quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A UNIÃO EUROPEIA E A SOLIDARIEDADE INTERGOVERNAMENTAL (*)


Uma das vantagens de estudar História como ciência, é a de poder analisar e compreender factos humanos ocorridos no passado e que de alguma forma implicaram transformações profundas em áreas económico-politicas e sociais relevantes para um determinado país, ou em sentido mais amplo, para uma comunidade internacional de países, numa mesma dimensão de espaço e de tempo.

A História politica, reporta-se à actividade humana, e como tal, os seus protagonistas que se destacam, são mulheres e homens comuns mas com desejos vincados de liderança, de poder, de fama e por vezes, até de espírito revolucionário quando optam por rupturas com sistemas políticos decadentes ou injustos. Todos estes factos, fazem parte do processo evolutivo da espécie humana, cuja compreensão, é dissecada por historiadores que contribuem para o estudo dos factos passados, e para o apuramento das conclusões que a História Universal necessita enquanto ciência humana. A História do século XX contemplou a existência de uma das maiores crises internacionais de que o Homem já assistiu: A II Guerra Mundial.

No dia 28 de Junho de 1919, foi assinado o Tratado de Versalhes no qual os principais vencedores da I Guerra Mundial (Grã-Bretanha, França), exigiam dos vencidos alemães, cláusulas de culpa e reparações de guerra, de tal forma humilhantes, que impossibilitariam qualquer projecto viável de nação alemã independente. Estavam criadas as condições para a ascensão politica de Adolf Hitler e por arrasto o nazismo, com consequências trágicas para a vida de milhões de pessoas. Seria a semente do Holocausto que iria permitir um novo e hediondo conflito mundial em 1 de Setembro de 1939.

Após o final da II Guerra Mundial, em 2 de Setembro de 1945, com nova derrota da Alemanha e com a vitória dos aliados, percebeu-se que a única solução para evitar uma nova chacina na “ensanguentada” Europa, seria dar o primeiro passo para a integração económica. Em 1951, instituiu-se a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), através de dois estadistas de excelência: Robert Schuman e Jean Monnet. França, Itália, Alemanha Ocidental, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo seriam os fundadores da CECA. Procurava-se, assim, não fazer germinar nos alemães, a vingança e o ódio que esteve subjacente ao início da II Guerra Mundial. Mais tarde, seria constituída a Comunidade Económica Europeia (CEE) em 1957 através do Tratado de Roma. Os EUA e o seu apoio à Europa Ocidental através do Plano Marshall, trouxeram consigo a paz, o crescimento e o desenvolvimento da economia europeia Ocidental para níveis dos mais elevados de sempre. A solidariedade estabelecida entre povos, outrora beligerantes, possibilitou “tempos dourados” aos cidadãos da CEE.

Porém, parece que esse crescimento e desenvolvimento estão postos em causa com a crise europeia em que vivemos no presente. O respeito e a solidariedade que os vencedores da II Guerra Mundial tiveram para com a RFA, no momento em que se criou a CECA e a CEE, não parece ser idêntico àquele que hoje, a Alemanha pretende dar aos países mais afectados com a crise económica e financeira. A tolerância não parece ser a mesma.

O esforço das dívidas grega, portuguesa e irlandesa é de tal forma brutal, que se torna impossível crescer e ao mesmo tempo contribuir para a redução dos défices e das respectivas dividas. O plano de austeridade imposto na Grécia, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela União Europeia (UE), está a provocar “convulsões” graves de consequências incontroláveis. Há quem afirme que a revolução grega já começou. A queda dos salários, o desemprego, as greves no sector público, a violência e a insegurança sentida nas ruas de Atenas, tornam quase impossível à Grécia, levantar-se do chão. O próprio ex-ministro grego, Kostis Hatzidakis, foi alvo de agressões, e quase sujeito a um linchamento popular.

