CRÓNICAS CONTEMPORÂNEAS
JOSÉ CONDEÇA PINA
terça-feira, 17 de abril de 2012
FUTUROS HIPOTECADOS?
Portugal é um cantinho muito pequeno e para o bem ou para o mal, todos se conhecem...
"O lugar ao Sol", que devia salvaguardar boas oportunidades para todos aqueles que defendem a meritocracia social e que ainda (?) acreditam no nosso Portugal à "beira mar plantado", tarda em ser encontrado...
Neste quintal "luso", expropriado por governos cumplices de má gestão dos recursos públicos, por oposições do "bota abaixo" constantes e que nunca serão governo, e de credores internacionais, que diluem as responsabilidades dos seus "massacres económico-financeiros" numa lógica de branqueamento dos seus interesses especificos, materializados nos ditos "mercados financeiros", estão a conduzir-nos para o inicio do fim e não para o começo de um futuro melhor...
Os "mercados financeiros" foram, são e serão sempre, importantes para o bom funcionamento das economias.
Actualmente, está a haver uma mudança de sinal, de positivo para negativo, nesse novo mundo que é o sistema financeiro mundial: As agências de "Rating" norte-americanas estão a transformar os mercados económico-financeiros europeus, em lugares de "abate", às economias mais vulneráveis (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha ?, Itália ?...).
E a Europa e os seus politicos trocam argumentos contraditórios e nalguns casos, de grande irresponsabilidade, minando o ideal de uma Europa Unida, que eu ainda quero acreditar que seja possivel de existir! Mas a que preço? Este cenário de "suspense permanente" não contribui em nada, para a estabilidade politica na Europa, ingrediente principal para que se dê o crescimento económico e o emprego!
A Europa limita-se a assistir, impávida e serena, ao crescimento das economias emergentes, e ao expelir de "classificações de divida" por Agências americanas de "Rating", sobre a realidade dos paises europeus, que muitas das vezes, ninguém percebe o porquê de tais "classificações"?...
Lanço uma questão para reflectir: Quem está lucrar com este novo tipo de Guerra? Talvez dessa forma, se perceba melhor, a globalização das "dividas soberanias" que estão a transformar o futuro dos povos, num futuro hipotecado das novas gerações...
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
O CICLO DA HISTÓRIA REPETIR-SE-Á?
Uma boa e rigorosa formação académica, acompanhada por uma boa formação cívica, são dois ingredientes fundamentais para que se construam sociedades desenvolvidas e nas quais os direitos e obrigações são cumpridos religiosamente por todos. A disciplina social e laboral, a boa organização das empresas, orientadas não apenas para o lucro a qualquer preço, mas também, para uma nova realidade, a que muitos sociólogos e outros estudiosos do comportamento humano, chamam de “responsabilidade social”, constituem sinais de que o paradigma actual de economia tem de mudar.
Mas o que actualmente, estamos a viver, não vai ao encontro das ideias expressas no parágrafo anterior! Todos aqueles estudiosos e cidadãos que sentem as tendências económicas, politicas e sociais do mundo globalizado, percebem que o que deveria ser, não é aquilo que é… E esses “curiosos” terão que ter uma boa formação académica, para perceberem, os sinais dos tempos modernos, e concluir que os perigos do mundo no século XXI, não são negligenciáveis, são até muito perigosos…
Até os grandes milionários do EUA, entre os quais se encontra o Sr. Warren Buffett e, posteriormente, outros milionários franceses, já compreenderam, a necessidade de financiar a classe média e os mais pobres com impostos sobre os mais ricos! Surpreendidos? Não, porque se a base cai, quem está por cima, também cai, certo? É preciso manter o sistema a funcionar…
Em Portugal, verifica-se que a classe média e os mais pobres, são reféns de uma carência económica crescente, que os obriga a vender alguns dos seus bens mais valiosos, como por exemplo, o seu ouro, pratas, jóias de família, casas, no pior momento. O empobrecimento acelerado, não só em Portugal mas também noutros países endividados, e no actual contexto de crise internacional, de desemprego, de recessão, de contestação social, de insegurança, de fome, e de incapacidade em dar um futuro promissor aos jovens do amanhã, fazem-me pensar se não estaremos no inicio de uma nova guerra internacional (Via Sistema Financeiro), com algumas semelhanças daquelas que tiveram na origem da II Guerra de 1939-1945…
Quer queiramos quer não, a economia e os mercados mundiais, manipulam governos e nações inteiras. A velocidade das transacções e a volatilidade observáveis nos mercados financeiros, tecnológicos e das “commodities”, não permitem uma monitorização pelos políticos e pelos governos, em tempo real… E como dizia o provérbio popular, mas sábio, “Enquanto o pau vem e não vem, folgam as costas”… No mundo das “bolsas” do século XXI, o provérbio poder-se-ia reformular: “Enquanto os governos, não reagirem, adequadamente, aos abusos dos investidores nas bolsas nacionais e internacionais, estes continuarão, a sangrar, sem “dó nem piedade”, nações inteiras, via transferências “computacionais” de capital, para destinos muito mais bem remunerados e desconhecidos…" Chamo-lhes, as transferências “beduínas” de capital…
Ao contrário dos finais felizes, parece-me que neste filme, o “Mal” está e estará, a vencer o “Bem”. Até quando?
quarta-feira, 20 de julho de 2011
URSS, UNIÃO EUROPEIA E EUA: IDEOLOGIAS FALHADAS?
Cada vez mais a antiga URSS e a União Europeia (UE), se assemelham mais. A primeira, não admitia a propriedade privada, nem a liberdade de organização empresarial, livre da tutela do Estado. Condicionou-se a criatividade produtiva dos cidadãos, esse elemento tão motivador e necessário ao desenvolvimento e crescimento das economias. Como consequência, o mérito e a qualidade, constituiam realidades não estimuladas pelo Estado comunista. Dai o falhanço deste modelo que se consubstanciou na derrocada e no desmembramento da URSS em paises independentes. O império comunista chegava ao fim dos seus dias, como se de uma implosão se tratasse.
A UE, ou o "Imperio da Europa Ocidental" pressupõe o regime da propriedade e iniciativa privada neste espaço geográfico. Defende-se que a livre concorrência, promove o mérito e a criatividade daqueles que assumem o risco de investir e de produzir riqueza no espaço comunitário e no mundo globalizado. Contudo, em ambos sistemas ideológicos, existem um conjunto de politicos e de burocratas, que não são eleitos pelos seus respectivos povos. Há quem ponha em causa, essa forma de governar em "grupo fechado", e que se questione, se essa forma de liderar o projecto europeu é consentânea com o ideal de democracia. A lentidão da UE em resolver assuntos vitais (Combater os ataques financeiros à zona euro), em tempo util, é cada vez mais evidente. Será que iremos assistir em breve, à derrocada do "império ideológico" que é a União Europeia?
Entretanto, o "império" dos EUA, também, ele começa a abrir brechas, ou não seja este, o pais com o maior nivel de divida do mundo. Este aspecto, começa a preocupar os americanos, que para resolver os seus problemas internos, recorrem à "casa da moeda", o FED, para facilmente, imprimir dolares, moeda aceite como moeda padrão no comércio mundial. Até quando?
A UE, ou o "Imperio da Europa Ocidental" pressupõe o regime da propriedade e iniciativa privada neste espaço geográfico. Defende-se que a livre concorrência, promove o mérito e a criatividade daqueles que assumem o risco de investir e de produzir riqueza no espaço comunitário e no mundo globalizado. Contudo, em ambos sistemas ideológicos, existem um conjunto de politicos e de burocratas, que não são eleitos pelos seus respectivos povos. Há quem ponha em causa, essa forma de governar em "grupo fechado", e que se questione, se essa forma de liderar o projecto europeu é consentânea com o ideal de democracia. A lentidão da UE em resolver assuntos vitais (Combater os ataques financeiros à zona euro), em tempo util, é cada vez mais evidente. Será que iremos assistir em breve, à derrocada do "império ideológico" que é a União Europeia?
Entretanto, o "império" dos EUA, também, ele começa a abrir brechas, ou não seja este, o pais com o maior nivel de divida do mundo. Este aspecto, começa a preocupar os americanos, que para resolver os seus problemas internos, recorrem à "casa da moeda", o FED, para facilmente, imprimir dolares, moeda aceite como moeda padrão no comércio mundial. Até quando?
O Presidente americano, Barack Obama, bem tenta aumentar o nivel limite de endividamento, quando já se fala no incumprimento dos EUA no dia 2 de Agosto de 2011. Mas esse desejo de aumentar o limite da divida não pode ser adoptado para todo o sempre.
Assim, parece que nestes tempos modernos do século XXI, os paises conhecidos pela sigla BIRC, irão ter um papel fundamental, no crescimento e desenvolvimento económico no mundo globalizado, uma vez que de uma forma ordeira, têm vindo a fazer reformas que lhes permite crescer a taxas de fazer corar os paises mais desenvolvidos.
Conclusão: Os centros de poder económico e politico, poderão transferir-se para novos paises cuja estrututra económica, social e politica, seja capaz de atrair os fluxos de capitais, criando novos "impérios" noutras zonas do globo...
segunda-feira, 6 de junho de 2011
TROIKA: SACRIFICIOS E SOLIDARIEDADE (*)
Actualmente, Portugal padece de muitos males cujo tratamento tem sido adiado, sucessivamente, por falta de coragem dos decisores políticos em governar com eficácia e eficiência, sem a “muleta” do ciclo eleitoral. Estas “muletas” destroem a democracia. Os “medicamentos” utilizados e que provêm de adopção de politicas erradas e avulso, tomadas no passado, não permitiram restaurar a confiança económica, social e politica. Estes três pilares são necessários para que um país tenha ambições e expectativas elevadas, emancipando-se numa comunidade internacional cada vez mais exigente. A pergunta impõe-se: Será o nosso regime, um regime falhado, nos tempos tão exigentes como o são, o início do séc. XXI?
