontravam “maquilhados” de tal forma que não tinham qualquer correspondência com o valor dos activos reais. A percepção dos investidores desta situação, originou uma impulsão dos níveis de confiança dos vários agentes económicos, para valores somente comparáveis com os da grande depressão (1929). A “pandemia” financeira tornou-se inevitável e alastrou-se dos EUA para o resto do mundo;
(2) Com a crise financeira mundial instalada, a desconfiança entre bancos ao nível da concessão de crédito, a falência das famílias e de empresas de referência, geraram perdas diárias estonteantes ao nível do emprego, do agravamento do défice e da divida pública americanas, e ainda, na maior concentração de riqueza num cada vez menor grupo de privilegiados. Obama rejeita, por completo, que um cidadão americano não possa iniciar um tratamento médico, só porque a sua declaração de rendimentos lhe retira esse direito ou porque é desempregado. Não é justo segundo Obama, principalmente para aqueles que perderam ou mudaram de emprego numa economia em recessão.
Caso não se façam estas mudanças a economia americana tornar-se-á mais vulnerável… Obama quer estabilizar a economia através da protecção efectiva dos seus concidadãos e para tal, um dos instrumentos a utilizar, passa pela reforma no sistema de Saúde, orientada por valores e princípios constantes na Declaração de Independência Americana (1776), e que serviram de inspiração à elaboração da Carta Universal dos Direitos Humanos da ONU (1948).

sábado, 18 de julho de 2009

PORTUGAL SUSTENTÁVEL (*)


Além das dificuldades originadas pela recessão económica mundial, expressas pelas tempestades de incertezas que se abatem sobre as nossas vidas do dia-a-dia independentemente de sermos famílias, empresários ou até governantes de países em crise, há que ter em consideração que no caso Português, a realidade estrutural da nossa economia e do nosso sistema politico, é pródiga em contradições preocupantes. Aqueles que ainda não se “resignaram” à ideia de um Portugal “derrotado” e que sonham em elevar os valores e desígnios nacionais a níveis mais compatíveis com os da restante União Europeia (UE), têm um imenso caminho a percorrer. O actual e louvável esforço do Estado Português, em proteger os trabalhadores excluídos do mercado laboral, através do pagamento do subsídio de desemprego, não é sustentável de se manter por muito tempo, uma vez que o ritmo de falências é do mais elevado desde que vivemos em democracia. Cada vez mais existem desempregados a serem “sustentados” por trabalhadores activos. Como consequência, várias implicações ao nível da sustentabilidade a médio e longo prazo na segurança social, no défice orçamental, e na divida pública, agravar-se-ão. A credibilidade de Portugal no resto do mundo enfraquecerá, sempre que aumentar o nosso endividamento face ao exterior. Este fenómeno encarece o recurso ao crédito com fins de investimentos privados de tal forma que estes poderão ser inviabilizados não por culpa ou demérito dos empresários mas por culpa de uma politica pública que se apodera do crédito existente no sistema financeiro nacional e/ou internacional para aprovar e investir em projectos nem sempre os melhores mas que satisfazem o ciclo eleitoral. A tradicional e elevada carga fiscal, a que os vários contribuintes estão sujeitos, com o objectivo de financiar um Estado omnipresente na economia portuguesa, está a conduzir a um empobrecimento gradual e por vezes, de consequências irreparáveis nos vários agentes económicos nacionais. Se a iniciativa privada não prosperar, onde irá o Estado obter receitas para “tapar” os buracos presentes e futuros dos Ministérios do Estado?As gerações vindouras que se preparem para pagar a factura…

domingo, 12 de julho de 2009

O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO (*)