Na Irlanda, tem havido vontade politica para resolver o seu défice orçamental de 32% (!!!) através de politicas económicas draconianas mas corajosas. Em Portugal, os custos elevados do financiamento da divida soberana nos mercados internacionais, agravam também os níveis do desemprego, da produtividade e competitividade das empresas. A forte e pesada componente fiscal existente em Portugal, sufoca e inibe qualquer investidor nacional ou estrangeiro em se “fixar no nosso cantinho à beira mar plantado”, a par de uma justiça que não funciona em tempo útil, de um sistema de educação cada vez menos focado nos reais desafios de um mundo em mudança rápida e constante, da degradação do poder de compra e das baixas pensões, leva-me a pensar que tempos difíceis se adivinham. Ora aqui está um desafio que nós, portugueses, teremos que enfrentar, presentemente, à semelhança daquele que os nossos heróis navegadores portugueses enfrentaram no Século XV e XVI .

Por isso, Ângela Merkel, não pode afirmar, irresponsavelmente, que o plano “multicultural alemão” falhou na Alemanha, pois isso representa o passar de uma esponja nas barbáries cometidas durante a II Guerra Mundial, com o nazismo. A Alemanha faz parte do mundo globalizado, e nesse contexto, não pode haver lugar a nacionalismos, quaisquer que eles sejam. Se os países vizinhos “caírem” então a Alemanha também poderá sofrer um impacto estilo efeito “dominó mortífero”. Seria o acender de um rastilho de uma “bomba” que implicaria o estilhaçar do mais bem sucedido projecto económico, politico, social de que há memória na Europa. Porém, não podemos deixar de lutar por melhorá-lo, mesmo em momentos de crise.

Assim, desejo que nunca ocorra uma revolução grega no futuro próximo. Espero que os membros intervenientes na UE tenham a consciência que os extremismos não são solução. Se o forem, o cenário europeu transformar-se-á num caos e nesse momento, a Europa entrará em declínio a todos os níveis. Perderemos a oportunidade de nos fazermos representar nas mais altas instâncias internacionais e por conseguinte seremos ultrapassados pelos EUA e pelas potências emergentes, Brasil, Índia, Rússia, e China (BIRC).

sábado, 6 de novembro de 2010

POLITICOS E CIDADÃOS ILITERADOS (*)

A minha geração, nascida posteriormente aos anos 1960, começa a ter que chamar a si, a “pequena” responsabilidade de revolucionar um Portugal, deixado na miséria pelas classes que nos governaram irresponsavelmente, desde o período revolucionário do 25 de Abril de 1974, até aos dias de hoje. É certo que na altura do Estado Novo, a grande maioria dos portugueses, não tinha instrução académica. A Salazar, convinha-lhe manter a ignorância de um povo obediente, para poder governar sozinho e manter a sua autoridade…

E hoje? Hoje, temos políticos que detêm um “ADN Salazarista”, que mutila a capacidade critica activa, deste povo apático e resignado expresso pela total iliteracia vigente em vários domínios da vida do dia-a-dia dos “lusitanos comandados”. Para os políticos actuais, Salazar semeou-lhes o terreno, preparando-o para alimentar os interesses de políticos “ansiosos” de alcançarem o exercício nobre de trabalhar para a “causa pública” nesta democracia enviesada e assente numa ignorância paralisante ao estilo da ditadura do Estado Novo…

O fim do Estado Novo, com a revolução dos cravos, iludiu os portugueses que tinham fortes expectativas em melhorar as suas vidas e a participar num país mais livre e justo… Contudo, os desvarios das classes governativas e respectivas oposições, não souberam planear estrategicamente o futuro de Portugal, nem definir o papel do Estado na sociedade civil, em sincronização com a evolução do ambiente externo da nossa economia.

