sexta-feira, 9 de outubro de 2009

OS JOVENS SEM ABRIGO DA UE (*)







De forma muito silenciosa e discreta, constato, com tristeza, a emergência de uma realidade social preocupante, com graves consequências para o futuro da União Europeia (EU), e que se traduz pela exclusão sucessiva dos jovens no projecto europeu, nomeadamente, na sua inclusão no mercado de trabalho. Como exemplo, temos os casos de Portugal, Espanha, Grécia e França.

O conceito tradicional de família, tipica do século XX, está em causa. As cada vez maiores pressões económico-politicas e sociais (Baixos salários, instabilidade económica e politica, pobreza crescente, corrupção, economia paralela, insegurança, justiça tardia quando não inexistente, concorrência "louca" no mercado laboral, como resultado de elevadas taxas de desemprego, e na concorrência entre empresas, nem sempre sujeitas às mesmas regras de funcionamento, concorrência desleal, etc.) destroem as relações dos jovens que aspiram à sua independência enquanto cidadãos. Assim, os jovens que entram nesta máquina social, estão amputados de meios de subsistência semelhantes áqueles que tiveram os seus pais e por conseguinte, o futuro daqueles é incerto.

Infelizmente, para muitos, a solução obriga os jovens a viver nas casas dos seus pais. Até quando? Outros têm a sorte de ter emprego e assim podem constituir familia, tornando-se independentes. Mas até quando? Actualmente, o trabalho é incerto. Causa: Ditadura Globalizante em que vivemos. Os divórcios são banalizados e fonte de pobreza para muito homens e mulheres dos novos tempos...
Muitos não aguentam a pressão, e suicidam-se, como foi o caso de alguns trabalhadores da France Telecom. A situação é de tal ordem grave, que o governo francês quis saber o que se estava a passar na empresa.

Aqueles jovens que não conseguem trabalho, e os pais que também perderam o seu “ganha-pão” transformaram-se em “novos pobres”, muito deles, sem abrigo e sem voz, sujeitos a actos de violência física e psíquica na sociedade que os rejeita, acabam a deambular pelas ruas como mendigos...

A sociedade da competição fez implodir os seus sonhos, sucessivamente adiados, e transformou-os em utopias. No passado, os então jovens Van Gogh, Camões, Fernando Pessoa, Galileu, Darwin, Einstein e outros, emanciparam-se porque o mundo não os amputou… Presentemente, quem recuperará os génios da minha geração que deambulam pelas ruas do nosso mundo?

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