Houve necessidade de pedir ajuda externa porque as medidas implementadas nos últimos 15 anos, têm se resumido a meros tratamentos “paliativos” que não curam o doente “Portugal” mas que estão a contribuir para um agravamento do nosso “estado de necessidade” face ao actual “Estado Social” que não deve ser protegido por “discursos de fé” mas sim por uma racionalidade económica e social, verdadeiramente, humanas, assentes numa politica de partilha de custos maiores para quem pode pagar mais, e de custos mais baixos para quem vive com graves restrições económicas no seu dia a dia. A ausência de solidariedade, ou a existência de uma solidariedade “precária”, acabarão por minar, qualquer sistema político e económico que se queira construir num país livre e de sucesso.
A falência do nosso regime, implicou a vinda da Troika, e a criação de um “Memorando” subscrito pelo PS, PSD e CDS-PP, irá aumentar a tensão social que de forma crescente e preocupante, já se começa a sentir no dia a dia dos portugueses. Os sacrifícios serão imensos, mas agora, não podemos falhar, pois a nossa margem de erros já se esgotou… e a paciência dos nossos credores também pode acabar…
sábado, 12 de março de 2011
DITADURA EUROPEIA E DEMOCRACIA MUÇULMANA?
Os princípios humanos dos líderes e estadistas europeus, subjacentes ao projecto de criação da CEE em 1957, pressupunham lideranças solidárias, descomplexadas, corajosas e de cooperação efectiva entre os Estados Membros fundadores. Contudo, esses valores parecem ser coisa do passado. A consciência europeia relativa ao respeito dos Direitos Humanos, no período pós II Guerra Mundial, parece estar diluída e menos presente enquanto valores de conduta politica actual. Os políticos europeus, são olhados com desconfiança pelos seus eleitores, pelos actos políticos menos transparentes divulgados inúmeras vezes pelos órgãos de comunicação social, e nos quais se questiona onde se encontra a fronteira daquilo que é e não é legítimo. Os negócios entre os políticos de países defensores dos “Direitos Humanos”, por vezes, esquecem-se que negociar com ditadores (Kadafi, Mubarak, etc.) lhes cria uma suspeita nefasta do ponto de vista ético e moral que os descredibiliza junto dos seus eleitores. Acresce ainda, a corrupção que graça em vários países europeus, a colocação de quadros em empregos sujeitos a critérios de admissibilidade partidária e não pela adopção de critérios de mérito baseados no filtro da competência laboral e de liderança. A manutenção deste tipo de politicas, já não são compatíveis com o mundo de hoje, e no qual os lideres políticos de países com graves problemas, não podem continuar a assobiar para o lado ao estilo do “tudo está bem”… Por exemplo, terá Sarkozy sido financiado por Kadafi no seu caminho político? A constatação desta e de outras realidades, talvez justifiquem, o elevado desinteresse pela política expresso pelos crescentes níveis de absentismo eleitoral em países cuja qualidade da gestão dos seus políticos, tarda em dar resposta aos problemas das sociedades modernas, como o desemprego e o crescimento.
O reforço da dialéctica “produção – consumo” mundial, torna insustentável o nível de conforto presente, na medida em que as taxas de reposição e de renovação dos recursos criados pela natureza, estão a conduzir os povos a novos problemas de repartição de riquezas e a tensões sociais, nacionais e internacionais, num cenário de concorrência extrema que se verifica globalmente sob a tutela de organizações e entidades poderosas, públicas ou privadas, que manobram as lógicas dos mercados financeiros, dos mercados das matérias primas e alimentares, dos mercados energéticos, dos mercados industriais e das novas tecnologias de informação em crescimento exponencial, e que a médio e longo prazo, irão favorecer as economias do conhecimento, um dos activos mais relevantes no jogo do poder mundial.
Por outro lado, os mercados financeiros passaram a olhar para as nações, como se estas fossem meros “produtos transaccionáveis”, geridos sem qualquer pudor e preocupação solidária ético - moral. Navegamos à vista e ao sabor dos fortes ventos e tempestades… Os povos do mundo muçulmano e árabe, já percepcionaram na “pele” a consequência das politicas erradas dos seus dirigentes pouco “democráticos” e estão dispostos a lutar pelos “Direitos Humanos” que outrora foram defendidos pelas potências económicas mais desenvolvidas do Ocidente no século XX… Se os povos árabes já não “aturam” os caprichos ditatoriais dos seus governantes, estarão os europeus dispostos a “eleger” políticos que se esqueceram dos ideais dos estadistas de 1957?...
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
PODER, PROPAGANDA E INTERNET
A propaganda militar dos tempos modernos, surgiu com o nazismo, na pessoa do Joseph Goebbels. Esta propaganda dificultou a percepção da realidade efectiva pelos militares alemães, especialmente, quando estes se encontravam na fase descendente do poderio alemão durante os meados da II Guerra Mundial, período esse em que já se alimentava a esperança de uma vitória dos Aliados e dos Russos. Este bloqueio à “verdade”, por parte da elite militar alemã, visava "manipular psicologicamente" as suas tropas, com vista à criação de um Estado composto por uma raça superior (Ariana), e com o objectivo de aumentar o seu território, também conhecido por “espaço vital". Este processo iniciou-se com a anexação da Polónia. Mais tarde, os Aliados descobriram as consequências trágicas e hediondas dessa propaganda ao descobrirem as consequências do desastre humano, a que se veio a chamar de “Holocausto Nazi”... Campos de extermino em massa e que nunca tinham sido alguma vez vistos, em nenhum outro período da História da Humanidade acabaram por chocar gerações durante anos subsequentes...
Actualmente, a economia mundial, nem sempre é regulada pelas forças do mercado. É necessário e urgente, edificar um sistema financeiro internacional, regulamentado e eficaz, que evite os abusos cometidos pela crise de 2007- (...). Os beneficiários, desta máquina económica "beduina" não podem continuar a dominar, sem regras, a orientação dos movimentos de capitais para zonas em que os custos e os meios de produção são autênticas violações aos Direitos Humanos. O recorrer-se, sistematicamente, à propaganda assente no conceito da "Globalização", que não é necessariamente uma coisa má, tem que ser regulada pelos políticos mundiais, sob pena de ser a desgraça de muitas nações, com consequências graves para um mundo ligado numa lógica de "vasos comunicantes"...
Acontece que a China, ao violar os direitos humanos mais básicos dos seus cidadãos (Protecção social e liberdade de expressão inexistentes, etc.) e muitas das vezes, fazendo uso da exploração de mão-de-obra escrava (Partido Comunista Chinês!!!), está a destruir muitas economias europeias e a criar problemas sérios aos EUA, porque os lideres comunistas, persistem em manter os princípios de uma organização social e económica, manifestamente incompatíveis com os restantes modelos económicos em vigor no mundo mais desenvolvido. Por outro lado, a censura politica do governo chinês que controla, através da internet, o seu povo, ao admitir funcionários pró – governamentais, através dos quais se “branqueia” os comentários menos abonatórios do povo perante os problemas do dia-a-dia na sociedade chinesa.
Presentemente, os países árabes e muçulmanos estão a observar e a perceber, com atenção e dor, que os seus povos já não receiam manifestar-se contra os regimes ditatoriais onde vivem, como se observa nos órgãos de comunicação tradicionais e principalmente, nos novos meios de transmissão via internet de imagens e de mensagens, tais como: “Twitter”, “Youtube”, “Facebook”, etc. Assiste-se ao surgimento de convulsões populares em países onde o regime da “mão de ferro” impera mas que progressivamente se transformam em países cuja vontade popular irá ser a regra. Ou seja, a saúde dos países que adoptem a força como meio de dissuasão não terão futuro... Veja-se o que se passa com a Tunísia, o Egipto, o Iémen e o Irão, onde a liberdade só existe para quem controla o sistema... Até quando? Será que a China não aprenderá com este crescente “tsunami revolucionário” no Médio Oriente?
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
À DERIVA NO SÉCULO XXI
A situação precária e insustentável em que Portugal se encontra, é de tal forma grave, que não há coragem política, quaisquer que sejam os partidos com assento parlamentar, em propor soluções politicas que promovam uma equidade “verdadeira” entre os cidadãos no que diz respeito aos direitos e deveres a cumprir por todos, sem excepção. É necessário coragem para promover um conjunto de medidas de gestão politica de “verdade”, “doa a quem doer”, de modo a que se inverta o “saque cego” permanente de um “Estado obeso mórbido” em relação ao sector privado, cada vez mais entorpecido no seu desempenho económico interno e externo. Ao Estado não lhe chega “comer” os 50% da riqueza produzida em Portugal… Já se alimenta também, em casa alheia (China, Japão, Qatar, etc.) sem perguntar o preço do almoço que não será “grátis”…
A competitividade e a produtividade das empresas não dependem somente da iniciativa privada. É necessário que o Estado crie um ambiente fértil ao investimento nacional e ao investimento estrangeiro, através de adopção de politicas que protejam o interesse público e ao mesmo tempo que não permita abusos de alguns movimentos corporativos ou de lobbies que falseiam a concorrência entre os vários agentes económicos públicos e privados, ou ainda que funcionem em conluio. A cedência do Estado ao clientelismo, que estrangula os bons profissionais e promove os “maus feitores”, farão implodir, mais cedo ou mais tarde, o nosso sistema económico, social e político, caso não haja novas mentalidades que contrariem anos e anos de décadas de politicas erradas e irresponsáveis, onde a culpa sempre tem morrido solteira…
O Estado para se “alimentar” das mais variadas iguarias e manter os seus “pequenos” luxos, persiste em não mudar de vida. O Estado está a “comer” aquilo que muitas famílias portuguesas já começam a não ter: Uma refeição por dia!!! Isto, sem pensar na satisfação de outras necessidades básicas dos cidadãos igualmente carenciados, as quais deviam ser contempladas por uma Justiça “verdadeira” que facilitasse o cumprimento da nossa Constituição “empalhada” mas que uma classe politica não quer saber em mudar para melhor. Assim, a Constituição e a Justiça portuguesas, estão perigosamente de costas voltadas…
A manter-se esta tendência social “suicida”, corremos o risco de assistir a convulsões sociais perigosas logo que o povo se farte de ouvir o “Fado”, de ver o “Futebol” e de rezar para manter a esperança de que a vida melhorará no dia do “São nunca à tarde”. A própria Igreja Católica já alertou a comunidade politica, para a necessidade de dar resposta ao número crescente dos sem-abrigo, muitas das vezes, consequência da perda involuntária do posto de trabalho, de inadequado planeamento financeiro (Iliteracia financeira), da saúde para a qual o dinheiro escasseia, das famílias que se vêm endividadas e sem soluções à vista mas com os problemas a crescer ao estilo de uma bola de neve. Até quando, resistiremos?