A iliteracia dos nossos políticos, foi o suficiente para fazer sangrar e ferir de morte um corpo chamado “Portugal”, com tamanha violência e loucura, que me apetece perguntar: Como foi possível, em apenas 36 anos, destruir um país cuja soberania se mantinha nas mãos portuguesas há mais de oito séculos?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

OS POLITICOS PRECISAM DE PORTUGAL




O desaguar de notícias depressivas e que nos perspectivam um futuro nada acolhedor enquanto “Raça Lusitânia”, tem não só iniciado os dias de trabalho de uma cada vez menor população activa portuguesa, como também, transformado em dias tristes e de sofrimento extremo àqueles que engrossam o caudal diário das dramáticas “procissões” à porta dos Centros de Emprego. Enfim, um cenário ao qual o Governo de Sócrates se mostra impotente em resolver e que contribui decididamente para o empobrecimento da alma, da esperança e da auto-estima de quem é colocado fora do processo de criação de riqueza, tão necessária ao crescimento e desenvolvimento de Portugal Sem motivação popular a crise é total. Um povo cabisbaixo será um povo escravizado e por conseguinte, desprotegido na sua cidadania “falsamente democrática e republicana”, por um Estado que começa a não estar ao lado dos cidadãos cumpridores das suas obrigações e que ainda persistem em “não se resignar”, desistindo. Até quando?

A irresponsabilidade politica da grande maioria dos governos portugueses têm tido um comportamento que se resume num conhecido ditado popular “O último que vier, que feche a porta”. Não me lembro, vez alguma, de em Portugal pós 25 de Abril, existir um governo capaz de conceber um plano estratégico definido por objectivos a cumprir com rigor e que permitisse a criação de um ambiente propicio ao nascimento de uma economia fértil, ou seja, capaz de atrair: 1) Bom investimento público - Não permitir a criação de empresas fantasmas para mascarar défices orçamentais; 2) Bom Investimento privado - Apoiado por uma banca mais independente do Estado e parceira de bons projectos de investimento em PME’s viáveis); 3) Maior exigência na educação - É escandaloso que haja alunos de Liceu com acesso privilegiado ao Ensino Superior, pelo simples facto, de ter o “Diploma” das Novas Oportunidades; 4) Justiça célere, mais “justa” e menos corporativa. Reduzir a discriminação que existe entre aquele que tem ou não tem recursos financeiros para a pagar uma justiça parca de eficiência e eficácia; 5) Maior respeito do Estado face às empresas privadas suas credoras, pois já bastam os próximos aumentos de impostos sobre aqueles que arriscam o seu dinheiro em empresas; 6) Maior rigor na admissão de políticos coerentes e com CV não estritamente politico; 7) Redução de deputados na Assembleia da República; 8) Coragem politica em não ceder aos “interesses instalados” de modo a premiar o mérito individual/empresarial e não outras formas rápidas de ascensão de cariz duvidoso, como acontece com a nomeação de "boys" inconsequentes, no momento de os responsabilizar por incompetência no desempenho de funções de gestão danosas para o erário público mas remuneradas principescamente.

Não há mudanças para melhor sem dor... Será que vai valer a pena sofrer por um Portugal melhor? Iremos nós dar a volta a este impasse politico em que vivemos? Se não formos capazes da mudar, resta-me a infeliz satisfação de saber que os nossos responsáveis politicos também irão todos provar o sabor amargo do desemprego no futuro...




quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O ESTADO DROGADO

Nesta semana, o Estado Português voltou a consumir a sua “droga” preferida, ou, por outras palavras, - o crédito -. Obtido, no mercado financeiro internacional, a preços (Spread’s) que roçam a irracionalidade e a insustentabilidade das decisões económicas a médio e longo prazo, O Estado está a dificultar o nosso projecto Portugal, pois esses empréstimos são canalizados para sustentar o nosso perfil de “novos ricos” na zona euro, esquecendo-nos de que esses créditos irão ser pagos pelas gerações presentes e futuras (Os jovens já estão a pagar a factura com o desemprego). Assim, os juros de 5.795% (Níveis históricos), que foram definidos, no dia 7 do corrente, pelos agentes financeiros estrangeiros, que apercebendo-se da fragilidade dos nossos desequilíbrios internos e externos, cederam-nos essa “droga” que nos vai “matando”, paulatinamente, enquanto nação secular, e cuja “ressaca” se está a manifestar pelo nosso empobrecimento económico e social diários a níveis galopantes, destruindo os resistentes lusitanos e todos aqueles que persistem em não “se resignar”…