Neste admirável mundo novo em que ainda estamos a “gatinhar”, novas realidades de oportunidades estão a brotar, à custa de um “parar para pensar” dos políticos, com responsabilidades repartidas por toda a comunidade internacional e mais especificamente nos países onde foram eleitos. A concretização desta nova ordem mundial tomou forma através de mais uma reunião internacional, a Cimeira de Áquila. Estão representados os países detentores das economias mais importantes do planeta, com os objectivos de: (1) Adopção e coordenação de medidas económicas que procurem solucionar os problemas vividos pelas vitimas desta recessão, sejam familias, empresas ou paises. A intervenção do Papa Bento XVI defende na sua Enciclica Caritas in Veritate, que essas politicas estejam munidas de uma “ética amiga da pessoa”; (2) Recuperação de um sistema financeiro mundial mais regulado e menos permissivo a desonestos “Madoff ’s”; (3) Incorporar na esfera de politica internacional, o problema das mudanças climatéricas através do investimento e pesquisa de novas fontes energéticas e de rentabilidade assegurada mas de poluição reduzida. Transformar o paradigma do actual sistema económico, devorador insustentável de recursos energéticos poluentes, num sistema económico mais inteligente e alimentado por energia “verde” de modo que os nossos descendentes possam herdar um planeta mais saudável; (4) Combater a pobreza crescente não só em África como também em países cujo surgimento deste fenómeno social não era expectável, resultado das crises bolsistas mundiais, desemprego, créditos incobráveis, falências empresariais por gestão danosa, concorrência internacional desleal através de “dumping social” que resulta da exploração de mão-de-obra escrava e que têm como consequência o nivelamento por baixo dos salários, arrasando assim, as economias onde os trabalhadores têm condições de vida mais próximas da dignidade humana. A globalização é o novo cenário de actuação e de intervenção, onde os novos líderes políticos não podem ter a ousadia de resolver os problemas da Humanidade isoladamente. É fulcral que haja mais consensos, entendimentos e adopção de politicas de cooperação do que manter protagonismos próprios de um mundo estilhaçado por visões egoístas, gananciosas e ditatoriais.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

PORTUGAL A ARDER (*)



A situação incendiária em que Portugal vive, faz-me lembrar, com um certo humor negro, a de uma casa em chamas cuja urgência em as apagar é de uma importância vital. As estratégias de ataque (Programas eleitorais), a aplicar neste caso, exigem toda a eficácia e celeridade, evitando a todo o custo, os potenciais danos irreparáveis não só no edifício chamado “Portugal”, como também nos seus ocupantes (Contribuintes, empresas, etc.). Constato, com tristeza, que as várias forças parlamentares contracenam neste paupérrimo e chamuscado palco português (Assembleia da República), como “falsos bombeiros”, que estão mais preocupados em saber como ganhar a “medalha de mérito e de coragem”, leia-se, vitória nas próximas eleições legislativas, do que acabar com o incêndio destruidor da casa e salvar quem paga “pacifica, democrática e amordaçadamente” a estes “falsos profissionais anti-crise.” Discutem o supérfluo e defendem a política não cooperante, e por conseguinte, anti-patriótica, num pais que tem forçosamente de se focar naquilo que é de interesse vital e nacional, naquilo que pode ser o arranque do Projecto Estratégico de “Portugal”, nestes tempos difíceis e de oportunidades únicas, por ventura irrepetíveis no mundo futuro sempre em constante mutação. Continuar a representar mal, o papel dos “bombeiros políticos”, através, por exemplo, da postura brejeira de alguns com afirmações de “animais ferozes” e de “politicas de verdade”, é continuar a embalar os portugueses com sonhos ao estilo das “bolas de sabão” e que já nem os “pequenitos” acreditam…

sábado, 4 de julho de 2009

A NOVA ORDEM TECNOLÓGICA (*)