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
OS ANOS PERDIDOS DE 1974 A 2011
No período pós 25 de Abril de 1974, a maior prosperidade da economia portuguesa, correspondeu na maioria dos casos, e quase sempre, a níveis de endividamento externo insustentáveis, tendo em conta a estrutura produtiva dos lusitanos. Parece existir uma “vocação” nacional para consumir mais do que para produzir no nosso “cantinho à beira mar plantado”, “vocação” que talvez, tenha nascido com os maus hábitos dos navegadores quinhentistas portugueses…
Nesse histórico virar de página que foi a revolução dos cravos, um grande número de empresas de iniciativa privada e de grupos económicos de dimensão relevante, passaram para as mãos do Estado, através de um processo de nacionalizações. Essa transferência da propriedade empresarial, implicou a ocorrência de um conjunto de ineficiências económicas e de débeis “performances” em vários mercados, ferindo de morte, a concretização com sucesso, pelo sector público, da tarefa de optimização e afectação dos recursos escassos, às exigências de um país europeu moderno e desenvolvido. A fé na ideologia “Socialista”, conforme constava na letra da Constituição da República dessa época, reforçou a incapacidade de Portugal em concorrer com modelos económicos liberais, nos quais se observavam níveis de crescimento vigorosos e que possibilitariam a sustentabilidade do processo de enriquecimento dos países pertencentes ao “Clube dos Ricos”, leia-se, CEE…
As reivindicações dos trabalhadores ao nível salarial, também, contribuíram para a criação de um ambiente politico complacente com a adopção de politicas de rendimentos e de salários demasiadamente generosas tendo em conta os níveis de produtividade observados nos três sectores económicos do Portugal dos anos setenta. Era necessário não “trair” os ideais revolucionários conquistados pelo povo, agora libertado da ditadura do Estado Novo…
O eclodir do choque petrolífero (1973) a nível mundial, teve repercussões graves nos custos das empresas e na sua competitividade interna e externa, em especial nas empresas de bens transaccionáveis, já que as de bens não transaccionáveis sempre estiveram mais protegidas pelo Estado através da adopção de politicas públicas adequadas a esse fim.
A evolução nos anos seguintes da economia portuguesa, ficou pressionada por níveis elevados de inflação, com perda efectiva dos salários reais e com taxas de juro elevadas que limitavam o investimento, contribuíram para o agravar do cenário económico português, na medida em que o nosso tecido empresarial dependia, fortemente, da evolução destas variáveis com vista à viabilização do projecto de crescimento e assim, por essa via, poder convergir para níveis de bem-estar mais adequados e semelhantes aos países do então chamado “pelotão da frente”.
A conjugação destes factores criou uma restrição ao crescimento económico em Portugal. Houve, então, a necessidade de recorrer ao FMI (1983) de modo a implementar medidas de austeridade (Politicas monetárias e orçamentais restritivas e politicas cambiais de desvalorização cambial com o objectivo de aumentar as exportações) que assegurassem a credibilidade necessária à cura do doente “Portugal” junto dos credores internacionais de então.
PS e PSD esqueceram as guerrilhas partidárias em virtude da grave crise vivida em Portugal. Era imperioso salvar o país. Nascia uma “parceria” verdadeiramente patriótica, chamada de “Bloco Central”, que possibilitou o regresso ao bom comportamento dos agentes económicos, políticos e sociais conforme se comprovou posteriormente, com a nossa adesão à CEE (1986) mediante certos critérios de admissibilidade, como foi, por exemplo, o processo de privatizações de empresas outrora nacionalizadas nos anos oitenta.
Após a nossa entrada na CEE, e com o apoio dos fundos estruturais no período compreendido entre os anos de 1986 e os anos de 1995, procurou-se financiar um conjunto de infra-estruturas, aproveitando as baixas de taxas de juro no contexto europeu tendo em conta aquelas que se observavam na década de 70 e 80 em Portugal. Os pacotes de ajuda comunitária tão necessários à qualificação e formação do factor trabalho, visavam também, aumentar e potenciar o crescimento económico futuro. A adesão à CEE implicou níveis de crescimento na ordem dos 3%, fenómeno, raramente, observado na nossa História colectiva, com consequências positivas no crescimento nacional até aos meados anos de 2001.
Contudo, e por decisões de politica económica erradas adoptadas pelo Estado (2001), a par de um modelo inadequado de negócio da bancário, focado essencialmente para o financiamento do crédito à habitação, agravou não só a mobilidade dos trabalhadores como também restringiu o crédito às empresas orientadas para a produção de bens transaccionáveis e que se esforçavam por exportar para uma nova dimensão de espaço fortemente concorrencial e bastante agreste face a qualidade dos empresários saídos de um contexto proteccionista estatal…
Nos anos 2001 até aos dias de hoje, a falsa ideia de que com o euro os portugueses podiam viver à “moda alemã” teve consequências trágicas para Portugal.
Os fracos níveis de crescimento (Crescimento médio do PIB foi de 0.6% na primeira década deste século) verificados no período compreendido entre 2001 e 2011, não permitem, actualmente, manter o nível das importações mesmo com um ligeiro aumento das exportações, pois a balança de transacções correntes apresenta-se constantemente deficitária. Aliás, com este nível de crescimento do PIB, o desemprego não descerá, isto se o avaliarmos com o antigo (!!!) método de cálculo do número de desempregados pelo INE…
A classe politica, na passada década, nada vez para evitar o apetite voraz e a gula do “monstro” que “abocanha” quantidades crescentes de riqueza produzida pelo sector privado, matando a iniciativa “patriótica” e meritória dos empresários que ainda resistem a uma fiscalidade paralisante e a uma justiça ineficaz, acabando por inibir o bom investimento nacional e estrangeiro, a médio e longo prazo, que motiva os cidadãos a recorrer à economia paralela para sobreviver face às dificuldades sentidas dia após dia, que “expulsa” para o estrangeiro uma geração crescente de jovens licenciados custeados na sua formação académica pelos contribuintes portugueses sem haver garantia de que esse investimento em capital humano se fixe no mercado laboral português, que reduz o Estado Social sem dar a cara por essa medida. Enfim, vivemos numa sociedade de desperdícios… e o sonho chamado “Democracia” que nos impingiram em 1974, foi mais uma atitude desprezível com que os políticos nos presenteiam todos os dias com escândalos de corrupção, de falta de transparência entre o que é público e o que é privado. Concluindo, Portugal voltou à estaca zero. Contudo, há um princípio que não admito que me roubem: Não admito que esta classe política me roube o “sonho” de pensar em viver num Portugal mais justo. Isto porque o sonho é o bem mais precioso que um cidadão digno pode ambicionar ter e por isso nunca será alienável, custe o que custar…
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
A UNIÃO EUROPEIA E A SOLIDARIEDADE INTERGOVERNAMENTAL (*)
Uma das vantagens de estudar História como ciência, é a de poder analisar e compreender factos humanos ocorridos no passado e que de alguma forma implicaram transformações profundas em áreas económico-politicas e sociais relevantes para um determinado país, ou em sentido mais amplo, para uma comunidade internacional de países, numa mesma dimensão de espaço e de tempo.
A História politica, reporta-se à actividade humana, e como tal, os seus protagonistas que se destacam, são mulheres e homens comuns mas com desejos vincados de liderança, de poder, de fama e por vezes, até de espírito revolucionário quando optam por rupturas com sistemas políticos decadentes ou injustos. Todos estes factos, fazem parte do processo evolutivo da espécie humana, cuja compreensão, é dissecada por historiadores que contribuem para o estudo dos factos passados, e para o apuramento das conclusões que a História Universal necessita enquanto ciência humana. A História do século XX contemplou a existência de uma das maiores crises internacionais de que o Homem já assistiu: A II Guerra Mundial.
No dia 28 de Junho de 1919, foi assinado o Tratado de Versalhes no qual os principais vencedores da I Guerra Mundial (Grã-Bretanha, França), exigiam dos vencidos alemães, cláusulas de culpa e reparações de guerra, de tal forma humilhantes, que impossibilitariam qualquer projecto viável de nação alemã independente. Estavam criadas as condições para a ascensão politica de Adolf Hitler e por arrasto o nazismo, com consequências trágicas para a vida de milhões de pessoas. Seria a semente do Holocausto que iria permitir um novo e hediondo conflito mundial em 1 de Setembro de 1939.
Após o final da II Guerra Mundial, em 2 de Setembro de 1945, com nova derrota da Alemanha e com a vitória dos aliados, percebeu-se que a única solução para evitar uma nova chacina na “ensanguentada” Europa, seria dar o primeiro passo para a integração económica. Em 1951, instituiu-se a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), através de dois estadistas de excelência: Robert Schuman e Jean Monnet. França, Itália, Alemanha Ocidental, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo seriam os fundadores da CECA. Procurava-se, assim, não fazer germinar nos alemães, a vingança e o ódio que esteve subjacente ao início da II Guerra Mundial. Mais tarde, seria constituída a Comunidade Económica Europeia (CEE) em 1957 através do Tratado de Roma. Os EUA e o seu apoio à Europa Ocidental através do Plano Marshall, trouxeram consigo a paz, o crescimento e o desenvolvimento da economia europeia Ocidental para níveis dos mais elevados de sempre. A solidariedade estabelecida entre povos, outrora beligerantes, possibilitou “tempos dourados” aos cidadãos da CEE.
Porém, parece que esse crescimento e desenvolvimento estão postos em causa com a crise europeia em que vivemos no presente. O respeito e a solidariedade que os vencedores da II Guerra Mundial tiveram para com a RFA, no momento em que se criou a CECA e a CEE, não parece ser idêntico àquele que hoje, a Alemanha pretende dar aos países mais afectados com a crise económica e financeira. A tolerância não parece ser a mesma.