O sector transaccionável é responsável pela estrutura da Balança Comercial (Exportações e Importações de Bens e Serviços), que se tem mantido estável mas deficitária. Aqui, a falência das PME’s sobrepõe-se ao nascimento de novas empresas, o que é preocupante dado que a maioria das ditas PME’s não consegue nem aumentar a sua produtividade e o acesso ao crédito, nem singrar no resto do mundo globalizado. Contudo, a estrutura da Balança Tecnológica tem sido excedentária desde o ano de 2007, o que me leva a crer que muitos jovens licenciados em áreas de forte componente tecnológica estão a mostrar ao mundo, a qualidade da marca “Made in Portugal”. Desenvolver o sector transaccionável é fundamental, para que o Estado Português tenha possibilidade de recolher receitas fiscais importantes mas sem as “desbaratar” e sem nunca adoptar politicas de apoio “invisível” à iniciativa privada somente para “sacar”.

Por conseguinte, os graves problemas, no que diz respeito ao défice orçamental, a divida pública e divida soberana serão mais facilmente resolvidos se houver um ambiente mais optimista e realista de apoio às PME’s. O actual ambiente empresarial e laboral não se compadece com politicas fiscais mais agressivas…
O peso do sector não transaccionável (Empresas públicas, empresas privadas com “golden shares”, Sector Público Administrativo, etc.), não pode “asfixiar” ou rarefazer o próprio crédito obtido perante as necessidades das empresas privadas descapitalizadas mas com boas ideias de investimento.

O “deixa andar” da politiquice actual, poderá trazer danos irreparáveis e semelhantes àqueles que morreram de “overdose”… Tenho esperança que a minha geração venha dar a volta, àquilo que herdámos das anteriores gerações…

segunda-feira, 26 de julho de 2010

EUROPA: QUE FUTURO? (*)

Quando nos EUA, se detectaram maus “comportamentos” dos agentes financeiros americanos, com objectivo de chamarem a si, os clientes / accionistas que acreditavam na auto-regulação das entidades competentes e no equilíbrio natural chamado “Mercado Auto-Regulado” pelos agentes participantes, os cidadãos e contribuintes “queimaram as mãos”.

As consequências graves e ainda vividas no presente, estão a destruir silenciosamente várias económicas reais de diversos países europeus, conduzindo-os para fracos níveis de crescimento (Mercados de bens e serviços menos dinâmicos e em recessão), altos níveis de desemprego (Mercado Laboral em contracção) e de contestação social preocupantes (Politicas de repartição de riqueza menos equitativas).
A “solidariedade” demonstrada pelos contribuintes europeus para salvar os bancos da falência, obrigou aos Estados membros a criar divida pública para salvar um hipotético desastre no sector financeiro com implicações ruinosas nas economias reais. Os tempos são difíceis. A divida soberana dos países mais pobres (Zona Euro), cresceu exponencialmente, o que implicará a adopção de políticas fiscais mais agressivas e eventualmente recessivas.

Os países mais vulneráveis, carregam consigo a “cruz das debilidades”, expondo-se ainda mais aos especuladores financeiros mundiais dispostos a tratá-los como se fossem meras empresas cotadas em bolsa.

Os europeus actuais vivem num momento de muito receio: Temem perder o seu emprego, as suas poupanças, a rarefacção do crédito para investir, a incerteza no futuro do euro enquanto moeda única e mais grave ainda na falta de confiança nos actuais lideres europeus com carisma que assumam aquilo que já não pode voltar a atrás, ou seja, o Projecto Europeu, sob a pena de voltarmos a uma situação de caos indesejável para todos. Enquanto a UE não falar a uma só voz, os problemas que estão em cima da mesa, poderão descambar num triste fim...

terça-feira, 8 de junho de 2010

TRISTES CANDIDATOS




É com uma grande tristeza que prevejo a fraca qualidade do debate político com vista à eleição do mais importante cargo político da nação, ou seja, o da eleição do Presidente da República Portuguesa, no próximo ano de 2011. Esta eleição deveria pressupor uma coerência exemplar de comportamentos e de princípios ético-políticos, exigíveis a todos aqueles que se candidatam ao cargo.