Alguns dos últimos acontecimentos ocorridos e descritos no nosso novo e cada vez mais complexo mundo cibernético, através do recurso às novas ferramentas de comunicação, como o são o “Twitter”, o “Facebook” e a troca de correspondência electrónica (“Mails”), estão a contribuir para eliminar as barreiras de acesso à informação pelos cidadãos, e no limite, à forma como as várias nações se comportam entre si, ou seja, nas suas relações internacionais, nos mais variados domínios económico-sociais e políticos, quer sejam relações legais ou não, de acordo com o direito internacional e com as leis especificas de cada país. A internet está a “uniformizar” o mundo. A disseminação de informação e o seu livre acesso poderá verdadeiramente tornar os sistemas políticos mais democráticos e menos corruptos. Vivemos tempos em que os choques civilizacionais proliferam. Todos os cidadãos do mundo querem legitimamente melhorar os seus padrões de qualidade de vida e aceitam cada vez menos modelos de sociedade repressivos, como acontece por exemplo no Irão que mais cedo ou mais tarde, não conseguirá suster a “enxurrada” demolidora dos sonhadores iranianos que almejam um sistema politico mais aberto e não em constante hostilização com os países do Ocidente. Assim, as comparações entre os vários sistemas nacionais são constantes e cada vez existe uma consciência mais próxima dos Direitos Humanos como objectivo a alcançar. Por vezes, os governos e os seus opositores são apanhados de surpresa com a ocorrência de certos fenómenos políticos e económicos menos “transparentes” (BPP, BCP, BPN, BdP, Freeport, TVI / PT / Governo, PC Magalhães, etc.). As constantes e diárias novidades de falta de ética dos políticos portugueses que descredibilizam a sustentabilidade do Estado de Direito em Portugal, e que era suposto ser um dos ideais da Revolução de Abril de 1974, poderão servir de inspiração ao crescente número de "inconformistas" portugueses que procurarão, tal como os "novos" revolucionários iranianos, lutar por um Pais digno daquele que deu o primeiro passo no processo de globalização - O Portugal dos navegadores portugueses-...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

AUTOEUROPA ' versus ' CGTP (*)




Só nos faltava ter mais uma “pedra no sapato” do contribuinte, em vésperas de eleições legislativas, e agora protoganizada pelo Sr. Carvalho da Silva, representante máximo da CGTP. No actual contexto de crise mundial e de quebra generalizada do consumo, do investimento e da produção, ainda existem “cromos” do “passado” que defendem certas regalias e benesses próprias de tempos que já não existem.Paises onde o investimento externo é acarinhado, tendo em conta a sua rarefação, degladiar-se-iam ao estilo de “pão para a boca” para captar entidades geradoras de riqueza num espaço cada vez mais concorrido internacionalmente.O Sr. Carvalho da Silva, ao influenciar a lucidez tida até ao dia de hoje pelos trabalhadores da multinacional alemã, arrisca o futuro da AUTOEUROPA, desconhece uma regra básica das economias contemporâneas e sobre a qual se sabe que produzir e vender, depende da procura dirigida às empresas e não somente por fazer uma análise aos custos parcelares entre os quais a mão-de-obra. A intransigência de alguns trabalhadores que “arrastam” outros colegas com opinião contrária, e sob a voz de “comando” do sindicato CGTP e seus sindicalistas, comportam-se com uma total irresponsabilidade e possivelmente, com consequências “trágicas” para o tecido económico empresarial expresso por mais subsidios de desemprego. Até quando?O “cartão de visita” que Portugal oferece ao investimento directo estrangeiro, nos actuais tempos, não constitui, de facto, um terreno fecundo de oportunidades: Justiça inoperante, Saúde para alguns, Conflitos sociais crescentes, Desemprego, Insegurança, Burocracia, etc. Será que os interessados não chegarão a perceber que empresas como a AUTOEUROPA, tendem a procurar outros Estados mais responsáveis, uma vez que a tendência actual é a previsivel fusão de marcas de automóveis (Por ex.: Fiat e Chrysler)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

IRÃO DIVIDIDO (*)


