segunda-feira, 12 de outubro de 2009

UM FUTURO NADA FÁCIL (*)



Os resultados das eleições legislativas de 2009, demonstraram que o eleitorado português reconhece, presentemente, a importância de adoptar, ora, politicas mais estatizantes ou de esquerda (BE, CDU), ora, politicas mais liberais ou de direita (PSD, CDS-PP).
O PSD e a CDU, foram os grandes derrotados nestas eleições. Noites de fortes trovoadas irão surgir no horizonte do PSD e porquê? Porque o PSD, internamente e logo após as eleições autárquicas, irá estar sujeito às já habituais lutas pela liderança, o que na minha opinião, constituirá uma fraqueza politica aquando da necessidade de manter consensos e coligações no parlamento via PSD. Procurar-se-á encapotar essa fraqueza com uma oposição forte e nem sempre cooperante com o governo minoritário de Sócrates. E isso, será grave para Portugal.

Caso o PSD, continue a ser liderado, na base da inflexibilidade negocial parlamentar, ou por Manuela Ferreira Leite, ou por outra individualidade do partido, então poderemos estar perto de um “apagão parcial" na Assembleia da República, implicando entendimentos com outras forças partidárias.

No que diz respeito à CDU, e por mais que Jerónimo de Sousa se esforce em maquilhar os resultados, temos que compreender que o seu partido está a perder influência para o BE.
Por mais sorrisos que Sócrates nos delicie, não vale a pena esconder que o PS saiu derrotado. Ao não conseguir a maioria absoluta, o PS será obrigado a “ouvir”, a “dialogar”, a negociar, e não somente a classificar os seus opositores com afirmações do tipo “bota abaixo” ou “maledicentes”. O respeito entre partidos nunca foi tão necessário e imperioso, dada a situação preocupante em que o país se encontra. Saberá o PS, governar em minoria, tendo em conta a personalidade do Primeiro-Ministro José Sócrates? Como irá Sócrates relacionar-se com líderes como Paulo Portas, um dos políticos mais incisivos e eficazes do nosso actual espectro partidário? E como será relação politica de Sócrates, líder de uma esquerda moderna, com a esquerda radical de Louça que defende nacionalizações e outros anacronismos políticos populistas.
O Presidente da República, que tem procurado ser equidistante na sua relação com os vários partidos políticos, também se encontra sobre “brasas”.
A crescente crispação entre S. Bento e Belém, a explicação do Presidente da República do caso das escutas, por exemplo, em nada abona à estabilidade politica interna de Portugal. A própria e conceituada revista inglesa, “The Economist”, caracteriza a atitude do Presidente, como imprópria nos tempos difíceis da nossa democracia e com possíveis danos ao nível captação do investimento estrangeiro.

A instabilidade actual do nosso sistema político implicará, forçosamente, uma maior intervenção presidencial sem polémicas e atitudes dúbias. O comportamento futuro do Presidente da República, poderá condicionar ou não, a sua reeleição em Janeiro de 2011.

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