O Dr. Fernando Nobre, advoga em sua defesa, que não é um candidato do sistema mas sim de uma cidadania apartidária responsável e justa… Acredito na sua boa-fé, mas pergunto: A sua candidatura não é uma candidatura a um cargo do sistema político português? E a sua cidadania não começa somente quando se é Presidente. A cidadania plena é um direito constitucional de qualquer eleitor português e não meramente prerrogativa de quem exerce cargos políticos.

O Sr. Manuel Alegre, embalado pelo “surpreendente” resultado obtido nas últimas presidenciais, teceu uma rede bem urdida, e na qual o PS, refém do “poeta”, não teve alternativa senão apoiá-lo, mesmo com vozes discordantes, como aconteceu com o Dr. Mário Soares. O eventual apoio de toda a esquerda “radical” (PCP e BE), poderá ser a “cicuta” que Sócrates se verá obrigado a beber, caso o Prof. Cavaco Silva se candidate novamente e ganhe. A meu ver o conceito de “patriotismo” tão em moda, não favorece o Sr. Manuel Alegre, na medida em que o seu exílio politico na Argélia foi menos digno do que aquele que muitos portugueses infelizes tiveram em Àfrica. Se estivéssemos nos EUA, o Sr. Manuel Alegre, jamais seria o Presidente de toda a nação.

O Prof. Cavaco Silva, refém do PS (Exemplo: Lei do Casamento Homossexual), já se contradiz na área económica. O Prof. Cavaco que defende nos seus livros, como dado adquirido, a globalização, e por conseguinte, o fim do proteccionismo no século XXI, vem agora de forma “descabida”, dizer aos portugueses que “passem férias cá dentro” esquecendo-se de acrescentar como sugestão minha, que os portugueses deviam trabalhar no estrangeiro, pois no seu conceito de “patriotismo” não cabe o seu conhecimento de que há portugueses com filhos cheios de fome…

sábado, 8 de maio de 2010

DO SUBPRIME À CRISE DO EURO

A crise do “Subprime” a par de uma regulamentação financeira inconsequente e baseada na crença de que “a mão invisível”, resolvia os desequilíbrios nos mercados bolsistas e financeiros, teve inúmeras implicações negativas no clima financeiro internacional. A perversidade desta crença levada ao limite, acabou por gerar níveis insustentáveis de desemprego, de défices públicos, de falências (Famílias, Empresas e Bancos) e despoletou uma profunda recessão nos EUA e na Europa até aos dias de hoje.

Gestores com procedimentos pouco éticos e até criminosos, alimentaram estratégias de curto prazo, somente com objectivo de maximizar os ganhos por bom desempenho empresarial, mesmo que para tal, fosse necessário “maquilhar” as respectivas contabilidades. A fim de “abafar” o pânico e o colapso financeiro mundial, houve necessidade dos bancos centrais, americano (FED) e europeu (BCE), intervirem no sistema financeiro internacional, ao injectar a liquidez nos mercados, minimizando assim, o surgimento de problemas maiores.

Estes apoios foram directamente canalizados e orientados para os bancos em dificuldades. E quem pagou a factura? Os contribuintes. Os défices aumentaram, descontroladamente, e a nível macroeconómico, a dureza da situação recessiva acentuou-se no mundo financeiro e na economia real globais.

Os especuladores procuram, por um lado, obter mais-valias na zona euro e, por outro, testar se a moeda única é realmente uma moeda de referência mundial. Estes ataques especulativos direccionados aos países mais frágeis e periféricos do ponto de vista económico, como o são, por exemplo, a Grécia, Portugal e a Espanha, estão na origem da instabilidade social, empresarial e até politica verificada nestes países. Se as politicas económico-sociais adoptadas foram erradas, também é verdade, que a adopção de politicas de apoio incondicional e prioritário ao sector bancário, prejudicaram as empresas e os respectivos contribuintes.