O discurso do Presidente dos EUA, Barack Obama, na Universidade do Cairo, no dia 4 de Junho de 2009, já começou a ter consequências práticas na República Islâmica do Irão. Obama teve a coragem que só os grandes políticos podem ter. O seu objectivo era o de colocar em cima da mesa, a sua vontade de negociar com o Irão, de espírito aberto, e sem pré-condições, todos os aspectos comuns e de interesse para ambos os países no actual mundo globalizado, sem enfatizar as diferenças constantemente alimentadas por décadas de intolerância. Obama desafia, assim o mundo islâmico ao “chutar a bola para o campo” dos representantes políticos iranianos, na altura representados pelo Presidente Mahmud Ahmadinejad. Desta forma inteligente, Obama recusa ser o “bode expiatório” dos constantes falhanços deste regime político que provêm desde a época da “eliminação” politica do Xá da Pérsia. A política nuclear promovida pelo Presidente Ahmadinejad, não é assim tão pacífica para muitos iranianos. Existe de facto, uma crescente surpresa no resto do mundo, pela atitude dos que protestam contra a “democraticidade” das eleições do dia 12 de Junho e da respectiva contagem dos votos. Uma coisa é certa, existe bloqueio e censura informativa, gerada por um conjunto de entidades políticas e militares, e que são próprias de quem não tem confiança a 100% em dar a conhecer o que se passa nas ruas de Teerão (Mortes, chacinas, etc.).

quinta-feira, 4 de junho de 2009

OS NOVOS CENTROS DE PODER MUNDIAL (*)



As más politicas de gestão seguidas pelo clã Bush e as dos gestores “afamados” e “experts” em sectores económico-financeiros, tradicionalmente simbólicos do sucesso do modelo americano de livre concorrência e de auto-regulação dos mercados, enfraqueceram o sistema “imunitário” dos EUA, e contaminaram o resto do mundo. Obama tem o objectivo de investir internamente num sistema de ensino mais abrangente e mais democrático, num sistema de saúde que seja mais humano e que não privilegie somente quem tem seguros de saúde ou mais posses, reduzir a dependência do petróleo criando alternativas energéticas e em desenvolver novas tecnologias em vários domínios da vida americana. Barack Obama comprometeu-se, em regular, urgentemente, o sistema económico-financeiro americano e mundial conforme o que ficou determinado na cimeira de Londres (G20). A crescente redução de intervenção militar nalguns pontos do globo revela a necessidade de adoptar soluções menos onerosas como acontece com as vias diplomáticas e de influência local. Feito o “diagnóstico clínico”, a presidência de Barack Obama, procura conter esta “infecção” antes que esta se transforme numa “gangrena” mortífera. A economia dos EUA, cada vez mais dependente de credores internacionais (Ex: China), encontra-se completamente “endividada” e a viver acima das suas possibilidades reais. A não adopção de politicas correctas poderá implicar uma quebra de credibilidade do dólar como moeda internacional e como consequência, a perda de hegemonia no poder americano do sistema financeiro mundial. E é este sinal de oportunidade que permite aos países emergentes do BIRC (Brasil, Índia, Rússia e China) pensar em criar uma moeda própria como ferramenta monetária na concretização das suas trocas internacionais. O nascimento de novos centros de poder irá criar forçosamente soluções diplomáticas assentes em acordos num mundo multipolar. E a União Europeia? Haverá vontade europeia em se emancipar dos EUA? Quando deixaremos de andar a reboque constante dos americanos? É que os americanos estão a perder influência e a UE irá ter a concorrência do grupo BIRC!

domingo, 31 de maio de 2009

TRAIÇÃO AO IDEAL DA EUROPA UNIDA? (*)