O esforço das dívidas grega, portuguesa e irlandesa é de tal forma brutal, que se torna impossível crescer e ao mesmo tempo contribuir para a redução dos défices e das respectivas dividas. O plano de austeridade imposto na Grécia, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela União Europeia (UE), está a provocar “convulsões” graves de consequências incontroláveis. Há quem afirme que a revolução grega já começou. A queda dos salários, o desemprego, as greves no sector público, a violência e a insegurança sentida nas ruas de Atenas, tornam quase impossível à Grécia, levantar-se do chão. O próprio ex-ministro grego, Kostis Hatzidakis, foi alvo de agressões, e quase sujeito a um linchamento popular.
Na Irlanda, tem havido vontade politica para resolver o seu défice orçamental de 32% (!!!) através de politicas económicas draconianas mas corajosas. Em Portugal, os custos elevados do financiamento da divida soberana nos mercados internacionais, agravam também os níveis do desemprego, da produtividade e competitividade das empresas. A forte e pesada componente fiscal existente em Portugal, sufoca e inibe qualquer investidor nacional ou estrangeiro em se “fixar no nosso cantinho à beira mar plantado”, a par de uma justiça que não funciona em tempo útil, de um sistema de educação cada vez menos focado nos reais desafios de um mundo em mudança rápida e constante, da degradação do poder de compra e das baixas pensões, leva-me a pensar que tempos difíceis se adivinham. Ora aqui está um desafio que nós, portugueses, teremos que enfrentar, presentemente, à semelhança daquele que os nossos heróis navegadores portugueses enfrentaram no Século XV e XVI .
Por isso, Ângela Merkel, não pode afirmar, irresponsavelmente, que o plano “multicultural alemão” falhou na Alemanha, pois isso representa o passar de uma esponja nas barbáries cometidas durante a II Guerra Mundial, com o nazismo. A Alemanha faz parte do mundo globalizado, e nesse contexto, não pode haver lugar a nacionalismos, quaisquer que eles sejam. Se os países vizinhos “caírem” então a Alemanha também poderá sofrer um impacto estilo efeito “dominó mortífero”. Seria o acender de um rastilho de uma “bomba” que implicaria o estilhaçar do mais bem sucedido projecto económico, politico, social de que há memória na Europa. Porém, não podemos deixar de lutar por melhorá-lo, mesmo em momentos de crise.
Assim, desejo que nunca ocorra uma revolução grega no futuro próximo. Espero que os membros intervenientes na UE tenham a consciência que os extremismos não são solução. Se o forem, o cenário europeu transformar-se-á num caos e nesse momento, a Europa entrará em declínio a todos os níveis. Perderemos a oportunidade de nos fazermos representar nas mais altas instâncias internacionais e por conseguinte seremos ultrapassados pelos EUA e pelas potências emergentes, Brasil, Índia, Rússia, e China (BIRC).
sábado, 6 de novembro de 2010
POLITICOS E CIDADÃOS ILITERADOS (*)
A minha geração, nascida posteriormente aos anos 1960, começa a ter que chamar a si, a “pequena” responsabilidade de revolucionar um Portugal, deixado na miséria pelas classes que nos governaram irresponsavelmente, desde o período revolucionário do 25 de Abril de 1974, até aos dias de hoje. É certo que na altura do Estado Novo, a grande maioria dos portugueses, não tinha instrução académica. A Salazar, convinha-lhe manter a ignorância de um povo obediente, para poder governar sozinho e manter a sua autoridade…
E hoje? Hoje, temos políticos que detêm um “ADN Salazarista”, que mutila a capacidade critica activa, deste povo apático e resignado expresso pela total iliteracia vigente em vários domínios da vida do dia-a-dia dos “lusitanos comandados”. Para os políticos actuais, Salazar semeou-lhes o terreno, preparando-o para alimentar os interesses de políticos “ansiosos” de alcançarem o exercício nobre de trabalhar para a “causa pública” nesta democracia enviesada e assente numa ignorância paralisante ao estilo da ditadura do Estado Novo…
O fim do Estado Novo, com a revolução dos cravos, iludiu os portugueses que tinham fortes expectativas em melhorar as suas vidas e a participar num país mais livre e justo… Contudo, os desvarios das classes governativas e respectivas oposições, não souberam planear estrategicamente o futuro de Portugal, nem definir o papel do Estado na sociedade civil, em sincronização com a evolução do ambiente externo da nossa economia.
A iliteracia dos nossos políticos, foi o suficiente para fazer sangrar e ferir de morte um corpo chamado “Portugal”, com tamanha violência e loucura, que me apetece perguntar: Como foi possível, em apenas 36 anos, destruir um país cuja soberania se mantinha nas mãos portuguesas há mais de oito séculos?
terça-feira, 28 de setembro de 2010
OS POLITICOS PRECISAM DE PORTUGAL
O desaguar de notícias depressivas e que nos perspectivam um futuro nada acolhedor enquanto “Raça Lusitânia”, tem não só iniciado os dias de trabalho de uma cada vez menor população activa portuguesa, como também, transformado em dias tristes e de sofrimento extremo àqueles que engrossam o caudal diário das dramáticas “procissões” à porta dos Centros de Emprego. Enfim, um cenário ao qual o Governo de Sócrates se mostra impotente em resolver e que contribui decididamente para o empobrecimento da alma, da esperança e da auto-estima de quem é colocado fora do processo de criação de riqueza, tão necessária ao crescimento e desenvolvimento de Portugal Sem motivação popular a crise é total. Um povo cabisbaixo será um povo escravizado e por conseguinte, desprotegido na sua cidadania “falsamente democrática e republicana”, por um Estado que começa a não estar ao lado dos cidadãos cumpridores das suas obrigações e que ainda persistem em “não se resignar”, desistindo. Até quando?
A irresponsabilidade politica da grande maioria dos governos portugueses têm tido um comportamento que se resume num conhecido ditado popular “O último que vier, que feche a porta”. Não me lembro, vez alguma, de em Portugal pós 25 de Abril, existir um governo capaz de conceber um plano estratégico definido por objectivos a cumprir com rigor e que permitisse a criação de um ambiente propicio ao nascimento de uma economia fértil, ou seja, capaz de atrair: 1) Bom investimento público - Não permitir a criação de empresas fantasmas para mascarar défices orçamentais; 2) Bom Investimento privado - Apoiado por uma banca mais independente do Estado e parceira de bons projectos de investimento em PME’s viáveis); 3) Maior exigência na educação - É escandaloso que haja alunos de Liceu com acesso privilegiado ao Ensino Superior, pelo simples facto, de ter o “Diploma” das Novas Oportunidades; 4) Justiça célere, mais “justa” e menos corporativa. Reduzir a discriminação que existe entre aquele que tem ou não tem recursos financeiros para a pagar uma justiça parca de eficiência e eficácia; 5) Maior respeito do Estado face às empresas privadas suas credoras, pois já bastam os próximos aumentos de impostos sobre aqueles que arriscam o seu dinheiro em empresas; 6) Maior rigor na admissão de políticos coerentes e com CV não estritamente politico; 7) Redução de deputados na Assembleia da República; 8) Coragem politica em não ceder aos “interesses instalados” de modo a premiar o mérito individual/empresarial e não outras formas rápidas de ascensão de cariz duvidoso, como acontece com a nomeação de "boys" inconsequentes, no momento de os responsabilizar por incompetência no desempenho de funções de gestão danosas para o erário público mas remuneradas principescamente.
Não há mudanças para melhor sem dor... Será que vai valer a pena sofrer por um Portugal melhor? Iremos nós dar a volta a este impasse politico em que vivemos? Se não formos capazes da mudar, resta-me a infeliz satisfação de saber que os nossos responsáveis politicos também irão todos provar o sabor amargo do desemprego no futuro...
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
O ESTADO DROGADO
Nesta semana, o Estado Português voltou a consumir a sua “droga” preferida, ou, por outras palavras, - o crédito -. Obtido, no mercado financeiro internacional, a preços (Spread’s) que roçam a irracionalidade e a insustentabilidade das decisões económicas a médio e longo prazo, O Estado está a dificultar o nosso projecto Portugal, pois esses empréstimos são canalizados para sustentar o nosso perfil de “novos ricos” na zona euro, esquecendo-nos de que esses créditos irão ser pagos pelas gerações presentes e futuras (Os jovens já estão a pagar a factura com o desemprego). Assim, os juros de 5.795% (Níveis históricos), que foram definidos, no dia 7 do corrente, pelos agentes financeiros estrangeiros, que apercebendo-se da fragilidade dos nossos desequilíbrios internos e externos, cederam-nos essa “droga” que nos vai “matando”, paulatinamente, enquanto nação secular, e cuja “ressaca” se está a manifestar pelo nosso empobrecimento económico e social diários a níveis galopantes, destruindo os resistentes lusitanos e todos aqueles que persistem em não “se resignar”…
O sector transaccionável é responsável pela estrutura da Balança Comercial (Exportações e Importações de Bens e Serviços), que se tem mantido estável mas deficitária. Aqui, a falência das PME’s sobrepõe-se ao nascimento de novas empresas, o que é preocupante dado que a maioria das ditas PME’s não consegue nem aumentar a sua produtividade e o acesso ao crédito, nem singrar no resto do mundo globalizado. Contudo, a estrutura da Balança Tecnológica tem sido excedentária desde o ano de 2007, o que me leva a crer que muitos jovens licenciados em áreas de forte componente tecnológica estão a mostrar ao mundo, a qualidade da marca “Made in Portugal”. Desenvolver o sector transaccionável é fundamental, para que o Estado Português tenha possibilidade de recolher receitas fiscais importantes mas sem as “desbaratar” e sem nunca adoptar politicas de apoio “invisível” à iniciativa privada somente para “sacar”.
