

Pertenço a uma geração de portugueses que não viveram as restrições cívicas individuais e colectivas, impostas por um regime autoritário como foi o Estado Novo de Salazar. As políticas económicas e sociais eram totalmente controladas pela ditadura, de então, e a ausência de liberdade de expressão e da confiança do Estado no cidadão, como agente criador de riqueza, tiveram como grave consequência:
(1) A amputação da função critica do povo português tão necessária ao desenvolvimento do país; (2) Ao emergir de um Estado corporativista e paternalista, para com uma classe empresarial “acomodada” e sem saber o que significava concorrer nos mercados nacionais e internacionais. O condicionamento industrial é bem uma prova desse facto.
O Portugal de Salazar, mesmo sem ter participado na II Guerra Mundial, perdeu no confronto com outras economias completamente arrasadas pela guerra mas que deram a volta por cima (Ex: a Itália, Espanha e a Alemanha).
Embora vivamos em Democracia, os portugueses cidadãos anónimos, encontram-se feridos de morte… senão vejamos: As revoluções trazem sempre consigo, boas novas e promessas e a revolução dos cravos não fugiu à regra. Porém, a classe politica que tem estado em “palco”, desde 1974, é cada vez mais maniatada por interesses obscuros, difíceis de entender do ponto de vista da justiça, da equidade fiscal, dos atrasos de pagamentos aos credores do Estado, das listas de espera na saúde, do ensino em nada orientado para as necessidades das empresas e por aí adiante. Por fim, temos a triste constatação de saber que na maior parte dos países da Europa de Leste integrados na UE, os níveis de qualidade de vida já são superiores aos do nosso cantinho lusitano.
A ausência de transparência, de verdade na política e nos negócios públicos e privados, o diferente tratamento de pessoa para pessoa consoante o seu “status” não são formas mais subtis de limitar os direitos de quem não têm voz? De facto, existem algumas “adaptações salazaristas” na nossa democracia.
Enfim, o 25 de Abril foi bom para uma minoria que deve a sua boa qualidade de vida ao bode expiatório do ditador Salazar.
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