A II Guerra Mundial traumatizou inúmeros cidadãos dos países envolvidos, independentemente de estes serem vencedores ou vencidos. A necessidade de encontrar soluções que potenciassem o crescimento e desenvolvimento na Europa do pós- guerra, trouxe ao palco politico europeu dos anos 50, dois visionários políticos, - Jean Monnet e Robert Schuman -, portadores de um ideal europeísta, assente em laços de cooperação entre os vários povos europeus, expurgando assim, as sementes do ódio e da vingança geradoras de novos e potenciais conflitos..Com a ajuda dos EUA, expressa através da execução do Plano Marshall (1947), a criação da CEE (1957), o Acordo de Schengen (1985), a instituição da UE através da aprovação do Tratado de Maastricht (1992) e da moeda única (2002), foi possível a edificação passo a passo de uma nova Europa, baseada na paz, no mercado livre de bens e serviços e na livre circulação de pessoas no espaço da UE. A conjugação destes factores possibilitaram aos Estados-Membros alcançar níveis tais de prosperidade que logo após a queda do muro de Berlim (1989), os países satélites subordinados ao antigo poder tutelar da ex-União Soviética, procuraram também atingir. O envolvimento de um cada vez maior número de países em tão distinto clube (UE), tem tornado mais difícil os consensos inter-comunitários e esse fenómeno foi agravado em 2004 com a integração de uma só vez de dez países a saber: República Checa, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta e Polónia; e de mais dois em 2007, Bulgária e Roménia. Todos estes países emancipados e independentes não possuíam uma cultura económica semelhante àquela que existia na Europa Ocidental. Na transição do comunismo para o capitalismo, não houve o tempo suficiente para que estas novas nações obtivessem a experiência de um sistema capitalista específico e sólido. Caminhou-se pela via mais fácil ao importar-se um modelo de capitalismo "puro e duro" ou selvagem com todos os defeitos que hoje lhes reconhecemos e que estão na base da crise financeira actual. As economias com “tradições capitalistas” não parecem dar um bom exemplo a quem as procura como novo paradigma de crescimento e desenvolvimento. Será demérito dos políticos da nossa geração? Será que iremos trair o sonho dos estadistas, Jean Monnet e Robert Schuman, com tamanha indiferença com que os europeus estão a seguir as eleições europeias?

sábado, 9 de maio de 2009

INVESTIMENTO PRIVADO NO SISTEMA POLITICO (*)


Na última cimeira do G20 realizada em Londres, as mais altas individualidades políticas, procuraram transmitir ao mundo a ideia de que o sistema financeiro mundial jamais seria “governado” por gestores irresponsáveis, sem ética empresarial, social e até politica, o que originou uma descompressão nos mercados mundiais, a par também de um renascer de confiança dos agentes económicos. Apoiar-se-ia, assim, o “capitalismo regulado” com ética e transparência em detrimento de um monstro devorador de inúmeras empresas, famílias e até de países inteiros, feito nascer pelo “capitalismo selvagem”. Os actuais políticos portugueses contradizem-se quando assumem a sua concordância com princípios subjacentes à cimeira de Londres. Ou seja, vejamos um exemplo: Em tempos difíceis e com as eleições europeias à porta, os partidos políticos portugueses vão duplicar os seus gastos de propaganda de 4 milhões de euros em 2004 para valores exorbitantes de mais de 8 milhões de euros em 2009, tendo em conta o padrão médio da qualidade de vida dos eleitores... e num ambiente de crise... A nova alteração da Lei de Financiamento dos Partidos e das Campanhas Eleitorais permite que os partidos possam ser “patrocinados” em dinheiro vivo que como todos sabem, além de esconder a identidade de quem os “ajuda”, aumenta a dificuldade de descortinar as eventuais contrapartidas desse apoio… Será este novo fenómeno um novo grau de transparência e de ética? …Será esta realidade compatível com os objectivos da cimeira?... Poderão os partidos políticos aguentar a pressão de entidades de índole duvidosa?.... Fecham-se as portas aos “offshores” e “paraísos fiscais”… abrem-se janelas de oportunidade de "investimento privado" em partidos políticos.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

PORTUGUESES EM EXTINÇÃO (*)