Por conseguinte, os graves problemas, no que diz respeito ao défice orçamental, a divida pública e divida soberana serão mais facilmente resolvidos se houver um ambiente mais optimista e realista de apoio às PME’s. O actual ambiente empresarial e laboral não se compadece com politicas fiscais mais agressivas…
O peso do sector não transaccionável (Empresas públicas, empresas privadas com “golden shares”, Sector Público Administrativo, etc.), não pode “asfixiar” ou rarefazer o próprio crédito obtido perante as necessidades das empresas privadas descapitalizadas mas com boas ideias de investimento.
O “deixa andar” da politiquice actual, poderá trazer danos irreparáveis e semelhantes àqueles que morreram de “overdose”… Tenho esperança que a minha geração venha dar a volta, àquilo que herdámos das anteriores gerações…
segunda-feira, 26 de julho de 2010
EUROPA: QUE FUTURO? (*)
Quando nos EUA, se detectaram maus “comportamentos” dos agentes financeiros americanos, com objectivo de chamarem a si, os clientes / accionistas que acreditavam na auto-regulação das entidades competentes e no equilíbrio natural chamado “Mercado Auto-Regulado” pelos agentes participantes, os cidadãos e contribuintes “queimaram as mãos”.
As consequências graves e ainda vividas no presente, estão a destruir silenciosamente várias económicas reais de diversos países europeus, conduzindo-os para fracos níveis de crescimento (Mercados de bens e serviços menos dinâmicos e em recessão), altos níveis de desemprego (Mercado Laboral em contracção) e de contestação social preocupantes (Politicas de repartição de riqueza menos equitativas).
A “solidariedade” demonstrada pelos contribuintes europeus para salvar os bancos da falência, obrigou aos Estados membros a criar divida pública para salvar um hipotético desastre no sector financeiro com implicações ruinosas nas economias reais. Os tempos são difíceis. A divida soberana dos países mais pobres (Zona Euro), cresceu exponencialmente, o que implicará a adopção de políticas fiscais mais agressivas e eventualmente recessivas.
Os países mais vulneráveis, carregam consigo a “cruz das debilidades”, expondo-se ainda mais aos especuladores financeiros mundiais dispostos a tratá-los como se fossem meras empresas cotadas em bolsa.
Os europeus actuais vivem num momento de muito receio: Temem perder o seu emprego, as suas poupanças, a rarefacção do crédito para investir, a incerteza no futuro do euro enquanto moeda única e mais grave ainda na falta de confiança nos actuais lideres europeus com carisma que assumam aquilo que já não pode voltar a atrás, ou seja, o Projecto Europeu, sob a pena de voltarmos a uma situação de caos indesejável para todos. Enquanto a UE não falar a uma só voz, os problemas que estão em cima da mesa, poderão descambar num triste fim...
terça-feira, 8 de junho de 2010
TRISTES CANDIDATOS
É com uma grande tristeza que prevejo a fraca qualidade do debate político com vista à eleição do mais importante cargo político da nação, ou seja, o da eleição do Presidente da República Portuguesa, no próximo ano de 2011. Esta eleição deveria pressupor uma coerência exemplar de comportamentos e de princípios ético-políticos, exigíveis a todos aqueles que se candidatam ao cargo.
O Dr. Fernando Nobre, advoga em sua defesa, que não é um candidato do sistema mas sim de uma cidadania apartidária responsável e justa… Acredito na sua boa-fé, mas pergunto: A sua candidatura não é uma candidatura a um cargo do sistema político português? E a sua cidadania não começa somente quando se é Presidente. A cidadania plena é um direito constitucional de qualquer eleitor português e não meramente prerrogativa de quem exerce cargos políticos.
O Sr. Manuel Alegre, embalado pelo “surpreendente” resultado obtido nas últimas presidenciais, teceu uma rede bem urdida, e na qual o PS, refém do “poeta”, não teve alternativa senão apoiá-lo, mesmo com vozes discordantes, como aconteceu com o Dr. Mário Soares. O eventual apoio de toda a esquerda “radical” (PCP e BE), poderá ser a “cicuta” que Sócrates se verá obrigado a beber, caso o Prof. Cavaco Silva se candidate novamente e ganhe. A meu ver o conceito de “patriotismo” tão em moda, não favorece o Sr. Manuel Alegre, na medida em que o seu exílio politico na Argélia foi menos digno do que aquele que muitos portugueses infelizes tiveram em Àfrica. Se estivéssemos nos EUA, o Sr. Manuel Alegre, jamais seria o Presidente de toda a nação.
O Prof. Cavaco Silva, refém do PS (Exemplo: Lei do Casamento Homossexual), já se contradiz na área económica. O Prof. Cavaco que defende nos seus livros, como dado adquirido, a globalização, e por conseguinte, o fim do proteccionismo no século XXI, vem agora de forma “descabida”, dizer aos portugueses que “passem férias cá dentro” esquecendo-se de acrescentar como sugestão minha, que os portugueses deviam trabalhar no estrangeiro, pois no seu conceito de “patriotismo” não cabe o seu conhecimento de que há portugueses com filhos cheios de fome…
sábado, 8 de maio de 2010
DO SUBPRIME À CRISE DO EURO
A crise do “Subprime” a par de uma regulamentação financeira inconsequente e baseada na crença de que “a mão invisível”, resolvia os desequilíbrios nos mercados bolsistas e financeiros, teve inúmeras implicações negativas no clima financeiro internacional. A perversidade desta crença levada ao limite, acabou por gerar níveis insustentáveis de desemprego, de défices públicos, de falências (Famílias, Empresas e Bancos) e despoletou uma profunda recessão nos EUA e na Europa até aos dias de hoje.
Gestores com procedimentos pouco éticos e até criminosos, alimentaram estratégias de curto prazo, somente com objectivo de maximizar os ganhos por bom desempenho empresarial, mesmo que para tal, fosse necessário “maquilhar” as respectivas contabilidades. A fim de “abafar” o pânico e o colapso financeiro mundial, houve necessidade dos bancos centrais, americano (FED) e europeu (BCE), intervirem no sistema financeiro internacional, ao injectar a liquidez nos mercados, minimizando assim, o surgimento de problemas maiores.
Estes apoios foram directamente canalizados e orientados para os bancos em dificuldades. E quem pagou a factura? Os contribuintes. Os défices aumentaram, descontroladamente, e a nível macroeconómico, a dureza da situação recessiva acentuou-se no mundo financeiro e na economia real globais.
Os especuladores procuram, por um lado, obter mais-valias na zona euro e, por outro, testar se a moeda única é realmente uma moeda de referência mundial. Estes ataques especulativos direccionados aos países mais frágeis e periféricos do ponto de vista económico, como o são, por exemplo, a Grécia, Portugal e a Espanha, estão na origem da instabilidade social, empresarial e até politica verificada nestes países. Se as politicas económico-sociais adoptadas foram erradas, também é verdade, que a adopção de politicas de apoio incondicional e prioritário ao sector bancário, prejudicaram as empresas e os respectivos contribuintes.
Daí a necessidade, a meu ver, de se criarem duas entidades de recurso e de regulação: 1) Fundo Monetário Europeu e 2) Agência de “Rating” Europeia.
Assim, a UE tem que se afirmar de vez, se se quiser manter como bloco económico efectivo. A quota europeia no PIB mundial está a perder peso para os EUA e para os BIRC. Está na hora de deixarmo-nos de “falinhas mansas” e de defender o euro como moeda única, através de acções de solidariedade intra-comunitária mais concretas mas não a qualquer preço, sob pena da Europa perder um papel decisório na economia internacional para os nossos e novos concorrentes do novo modelo civilizacional chamado globalização.
sábado, 24 de abril de 2010
AS LUZES E AS SOMBRAS
Sócrates, o improvísador-mor desta democracia crescentemente "estatizante", não previu o efeito "boomerang" de um dos seus "ícones governativos", tão propagandeado pelo actual governo, e denominado pomposamente por "Choque Tecnológico". A máquina fiscal, tornou-se mais eficiente, ao nível das cobranças de impostos devidos pelos contribuintes faltosos... Contudo, esta "prendinha" dada a estes contribuintes, não é seguramente algo de mau para todos. Por maior que sejam as “omissões informativas” de verdade, começa a surgir uma massa critica que se liberta, paulatinamente, das forças ocultas e que se exprime livremente, através das novas armas cibernéticas ("Facebooks", “Twitters”, SMS´s e Internet) e afins...
Como consequência da gestão danosa e irresponsável da "coisa pública", durante décadas de governação estéril, começa a ser tempo, de quem vier a (a)pagar a crise "sistémica" portuguesa, se integre nas novas gerações de jovens cidadãos, necessariamente, mais reivindicativos dos seus direitos, a par do cumprimento das suas obrigações, e que persistem em não se “resignar” pela defesa do projecto “Portugal”.
Os jovens desta depressiva III República, sabendo da natureza de carácter de certos senhores parlamentares, sejam estes "laranjonhas" de refugo ou "rosas" despudoradas de qualquer tipo de "aroma", já compreenderam que não terão "casa onde se abrigar", se nada fizerem... Os jovens são o futuro de um país, e o futuro hoje é a emigração “sofrida” de muitos portugueses desempregados que são expelidos para países mais acolhedores.
Assim, somente aqueles homens que se transcendem da "sombra", são aqueles que se destacam da normalidade, através da "luz" que é uma simbiose de coragem, humildade, ideias, inteligência, liderança, princípios éticos, lealdade, justiça e com carisma... Estes atributos emergem, sob a forma de "brilho", projectado no seu rosto de "líder-guerreiro" pelas causas em que acredita e pelas quais luta... Nestes tempos, procuram-se as "luzes" em detrimento das "sombras", ou por outras palavras, precisam-se de verdadeiros estadistas e não de “trepadeiras politiqueiras” estilo “cata-vento” ou de furacões misteriosos nunca dissecados por um estado de direito que persiste em não funcionar.
sábado, 17 de abril de 2010
A GRÉCIA E O EURO (*)
A percepção pelas autoridades monetárias (Banco Central Europeu e restantes Bancos Centrais dos vários Estados Membros) e pelo sistema financeiro em sentido lato, no que diz respeito ao estado crítico das contas públicas gregas, levou a que se discutisse na União Europeia, se se deveria expulsar a Grécia da zona euro, punindo assim, a gestão dos políticos gregos que de uma forma irresponsável conduziram o seu país à bancarrota. Tal atitude de expurgar a Grécia da zona euro, poderia implicar o surgimento de várias ondas de choque especulativas de cariz financeiro, com consequências trágicas para todos os europeus, ao nível do crescimento, do desemprego e da estabilidade do euro, numa época em que tarda o fim da recessão económica. O fantasma da recessão europeia e americana, parece ajudar os gregos, pois teme-se que os agentes económico-financeiros se aproveitem desta instabilidade, para usufruir de ganhos especulativos nas bolsas internacionais, acabando assim com uma década de sucesso da moeda única.
