Os princípios humanos dos líderes e estadistas europeus, subjacentes ao projecto de criação da CEE em 1957, pressupunham lideranças solidárias, descomplexadas, corajosas e de cooperação efectiva entre os Estados Membros fundadores. Contudo, esses valores parecem ser coisa do passado. A consciência europeia relativa ao respeito dos Direitos Humanos, no período pós II Guerra Mundial, parece estar diluída e menos presente enquanto valores de conduta politica actual. Os políticos europeus, são olhados com desconfiança pelos seus eleitores, pelos actos políticos menos transparentes divulgados inúmeras vezes pelos órgãos de comunicação social, e nos quais se questiona onde se encontra a fronteira daquilo que é e não é legítimo. Os negócios entre os políticos de países defensores dos “Direitos Humanos”, por vezes, esquecem-se que negociar com ditadores (Kadafi, Mubarak, etc.) lhes cria uma suspeita nefasta do ponto de vista ético e moral que os descredibiliza junto dos seus eleitores. Acresce ainda, a corrupção que graça em vários países europeus, a colocação de quadros em empregos sujeitos a critérios de admissibilidade partidária e não pela adopção de critérios de mérito baseados no filtro da competência laboral e de liderança. A manutenção deste tipo de politicas, já não são compatíveis com o mundo de hoje, e no qual os lideres políticos de países com graves problemas, não podem continuar a assobiar para o lado ao estilo do “tudo está bem”… Por exemplo, terá Sarkozy sido financiado por Kadafi no seu caminho político? A constatação desta e de outras realidades, talvez justifiquem, o elevado desinteresse pela política expresso pelos crescentes níveis de absentismo eleitoral em países cuja qualidade da gestão dos seus políticos, tarda em dar resposta aos problemas das sociedades modernas, como o desemprego e o crescimento.
O reforço da dialéctica “produção – consumo” mundial, torna insustentável o nível de conforto presente, na medida em que as taxas de reposição e de renovação dos recursos criados pela natureza, estão a conduzir os povos a novos problemas de repartição de riquezas e a tensões sociais, nacionais e internacionais, num cenário de concorrência extrema que se verifica globalmente sob a tutela de organizações e entidades poderosas, públicas ou privadas, que manobram as lógicas dos mercados financeiros, dos mercados das matérias primas e alimentares, dos mercados energéticos, dos mercados industriais e das novas tecnologias de informação em crescimento exponencial, e que a médio e longo prazo, irão favorecer as economias do conhecimento, um dos activos mais relevantes no jogo do poder mundial.
Por outro lado, os mercados financeiros passaram a olhar para as nações, como se estas fossem meros “produtos transaccionáveis”, geridos sem qualquer pudor e preocupação solidária ético - moral. Navegamos à vista e ao sabor dos fortes ventos e tempestades… Os povos do mundo muçulmano e árabe, já percepcionaram na “pele” a consequência das politicas erradas dos seus dirigentes pouco “democráticos” e estão dispostos a lutar pelos “Direitos Humanos” que outrora foram defendidos pelas potências económicas mais desenvolvidas do Ocidente no século XX… Se os povos árabes já não “aturam” os caprichos ditatoriais dos seus governantes, estarão os europeus dispostos a “eleger” políticos que se esqueceram dos ideais dos estadistas de 1957?...

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