A interacção entre os conceitos de evolucionismo biológico das diversas espécies vivas e os respectivos ecossistemas onde estas nascem, vivem e morrem, foi-nos dada a conhecer pelo célebre naturalista Charles Darwin que criou o principio da “selecção natural”, onde os mais fortes e os mais adaptáveis, seriam os mais protegidos pela natureza. Os países são de certa forma pequenos ecossistemas integrados num ecossistema mundial e globalizado, onde queiramos ou não, a competição é feroz e impiedosa.Sendo Portugal um dos países mais antigos da Europa, parece-me crer que estamos a perder várias guerras no que diz respeito à gestão politica da “coisa publica” e à incapacidade da maioria das empresas portuguesas se adaptarem ao mundo actual num processo de “selecção natural”. Vários indicadores poderão comprovar o meu comentário: Desemprego, endividamento das famílias elevado, fome, baixos salários, baixas pensões, falências fraudulentas, baixas taxas de natalidade e adopção da “politica do filho único”, envelhecimento da população, politicas empresariais e politicas estatais inconsequentes e de fraco rigor económico, acesso rápido à saúde e à justiça somente para quem pode pagar, Universidades com debilidades financeiras, níveis de insegurança nunca antes verificados, lobbies que defendem politicas corporativistas, divida externa incontrolável, descida acentuada das exportações liquidas, desinvestimento privado, carga fiscal asfixiante, concentração crescente de riqueza numa minoria de cidadãos à semelhança do que ocorre em países subdesenvolvidos, etc. Estes sinais negativos levam-me a pensar:Estarão os portugueses em vias de extinção?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

PREOCUPAÇÃO COM A POLITICA FISCAL (*)


A gestão em Portugal do binómio “competitividade – produtividade”, não deve ser preocupação somente das empresas privadas e das famílias portuguesas. Cabe ao Estado e aos governos, responsabilizarem-se pelas suas políticas orçamentais e fiscais, de modo que o efeito de “ruído”ou de “poluição económica” seja minimizado e que por essa via, seja possível fortalecer o nosso país nesta guerra económica mundial impiedosa. Cada vez é mais difícil atrair investimento estrangeiro credível enquanto que o investimento “beduíno” alastra pelo mundo ao sabor dos custos de produção mais miseráveis e em que o recurso ao “dumping social” permite uma concorrência desleal em países que se preocupam com a protecção social dos seus trabalhadores. Em Portugal, e no actual contexto de crise económica, a receita fiscal é de tal forma brutal, que a sociedade portuguesa “obriga” os seus cidadãos, honestos e cumpridores, a posicionarem-se “involuntariamente”, no lado dos que se atrasam ou dos que fogem às suas obrigações fiscais para sobreviver com dignidade. Sabendo que mais de 50% do PIB português está nas mãos do Estado e que a divida pública já subiu a fasquia dos 100%, como pensam os governantes financiarem este “buraco negro”? Desta forma, os governos portugueses, em vez de dar lições de gestão aos agentes económicos privados, deviam ver o que andam a fazer àqueles que “sonham” haver uma democracia sadia em Portugal… Cabe às empresas e famílias serem entidades geradoras de riqueza, mas não podemos esconder a responsabilidade do Estado em criar as fundações de um edifício chamado “Justiça, Saúde, Educação, etc.” por forma a criar um bom ambiente económico....

terça-feira, 7 de abril de 2009

NOVO MUNDO FINANCEIRO? (*)