É imperativo que se mantenha estabilidade do euro na União Europeia. No mundo globalizado em que vivemos, é bom ter consciência que uma crise financeira rapidamente se propaga ao sector económico (Economia real). A cooperação e a solidariedade são fundamentais para a resolução dos problemas, e não para tomar atitudes que vissem a maximização do “ruído comportamental” dos especuladores e investidores, muitas das vezes responsáveis pelas fugas de capital para zonas do globo mais calmas e atraentes (Offshores).
O recurso ao FMI para ajudar a minorar a comparticipação dos Estados Europeus, no caso das contas públicas gregas, é a constatação de que é imperioso e urgente, criar uma instituição europeia semelhante. Chamemos-lhe, Fundo Monetário Europeu, por exemplo. Uma Europa que pretende ter a ambição de ser uma potência no século XXI, não pode deixar para o FMI, a resolução dos seus problemas financeiros e monetários. Acredito piamente, que com o evoluir dos tempos, a construção da Europa será realizada com os desafios nascidos do dia-a-dia e sensatamente resolvidos ao mesmo ritmo, neste mundo cada vez mais integrado.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
O PAIS DOS TUGAS (*)
Enquanto o Presidente da República expressava a sua preocupação com o "Estado da Injustiça", perdão..., com o "Estado da Justiça" na abertura do ano judicial, na pomposa sala para o efeito, o Primeiro-Ministro Sócrates olhava silenciosamente, ao "estilo" de quem assobia para o lado, ou melhor, de quem não quer ver o "Estado Criminoso" a que chegou o Estado de Direito em Portugal.
Nestes tempos de inúmeros furacões ocultos e outros em completo descontrolo, num ambiente de navegação à vista, sem qualquer plano nacional estratégico que nos sirva de "astrolábio", outrora bem rentabilizado pelos seiscentistas navegadores portugueses e hoje, desonrados por políticos medíocres e perdidos "a ver estrelas" num oceano cheio de “oportunidades perdidas” pós 25 de Abril 1974.
A ditadura desta partidocracia "tuga", moribunda e em avançado estado de decomposição, faz-me temer o fim apocalíptico de Portugal enquanto pais independente. As elites politicas digladiam-se numa retórica irresponsável, sem qualquer consequência prática ao nível do bem-estar presente e futuro do povo sempre acomodado no seu cantinho e entre paredes, às quais eu chamaria de fortaleza do comportamento do “deixa andar” e cuja atitude voluntária se materializa numa inacção sufocante e desprezível. Ate quando?
O despotismo das finanças do regime politico do Estado Novo, teve a virtude de pelo menos, manter "as pratas da casa" nas mãos portuguesas. Isso foi possível porque o "povo era sereno" e na maior parte das vezes, ignorante também... E hoje o que temos? Ignorantes que persistem nesse patamar cultural, transversal a toda a sociedade civil portuguesa e que se sujeitam àqueles que são detentores absolutos de uma espécie de "Telecomando" dirigido pela "Geofinança”, ou seja, por empresas de “rating” e credores internacionais, que sem dar "cavaco" aos "tugas", espreitam o ataque especulativo ao nosso “tecto” chamado Portugal… Quem tem telhados de vidro, deve conhecer o risco potencial sobre a nossa divida pública de uma forte subida dos juros pelo BCE, à médio e longo prazo, e por conseguinte, deve haver coragem de falar a verdade sob pena de muitos portugueses terem de mudar de casa para a rua…
sábado, 16 de janeiro de 2010
TERRORISMO E ZONAS SEM LEI (*)
Uma tragédia em plena quadra natalícia de 2009, poderia ter ocorrido no voo da “Northwest Airlines 253”, caso o jovem nigeriano mas formado como terrorista no Iémen, Omar Faruk Abdulmutallab, não tivesse sido denunciado às autoridades americanas pelo seu próprio e corajoso pai e ainda, se não fosse rapidamente anulado por um passageiro e respectiva tripulação, tornados heróis no momento da chegada do avião ao seu destino. A eventual consumação deste ataque hediondo, revela uma nova realidade preocupante e que ultrapassa a catástrofe do que poderia ter acontecido mas que nos dá, também, um sinal de alarme no que diz respeito à estratégia presente e futura dos terroristas da al-Qaeda.
A al-Qaeda, está a servir-se de “zonas sem leis”, para recrutar, organizar, planear, formar, desenvolver e angariar fundos, impunemente, com o objectivo de criar uma rede de terror criminosa. Zonas empobrecidas e de fraco controlo do Afeganistão, do Paquistão, da Índia, Somália e do Iémen são disso tristes exemplos.
O processo de mentalização para “exportar mártires” para o Ocidente, é iniciado nestes “viveiros de suicidas” que doam a sua existência a uma causa “divina” específica: Combater os interesses dos ocidentais e sua cultura. A pobreza dos países onde vivem, reforça a sua vontade para morrer em nome de um ideal superior. Na maioria das vezes, o hábil comando por chefias terroristas radicais, alimenta adicionalmente ainda mais esse desejo sanguinário.
Se juntarmos a este cenário negro, o poder sedutor da internet, no que diz respeito à facilidade não só em construir uma bomba artesanal de impacto relevante mas também em reunir “vontades de guerra”, expressas pelo conceito de “células terroristas móveis” espalhadas pelo mundo, então poderemos concluir que passaremos a incorporar no nosso comportamento diário, essa realidade opressiva da qual ficaremos presos, resultado dos princípios subjacentes à globalização em que vivemos.
sábado, 12 de dezembro de 2009
A EMPRESA “PORTUGAL” (*)
A globalização, incentivada pelas novas tecnologias disseminadas pelos mais variados sectores de actividade humana, tenderá cada vez mais, a transformar o conceito tradicional de “País”, no conceito de “País – Empresa”.
O mercado “Mundo”, polvilhado de “Países – Empresas”, constitui o cenário de luta entre aqueles que procuram, para os seus respectivos cidadãos, o melhor ambiente de prosperidade e de qualidade de vida possíveis, de forma sustentada, não só ao nível do crescimento mas também ao nível do desenvolvimento equilibrados. Assim, a estrutura organizacional de um país pode comparar-se à de uma empresa.
Na empresa “Portugal”, a “Missão” deveria ser defendida, estoicamente, por “Administradores” (Classe Politica) mais responsáveis e não por uma classe de políticos tão obcecada com o ciclo eleitoral, muitas vezes inimiga de reformas inadiáveis e tão necessárias à reestruturação interna nacional e à correcta utilização das “matérias-primas”, como o são, a saúde, o ensino, a justiça, a segurança social, e a fiscalidade. A correcta utilização destas “matérias-primas”, é determinante para sinalizar a qualidade da empresa “Portugal” no mercado mundial, de modo a que seja possível, captar o “bom” investimento que aumente o volume das nossas exportações, seja ele proveniente de empresários nacionais ou estrangeiros.
A má “performance” económica da empresa “Portugal”, poderá não só hipotecar os “dividendos” futuros, a receber pelos “accionistas” ou “contribuintes” vindouros, como também, poderá dar origem, à percepção de empresas internacionais de “rating”, que venham a associar à “Portugal” um risco potencial de incumprimento elevado, e por conseguinte, de insolvência iminente, dado os níveis insuportáveis da divida publica externa e dos do défice orçamental observáveis no presente e comprometedores no médio e longo prazo.
Se a “Portugal”, adoptar medidas e estratégias de acção insípidas e desarticuladas, visando somente o curto prazo, não terá capacidade de sobreviver neste novo paradigma que é a globalização, e por conseguinte, a sua razão de existir extinguir-se-á no mercado “Mundo”, dando origem a perda de soberania do país.
Tal facto, seria bastante nefasto para a “Portugal”, sujeitando-se esta a ser vítima de uma “OPA” hostil de interesses estrangeiros, como resultando da má gestão Lusitânia dos Administradores (Políticos), Directores (Empresários) e Trabalhadores com baixa produtividade e persistentemente focados no seu próprio umbigo, leia-se, interesses corporativistas indiferentes ao interesse comum, como o são por exemplo, os dos sindicatos, dos professores, juizes, médicos, etc.
A resistência à mudança, a inacção, o adiar e o medo de arriscar, são vectores que contribuem para o insucesso de um “País - Empresa.” como a "Portugal."
domingo, 6 de dezembro de 2009
ALIENAÇÕES VIRTUAIS E REAIS (*)

Actualmente, e no conjunto das sociedades mais avançadas e permissivas, no que diz respeito, ao acesso às “auto-estradas de informação”, o utilizador de um simples computador, “Smartphone” ou ainda de um “PDA”, pode comportar-se de forma imprópria, ao desprezar os princípios e valores basilares de um corpo social que se deseja equilibrado, coeso, solidário e mais humano.A utilização crescente e exponencial, deste tipo de tecnologias por indivíduos de faixas etárias indiferenciadas, está na base de comportamentos individuais fortemente alienantes, fruto de uma dependência que demonstram ter para com as novas tecnologias (Internet).
As redes sociais (“Facebook”, “Twitter”) estão a transformar aquilo que no passado era o serão familiar, o motivo de convívio e por vezes de tertúlia entre amigos, onde era possível, conversar, rir, enfim, conviver, tendo como interlocutores aqueles cujo calor humano se manifesta pelas “faces humanas” visíveis na mesma realidade espacial. Esse calor humano é essencial como vector de sociabilidade saudável. Haverá alguém que dê mais valor a um sorriso em código expresso por caracteres alfanuméricos (Letras e números) em vez de um sorriso à moda antiga? Penso que não.
