
Os êxitos consecutivos dos corajosos descobridores portugueses no século XV e XVI, e que ousaram “navegar por mares nunca antes navegados”, em busca de melhores condições de vida, deixaram um testemunho profundo e inesquecível, na História Universal, no que diz respeito ao desenvolvimento do saber cientifico da época e da sua respectiva aplicabilidade nos vários saberes desse periodo, tão necessários para realização das tarefas diárias, como por exemplo, a navegação marítima e o acesso a novas rotas de comércio, em busca de matérias primas de grande valor e, por arrasto, com a consequente descoberta de novos mundos que viriam a permitir a exploração de uma nova força de trabalho: A Mão-de-obra escrava barata.
A pobreza reinante e a escassez de oportunidades de vida em Portugal do século XIV e XV, forçaram os mais audazes, a arriscar a “deslocalização” das suas vidas para outros mundos ou “mercados” mais promissores, com a “tormenta” de pôr em causa os mitos da época em relação aos famosos guardiões dos caminhos marítimos, ao bom estilo do monstro “Adamastor”. O desespero dos portugueses “emigrantes” deu lugar à coragem bem sucedida, e permitiu ainda o enriquecimento rápido da metrópole que facilmente se habituou a viver das riquezas do Império.
Quando o sucesso português se expandiu pelos quatro cantos do mundo, a concorrência internacional, incentivada ferozmente pelas riquezas obtidas pelos portugueses, deu origem a que novos países entrassem na corrida: Inglaterra, Holanda, França, Espanha.
Portugal que se limitava a consumir as riquezas vindas do seu império e que as usava para comprar os restantes bens necessários à vida da metrópole, sem preocupações de reinvestimento interno, foi, pouco a pouco, posto fora do palco das atenções do comércio mundial. Infelizmente e por demérito próprio, Portugal embora responsável pelo processo inicial de “globalização” da economia mundial, nunca mais conseguiu alcançar o “pódio” das nações mais desenvolvidas.
No presente momento, seria bom que os políticos portugueses, as empresas e a sociedade civil portuguesa, recordassem esta dura lição dos séculos XV e XVI. E porquê?
Porque o cenário económico de Portugal está fortemente condicionado pela economia da UE e do resto do mundo, apesar de a crise ser global. Os recursos humanos de valor, também designados por "cérebros", engrossam as fileiras da emigração, arriscando com coragem o embate dos “novos e desconhecidos mares”, tal é o triste panorama do nosso país. Um grande número de empresários medíocres, insiste em remunerar os seus trabalhadores portugueses, ao estilo daquilo que em tempos foi a mão-de-obra escrava. Não produzimos aquilo que consumimos e estamos cada vez mais endividados interna e externamente, e por conseguinte, a nossa independência económica já está nas mãos de estrangeiros. A galinha de ovos de ouro dos tempos XV e XVI já morreu. A galinha da UE está a definhar. E a riqueza da nossa economia privada é crescentemente desviada para a alimentar o “monstro” do Estado, ou dos seus representantes políticos…
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