A crise do “Subprime” a par de uma regulamentação financeira inconsequente e baseada na crença de que “a mão invisível”, resolvia os desequilíbrios nos mercados bolsistas e financeiros, teve inúmeras implicações negativas no clima financeiro internacional. A perversidade desta crença levada ao limite, acabou por gerar níveis insustentáveis de desemprego, de défices públicos, de falências (Famílias, Empresas e Bancos) e despoletou uma profunda recessão nos EUA e na Europa até aos dias de hoje.
Gestores com procedimentos pouco éticos e até criminosos, alimentaram estratégias de curto prazo, somente com objectivo de maximizar os ganhos por bom desempenho empresarial, mesmo que para tal, fosse necessário “maquilhar” as respectivas contabilidades. A fim de “abafar” o pânico e o colapso financeiro mundial, houve necessidade dos bancos centrais, americano (FED) e europeu (BCE), intervirem no sistema financeiro internacional, ao injectar a liquidez nos mercados, minimizando assim, o surgimento de problemas maiores.
Estes apoios foram directamente canalizados e orientados para os bancos em dificuldades. E quem pagou a factura? Os contribuintes. Os défices aumentaram, descontroladamente, e a nível macroeconómico, a dureza da situação recessiva acentuou-se no mundo financeiro e na economia real globais.
Os especuladores procuram, por um lado, obter mais-valias na zona euro e, por outro, testar se a moeda única é realmente uma moeda de referência mundial. Estes ataques especulativos direccionados aos países mais frágeis e periféricos do ponto de vista económico, como o são, por exemplo, a Grécia, Portugal e a Espanha, estão na origem da instabilidade social, empresarial e até politica verificada nestes países. Se as politicas económico-sociais adoptadas foram erradas, também é verdade, que a adopção de politicas de apoio incondicional e prioritário ao sector bancário, prejudicaram as empresas e os respectivos contribuintes.
Daí a necessidade, a meu ver, de se criarem duas entidades de recurso e de regulação: 1) Fundo Monetário Europeu e 2) Agência de “Rating” Europeia.
Assim, a UE tem que se afirmar de vez, se se quiser manter como bloco económico efectivo. A quota europeia no PIB mundial está a perder peso para os EUA e para os BIRC. Está na hora de deixarmo-nos de “falinhas mansas” e de defender o euro como moeda única, através de acções de solidariedade intra-comunitária mais concretas mas não a qualquer preço, sob pena da Europa perder um papel decisório na economia internacional para os nossos e novos concorrentes do novo modelo civilizacional chamado globalização.

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