Por conseguinte, e por melhor definição de imagem que uma “Webcam” possa ter, continuo a pensar que a maioria dos não alienados prefere estar no “local do acontecimento”.
O Homem, como animal gregário que é, está a transformar a sua essência natural numa essência de dependência alienante ao adoptar comportamentos solitários que conduzem à criação do binómio Homem - Máquina. Na minha perspectiva, o equilíbrio desta relação, começa a ser favorável à Máquina. Que o digam os novos “desempregados” tecnologicamente excluídos para sempre do mercado de trabalho.
As exigências das máquinas obrigam o Homem a correr a velocidades anti-natura, numa sociedade onde a informação é o activo cada vez mais importante e poderoso. Em poucos segundos, a mesma informação é dirigida a quem a solicita qualquer que seja o local do destinatário.
Nenhuma máquina pode, por enquanto, substituir-se ao Homem, excepto quando este aceitar alienar-se. No dia em que o Homem se entregar cegamente a uma “escravatura” imposta pelas máquinas então nascerá uma nova sociedade planetária, constituída por uma nova “raça de elite dominante”, à qual eu designaria por "sociedade robotizada" e na qual as máquinas esmagariam o papel do Homem à escala global.
sábado, 21 de novembro de 2009
PORTUGUESES do SÉC. XV e do SÉC. XXI (*)

Os êxitos consecutivos dos corajosos descobridores portugueses no século XV e XVI, e que ousaram “navegar por mares nunca antes navegados”, em busca de melhores condições de vida, deixaram um testemunho profundo e inesquecível, na História Universal, no que diz respeito ao desenvolvimento do saber cientifico da época e da sua respectiva aplicabilidade nos vários saberes desse periodo, tão necessários para realização das tarefas diárias, como por exemplo, a navegação marítima e o acesso a novas rotas de comércio, em busca de matérias primas de grande valor e, por arrasto, com a consequente descoberta de novos mundos que viriam a permitir a exploração de uma nova força de trabalho: A Mão-de-obra escrava barata.
A pobreza reinante e a escassez de oportunidades de vida em Portugal do século XIV e XV, forçaram os mais audazes, a arriscar a “deslocalização” das suas vidas para outros mundos ou “mercados” mais promissores, com a “tormenta” de pôr em causa os mitos da época em relação aos famosos guardiões dos caminhos marítimos, ao bom estilo do monstro “Adamastor”. O desespero dos portugueses “emigrantes” deu lugar à coragem bem sucedida, e permitiu ainda o enriquecimento rápido da metrópole que facilmente se habituou a viver das riquezas do Império.
Quando o sucesso português se expandiu pelos quatro cantos do mundo, a concorrência internacional, incentivada ferozmente pelas riquezas obtidas pelos portugueses, deu origem a que novos países entrassem na corrida: Inglaterra, Holanda, França, Espanha.
Portugal que se limitava a consumir as riquezas vindas do seu império e que as usava para comprar os restantes bens necessários à vida da metrópole, sem preocupações de reinvestimento interno, foi, pouco a pouco, posto fora do palco das atenções do comércio mundial. Infelizmente e por demérito próprio, Portugal embora responsável pelo processo inicial de “globalização” da economia mundial, nunca mais conseguiu alcançar o “pódio” das nações mais desenvolvidas.
No presente momento, seria bom que os políticos portugueses, as empresas e a sociedade civil portuguesa, recordassem esta dura lição dos séculos XV e XVI. E porquê?
Porque o cenário económico de Portugal está fortemente condicionado pela economia da UE e do resto do mundo, apesar de a crise ser global. Os recursos humanos de valor, também designados por "cérebros", engrossam as fileiras da emigração, arriscando com coragem o embate dos “novos e desconhecidos mares”, tal é o triste panorama do nosso país. Um grande número de empresários medíocres, insiste em remunerar os seus trabalhadores portugueses, ao estilo daquilo que em tempos foi a mão-de-obra escrava. Não produzimos aquilo que consumimos e estamos cada vez mais endividados interna e externamente, e por conseguinte, a nossa independência económica já está nas mãos de estrangeiros. A galinha de ovos de ouro dos tempos XV e XVI já morreu. A galinha da UE está a definhar. E a riqueza da nossa economia privada é crescentemente desviada para a alimentar o “monstro” do Estado, ou dos seus representantes políticos…
sábado, 7 de novembro de 2009
ARMAS CIBERNÉTICAS (*)

Nos finais do século XX, uma nova era tecnológica baseada na utilização de computadores, telemóveis e de outros equipamentos similares sucessivamente melhorados e alimentados por programas sofisticadíssimos, veio permitir o surgimento de uma nova realidade expressa pelo conceito de “Aldeia global” e na qual um número crescente de “adeptos” nem sempre surge com a melhor das intenções, como tudo na vida. O acesso à informação nunca foi tão democrático como agora, no século XXI. Porém, esse acesso mais democrático pode afectar a liberdade de quem pensa que é livre.
Alguém disse que o principal inimigo da democracia, era a própria democracia. Ou seja, o livre acesso a certas informações obtidas pelos cibernautas maliciosos (Hackers) pode pôr em causa a integridade de entidades importantes e em caso limite, a segurança dos próprios países, através de ataques cibernéticos orientados para novas formas de guerra, sem implicar grandes investimentos financeiros. A realidade nunca esteve tão próxima da ficção, e por conseguinte, o controlo dos Estados nestes actos de guerra à “velocidade da luz”, é muita das vezes reactivo e não preventivo.
O provérbio popular, “Tempo é dinheiro”, está no espírito e na vida de muitos cidadãos do mundo que recorrem cada vez mais ao “fenómeno” da internet, para tomar decisões e comportamentos, sejam eles profissionais ou de lazer. O desenvolvimento das tecnologias de informação, no que diz respeito, à produção de computadores de grande “performance” a custos verdadeiramente “democráticos”, a internet e o respectivo arsenal de “software”, mudou e irá continuar a mudar as diversas formas de relacionamento entre os cidadãos, não só ao nível social e de segurança, como também politico, económico-financeiro nos seus países e na restante comunidade internacional.
A guerra agora também é virtual, numa nova dimensão de espaço, mas com consequências eventualmente nefastas para as nossas vidas do dia-a-dia. Estamos atentos e em estado de alerta constante e esta atitude origina mais ansiedade social num mundo onde os variados povos se acotovelam para sobreviver nestes tempos dificeis.
sábado, 17 de outubro de 2009
O PRESIDENTE CAMALEÃO (*)

O tempo joga, na maioria das vezes, a favor dos políticos mais hábeis e subtis, na medida em que os seus eleitores têm, quase sempre, memória curta. No dia 16 de Março de 2003, o Presidente dos EUA – George W. Bush, e os Primeiros-Ministros de Inglaterra, Espanha e Portugal, Tony Blair, José Maria Aznar e Durão Barroso, respectivamente, reuniram-se nos Açores, para discutirem as possibilidades dos EUA e seus aliados de declarar guerra ao Iraque, independentemente de haver ou não uma resolução favorável da ONU.
Bush e a sua administração forçaram o conflito com o Iraque, sob o pretexto de destruir todo o arsenal bélico nuclear iraquiano. As “provas” da sua existência foram apresentadas por Colin Powell no seu célebre discurso na ONU mas nunca efectivamente encontradas. Este comportamento agressivo dos EUA, despoletou um ainda maior ódio dos países muçulmanos face aos países do Ocidente, e que se concretizou por dois ataques terroristas de relevo e posteriores aos de 11 de Setembro de 2001, como foi o de Londres (7 de Julho de 2005) e o de Madrid (11 de Março de 2004).
O alinhamento destes quatro lideres políticos, contribuiu gravemente para a desgraça do Iraque, que de uma ditadura militar se transformou num campo de batalha cheio de mortos para enterrar, mutilados e feridos para tratar, e um país a necessitar de ser construído a partir do zero… Este triste cenário, beneficiou a Al-Qaeda que sorveu até à ultima gota de sangue as vitimas desta guerra em beneficio próprio.
A ascensão politica fulminante de Durão Barroso, iniciada nos seus tempos inesquecíveis do Maoismo, PCTP-MRPP, PSD, até à Presidência da Comissão Europeia, é notável. Porém, os tempos mudam e por conseguinte os políticos também. O mesmo Durão Barroso que apoiou a guerra criada por George W. Bush (Inimigo político de Barack Obama), é o mesmo que, há poucos dias, endereçou as felicitações, em nome da Comissão Europeia, pelo feito de Barack Obama: A obtenção do Nobel da Paz 2009.
Coincidências? Não, novos tempos, novos ideais mas sempre a politiquice do costume…
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
UM FUTURO NADA FÁCIL (*)
Os resultados das eleições legislativas de 2009, demonstraram que o eleitorado português reconhece, presentemente, a importância de adoptar, ora, politicas mais estatizantes ou de esquerda (BE, CDU), ora, politicas mais liberais ou de direita (PSD, CDS-PP).
O PSD e a CDU, foram os grandes derrotados nestas eleições. Noites de fortes trovoadas irão surgir no horizonte do PSD e porquê? Porque o PSD, internamente e logo após as eleições autárquicas, irá estar sujeito às já habituais lutas pela liderança, o que na minha opinião, constituirá uma fraqueza politica aquando da necessidade de manter consensos e coligações no parlamento via PSD. Procurar-se-á encapotar essa fraqueza com uma oposição forte e nem sempre cooperante com o governo minoritário de Sócrates. E isso, será grave para Portugal.
Caso o PSD, continue a ser liderado, na base da inflexibilidade negocial parlamentar, ou por Manuela Ferreira Leite, ou por outra individualidade do partido, então poderemos estar perto de um “apagão parcial" na Assembleia da República, implicando entendimentos com outras forças partidárias.
No que diz respeito à CDU, e por mais que Jerónimo de Sousa se esforce em maquilhar os resultados, temos que compreender que o seu partido está a perder influência para o BE.
Caso o PSD, continue a ser liderado, na base da inflexibilidade negocial parlamentar, ou por Manuela Ferreira Leite, ou por outra individualidade do partido, então poderemos estar perto de um “apagão parcial" na Assembleia da República, implicando entendimentos com outras forças partidárias.