A forma como os mercados reagiram aos resultados da cimeira dos G20 em Londres, demonstra que a globalização não é necessariamente algo de perverso. O período da Grande Depressão em 1929 e do qual resultou o proteccionismo, deu origem à atitude “Cada um por si e fé em Deus”… Essa realidade já não exequível num mundo globalizado. A nossa aldeia global, é o resultado da transformação do egoísmo proteccionista, numa realidade onde a cooperação e solidariedade internacionais, são peças fundamentais para que se possa alcançar o objectivo de vivermos num mundo mais equilibrado e sustentável. Felizmente, começa-se a perceber que todos vivemos no mesmo espaço de interesses e por conseguinte, a Humanidade tem de se comprometer e de se responsabilizar por várias dimensões: Económica, Social, Politica, Ambiental, etc. sem esquecer de zelar pelos interesses das gerações vindouras. Daí a necessidade de implementar medidas que visem restabelecer a confiança, o crescimento e o emprego através da regulação e supervisão do sistema financeiro, eliminando os paraísos fiscais “não cooperantes”, sem esquecer a criação de leis que penalizem os prevaricadores das regras do jogo económico e financeiro. Contudo, penso que mesmo com a boa vontade dos actuais lideres mundiais presentes na cimeira, existirão barreiras a derrubar: Num mundo onde o crime organizado tem um peso elevado no PIB mundial na ordem dos 20%, será possível observar os caminhos de fortunas invisíveis provenientes de actividades ilegais e por vezes mafiosas? Será possível detectar as fontes ilegais de capitais e a forma como elas se misturam nas contas bancárias de destino com aparência falsamente justificada? Sabendo que alguns países subscritores do Plano G20, também beneficiam da reconversão dos dinheiros sujos, “Hot Money”, em investimentos indispensáveis ao seus equilíbrios sociais e económicos, através do branqueamento de capitais, qual será o impacto nesses paises "com dupla personalidade"?

domingo, 5 de abril de 2009

A DIVIDA AMERICANA NÃO PÁRA (*)


O impacto negativo das políticas de defesa e segurança adoptadas posteriormente ao fatídico dia de 11 de Setembro de 2001, pela anterior presidência americana de George W. Bush, continua a causar estragos internos nos EUA e nos restantes países aliados do Ocidente. Por conseguinte, acredito que o terrorismo esteja para ficar pois só necessita de “suicidas mal pagos”. E eles existem… A gestão dos recursos económicos foi oferecida de bandeja aos lobbies militares e do petróleo, e à custa também, do “apertar do cinto” dos contribuintes que, presentemente, sustentam a crise financeira com as poupanças que deixaram de ter, graças aos falsos patriotas especuladores que enchiam os seus bolsos bem longe das “zonas de morte”. Estas asneiras políticas contribuíram para que os EUA se tornassem na nação mais endividada do mundo enquanto que a China, sorrateira e crescentemente, vai assumindo a posição de maior credor de uma cada vez maior parcela da economia enfraquecida dos EUA...

segunda-feira, 30 de março de 2009

MÁFIAS E OFFSHORES (*)


A globalização, através das novas tecnologias de comunicação, transformou profundamente, a forma de nos relacionarmos uns com outros na nossa pequena aldeia mundial. Actualmente e de forma gradual, as barreiras à comunicação vão-se esbatendo, independentemente da localização dos respectivos interlocutores, quer se tratem de simples cidadãos e empresas, quer se tratem de países e governos. Em Abril, o G20 reunir-se-á em Londres, com o intuito de alcançar objectivos mais ambiciosos e dirigidos à criação de uma nova e mais eficaz regulação internacional do actual sistema financeiro mundial, de modo que cada país não fique exposto a criminosos económico-financeiros sem escrúpulos, que depositam os seus ganhos milionários e muitas vezes fraudulentos em “Off-Shores”, proporcionando o branqueamento de capitais como resultado de actividades mafiosas entre as quais destaco por exemplo: Tráfico de Armas, droga, mulheres, extorsão, escravos (séc. XXI !!!?), cibercrime, etc… Neste momento, parece-me crer que as posições actuais dos EUA e da EU não se encontram em sintonia, o que me leva a pensar que a reunião de Londres não venha a ser proveitosa para as “urgentes reparações” do sistema. Mais, a própria EU protegeu países de figurarem na lista negra dos paraísos fiscais, como por exemplo, Luxemburgo, Bélgica, Áustria, Suíça… Sabendo que a economia paralela já detêm mais de 20% do PIB mundial e que alguns países ocidentais também beneficiam da reconversão do ilegal para o legal, poderemos pensar, se de facto, é ou não viável uma nova reforma sobre o sistema financeiro mundial?