No que diz respeito à CDU, e por mais que Jerónimo de Sousa se esforce em maquilhar os resultados, temos que compreender que o seu partido está a perder influência para o BE.
Por mais sorrisos que Sócrates nos delicie, não vale a pena esconder que o PS saiu derrotado. Ao não conseguir a maioria absoluta, o PS será obrigado a “ouvir”, a “dialogar”, a negociar, e não somente a classificar os seus opositores com afirmações do tipo “bota abaixo” ou “maledicentes”. O respeito entre partidos nunca foi tão necessário e imperioso, dada a situação preocupante em que o país se encontra. Saberá o PS, governar em minoria, tendo em conta a personalidade do Primeiro-Ministro José Sócrates? Como irá Sócrates relacionar-se com líderes como Paulo Portas, um dos políticos mais incisivos e eficazes do nosso actual espectro partidário? E como será relação politica de Sócrates, líder de uma esquerda moderna, com a esquerda radical de Louça que defende nacionalizações e outros anacronismos políticos populistas.
O Presidente da República, que tem procurado ser equidistante na sua relação com os vários partidos políticos, também se encontra sobre “brasas”.
A crescente crispação entre S. Bento e Belém, a explicação do Presidente da República do caso das escutas, por exemplo, em nada abona à estabilidade politica interna de Portugal. A própria e conceituada revista inglesa, “The Economist”, caracteriza a atitude do Presidente, como imprópria nos tempos difíceis da nossa democracia e com possíveis danos ao nível captação do investimento estrangeiro.
A instabilidade actual do nosso sistema político implicará, forçosamente, uma maior intervenção presidencial sem polémicas e atitudes dúbias. O comportamento futuro do Presidente da República, poderá condicionar ou não, a sua reeleição em Janeiro de 2011.
A crescente crispação entre S. Bento e Belém, a explicação do Presidente da República do caso das escutas, por exemplo, em nada abona à estabilidade politica interna de Portugal. A própria e conceituada revista inglesa, “The Economist”, caracteriza a atitude do Presidente, como imprópria nos tempos difíceis da nossa democracia e com possíveis danos ao nível captação do investimento estrangeiro.
A instabilidade actual do nosso sistema político implicará, forçosamente, uma maior intervenção presidencial sem polémicas e atitudes dúbias. O comportamento futuro do Presidente da República, poderá condicionar ou não, a sua reeleição em Janeiro de 2011.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
OS JOVENS SEM ABRIGO DA UE (*)
De forma muito silenciosa e discreta, constato, com tristeza, a emergência de uma realidade social preocupante, com graves consequências para o futuro da União Europeia (EU), e que se traduz pela exclusão sucessiva dos jovens no projecto europeu, nomeadamente, na sua inclusão no mercado de trabalho. Como exemplo, temos os casos de Portugal, Espanha, Grécia e França.
O conceito tradicional de família, tipica do século XX, está em causa. As cada vez maiores pressões económico-politicas e sociais (Baixos salários, instabilidade económica e politica, pobreza crescente, corrupção, economia paralela, insegurança, justiça tardia quando não inexistente, concorrência "louca" no mercado laboral, como resultado de elevadas taxas de desemprego, e na concorrência entre empresas, nem sempre sujeitas às mesmas regras de funcionamento, concorrência desleal, etc.) destroem as relações dos jovens que aspiram à sua independência enquanto cidadãos. Assim, os jovens que entram nesta máquina social, estão amputados de meios de subsistência semelhantes áqueles que tiveram os seus pais e por conseguinte, o futuro daqueles é incerto.
O conceito tradicional de família, tipica do século XX, está em causa. As cada vez maiores pressões económico-politicas e sociais (Baixos salários, instabilidade económica e politica, pobreza crescente, corrupção, economia paralela, insegurança, justiça tardia quando não inexistente, concorrência "louca" no mercado laboral, como resultado de elevadas taxas de desemprego, e na concorrência entre empresas, nem sempre sujeitas às mesmas regras de funcionamento, concorrência desleal, etc.) destroem as relações dos jovens que aspiram à sua independência enquanto cidadãos. Assim, os jovens que entram nesta máquina social, estão amputados de meios de subsistência semelhantes áqueles que tiveram os seus pais e por conseguinte, o futuro daqueles é incerto.
Infelizmente, para muitos, a solução obriga os jovens a viver nas casas dos seus pais. Até quando? Outros têm a sorte de ter emprego e assim podem constituir familia, tornando-se independentes. Mas até quando? Actualmente, o trabalho é incerto. Causa: Ditadura Globalizante em que vivemos. Os divórcios são banalizados e fonte de pobreza para muito homens e mulheres dos novos tempos...
Muitos não aguentam a pressão, e suicidam-se, como foi o caso de alguns trabalhadores da France Telecom. A situação é de tal ordem grave, que o governo francês quis saber o que se estava a passar na empresa.
Aqueles jovens que não conseguem trabalho, e os pais que também perderam o seu “ganha-pão” transformaram-se em “novos pobres”, muito deles, sem abrigo e sem voz, sujeitos a actos de violência física e psíquica na sociedade que os rejeita, acabam a deambular pelas ruas como mendigos...
A sociedade da competição fez implodir os seus sonhos, sucessivamente adiados, e transformou-os em utopias. No passado, os então jovens Van Gogh, Camões, Fernando Pessoa, Galileu, Darwin, Einstein e outros, emanciparam-se porque o mundo não os amputou… Presentemente, quem recuperará os génios da minha geração que deambulam pelas ruas do nosso mundo?
Aqueles jovens que não conseguem trabalho, e os pais que também perderam o seu “ganha-pão” transformaram-se em “novos pobres”, muito deles, sem abrigo e sem voz, sujeitos a actos de violência física e psíquica na sociedade que os rejeita, acabam a deambular pelas ruas como mendigos...
A sociedade da competição fez implodir os seus sonhos, sucessivamente adiados, e transformou-os em utopias. No passado, os então jovens Van Gogh, Camões, Fernando Pessoa, Galileu, Darwin, Einstein e outros, emanciparam-se porque o mundo não os amputou… Presentemente, quem recuperará os génios da minha geração que deambulam pelas ruas do nosso mundo?
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
OBAMA: O SUPER-HERÓI AMERICANO (*)

Na noite do dia 9 de Setembro de 2009, pelas 20h00 de Washington, viveu-se um momento épico no Congresso Americano, protagonizado por um dos principais líderes políticos do início do século XXI, o carismático Barack Obama. Detentor de uma forte fé politica, consubstanciada pela forma apaixonada como que este exerce a presidência dos EUA e a forma como envolve os seus apoiantes.
Um dos seus pontos fortes, enquanto gestor político, manifesta-se pela sua coragem em assumir riscos políticos, mesmo que para tal tenha que se opor a certos interesses instalados.
A gestão agressiva de George W. Bush, dos assuntos políticos internacionais, nomeadamente, com os países que ele apelidou de “o eixo do mal” trouxeram mais problemas aos EUA, do que bons acordos diplomáticos. Por outro lado, Bush foi um dos responsáveis máximos pela derrocada do modelo económico americano interno, com graves consequências ao nível da confiança dos agentes económicos americanos e estrangeiros. A convicção de que os mercados eram estáveis, e de que não seria necessário adoptar medidas de supervisão, tiveram como consequência o pânico financeiro ocorrido nos quatro cantos do mundo, naquilo que foi a primeira crise globalizada.
Por conseguinte, é para mim difícil compreender que recentemente, John McCan, ex-candidato republicano a presidente dos EUA, venha reiterar posições políticas e económicas, ocorridas num período negro da gestão Republicana, e através das quais o mercado livre permitiria aligeirar a tutela das respectivas autoridades da concorrência.
Obama que pretende acabar com a posição dominante das seguradoras de saúde nos EUA, procura criar no seu país, uma função pública e social, que complemente os serviços privados, dando a escolher aos americanos a solução que mais lhes convier.
Os republicanos criticam e chamam socialista a Obama, por este querer criar um serviço público de saúde, agitando os fantasmas do estilo “Onde o Estado se mete, estraga”.
Pergunto: Onde está a coerência dos Republicanos que promovem o liberalismo mas que defendem o grupo das seguradoras de saúde, possivelmente a funcionar em conluio, extorquindo dinheiro àqueles que estão protegidos e fechando as portas a quem está desamparado? Que estilo de democracia é essa?
Um dos seus pontos fortes, enquanto gestor político, manifesta-se pela sua coragem em assumir riscos políticos, mesmo que para tal tenha que se opor a certos interesses instalados.
A gestão agressiva de George W. Bush, dos assuntos políticos internacionais, nomeadamente, com os países que ele apelidou de “o eixo do mal” trouxeram mais problemas aos EUA, do que bons acordos diplomáticos. Por outro lado, Bush foi um dos responsáveis máximos pela derrocada do modelo económico americano interno, com graves consequências ao nível da confiança dos agentes económicos americanos e estrangeiros. A convicção de que os mercados eram estáveis, e de que não seria necessário adoptar medidas de supervisão, tiveram como consequência o pânico financeiro ocorrido nos quatro cantos do mundo, naquilo que foi a primeira crise globalizada.
Por conseguinte, é para mim difícil compreender que recentemente, John McCan, ex-candidato republicano a presidente dos EUA, venha reiterar posições políticas e económicas, ocorridas num período negro da gestão Republicana, e através das quais o mercado livre permitiria aligeirar a tutela das respectivas autoridades da concorrência.
Obama que pretende acabar com a posição dominante das seguradoras de saúde nos EUA, procura criar no seu país, uma função pública e social, que complemente os serviços privados, dando a escolher aos americanos a solução que mais lhes convier.
Os republicanos criticam e chamam socialista a Obama, por este querer criar um serviço público de saúde, agitando os fantasmas do estilo “Onde o Estado se mete, estraga”.
Pergunto: Onde está a coerência dos Republicanos que promovem o liberalismo mas que defendem o grupo das seguradoras de saúde, possivelmente a funcionar em conluio, extorquindo dinheiro àqueles que estão protegidos e fechando as portas a quem está desamparado? Que estilo de democracia é essa?
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