sábado, 28 de março de 2009

O ESTADO SEM ABRIGO (*)


É inegável o reconhecimento das melhorias das condições de vida dos portugueses, desde os tempos da revolução de Abril até os nossos dias. Porém, não seria de esperar outra coisa, dado que outros países europeus mais desenvolvidos, têm vindo a crescer e a desenvolver-se a níveis mais consistentes do que Portugal, sem que este consiga a necessária convergência dos indicadores económico-sociais, mesmo com a entrada de milhares de milhões de euros que Portugal tem recebido. Infelizmente, sabe-se que actualmente Portugal enfrenta várias “patologias” que se não forem cuidadosamente avaliadas e tratadas, poderão inviabilizar a nossa independência enquanto país. Como poderemos ter crédito internacional, sabendo que o nosso défice externo, na casa dos 97% do PIB, apresenta um valor gritantemente destrutivo de um ambiente capaz de atrair investimento nacional e externo? Os Governos portugueses, à semelhança das famílias endividadas e desorientadas na gestão dos seus rendimentos, têm vivido de dinheiros ao estilo de “créditos fáceis”, quase sem dar garantias as esses empréstimos, com o objectivo de manter os níveis de “fachada” de consumo e investimento públicos em projectos de difícil aprovação pelo rigor das ciências económicas. Temo que o poder político e que a nossa identidade portuguesa, venham a ser desalojados por entidades estrangeiras alheias aos interesses de Portugal, à semelhança do que acontece com um número crescente de famílias portuguesas que deambulam pelas ruas, sem qualquer perspectiva de futuro…

segunda-feira, 23 de março de 2009

G20 PLANO OPTIMISTA. SERÁ VIÁVEL? (*)


A forma como os mercados reagiram aos resultados da cimeira dos G20 em Londres, demonstra que a globalização não é necessariamente algo de perverso. O período da Grande Depressão em 1929 e do qual resultou o proteccionismo, deu origem à atitude “Cada um por si e fé em Deus”… Essa realidade já não exequível num mundo globalizado. A nossa aldeia global, é o resultado da transformação do egoísmo proteccionista, numa realidade onde a cooperação e solidariedade internacionais, são peças fundamentais para que se possa alcançar o objectivo de vivermos num mundo mais equilibrado e sustentável. Felizmente, começa-se a perceber que todos vivemos no mesmo espaço de interesses e por conseguinte, a Humanidade tem de se comprometer e de se responsabilizar por várias dimensões: Económica, Social, Politica, Ambiental, etc. sem esquecer de zelar pelos interesses das gerações vindouras. Daí a necessidade de implementar medidas que visem restabelecer a confiança, o crescimento e o emprego através da regulação e supervisão do sistema financeiro, eliminando os paraísos fiscais “não cooperantes”, sem esquecer a criação de leis que penalizem os prevaricadores das regras do jogo económico e financeiro. Contudo, penso que mesmo com a boa vontade dos actuais lideres mundiais presentes na cimeira, existirão barreiras a derrubar: Num mundo onde o crime organizado tem um peso elevado no PIB mundial na ordem dos 20%, será possível observar os caminhos de fortunas invisíveis provenientes de actividades ilegais e por vezes mafiosas? Será possível detectar as fontes ilegais de capitais e a forma como elas se misturam nas contas bancárias de destino com aparência falsamente justificada? Sabendo que alguns países subscritores do Plano G20, também beneficiam da reconversão dos dinheiros sujos, “Hot Money”, em investimentos indispensáveis ao seus equilíbrios sociais e económicos, através do branqueamento de capitais, qual será o impacto nesses paises "com dupla personalidade"?