Daí a necessidade, a meu ver, de se criarem duas entidades de recurso e de regulação: 1) Fundo Monetário Europeu e 2) Agência de “Rating” Europeia.

Assim, a UE tem que se afirmar de vez, se se quiser manter como bloco económico efectivo. A quota europeia no PIB mundial está a perder peso para os EUA e para os BIRC. Está na hora de deixarmo-nos de “falinhas mansas” e de defender o euro como moeda única, através de acções de solidariedade intra-comunitária mais concretas mas não a qualquer preço, sob pena da Europa perder um papel decisório na economia internacional para os nossos e novos concorrentes do novo modelo civilizacional chamado globalização.

sábado, 24 de abril de 2010

AS LUZES E AS SOMBRAS

Sócrates, o improvísador-mor desta democracia crescentemente "estatizante", não previu o efeito "boomerang" de um dos seus "ícones governativos", tão propagandeado pelo actual governo, e denominado pomposamente por "Choque Tecnológico". A máquina fiscal, tornou-se mais eficiente, ao nível das cobranças de impostos devidos pelos contribuintes faltosos... Contudo, esta "prendinha" dada a estes contribuintes, não é seguramente algo de mau para todos. Por maior que sejam as “omissões informativas” de verdade, começa a surgir uma massa critica que se liberta, paulatinamente, das forças ocultas e que se exprime livremente, através das novas armas cibernéticas ("Facebooks", “Twitters”, SMS´s e Internet) e afins...

Como consequência da gestão danosa e irresponsável da "coisa pública", durante décadas de governação estéril, começa a ser tempo, de quem vier a (a)pagar a crise "sistémica" portuguesa, se integre nas novas gerações de jovens cidadãos, necessariamente, mais reivindicativos dos seus direitos, a par do cumprimento das suas obrigações, e que persistem em não se “resignar” pela defesa do projecto “Portugal”.

Os jovens desta depressiva III República, sabendo da natureza de carácter de certos senhores parlamentares, sejam estes "laranjonhas" de refugo ou "rosas" despudoradas de qualquer tipo de "aroma", já compreenderam que não terão "casa onde se abrigar", se nada fizerem... Os jovens são o futuro de um país, e o futuro hoje é a emigração “sofrida” de muitos portugueses desempregados que são expelidos para países mais acolhedores.

Assim, somente aqueles homens que se transcendem da "sombra", são aqueles que se destacam da normalidade, através da "luz" que é uma simbiose de coragem, humildade, ideias, inteligência, liderança, princípios éticos, lealdade, justiça e com carisma... Estes atributos emergem, sob a forma de "brilho", projectado no seu rosto de "líder-guerreiro" pelas causas em que acredita e pelas quais luta... Nestes tempos, procuram-se as "luzes" em detrimento das "sombras", ou por outras palavras, precisam-se de verdadeiros estadistas e não de “trepadeiras politiqueiras” estilo “cata-vento” ou de furacões misteriosos nunca dissecados por um estado de direito que persiste em não funcionar.

sábado, 17 de abril de 2010

A GRÉCIA E O EURO (*)

A percepção pelas autoridades monetárias (Banco Central Europeu e restantes Bancos Centrais dos vários Estados Membros) e pelo sistema financeiro em sentido lato, no que diz respeito ao estado crítico das contas públicas gregas, levou a que se discutisse na União Europeia, se se deveria expulsar a Grécia da zona euro, punindo assim, a gestão dos políticos gregos que de uma forma irresponsável conduziram o seu país à bancarrota. Tal atitude de expurgar a Grécia da zona euro, poderia implicar o surgimento de várias ondas de choque especulativas de cariz financeiro, com consequências trágicas para todos os europeus, ao nível do crescimento, do desemprego e da estabilidade do euro, numa época em que tarda o fim da recessão económica.

O fantasma da recessão europeia e americana, parece ajudar os gregos, pois teme-se que os agentes económico-financeiros se aproveitem desta instabilidade, para usufruir de ganhos especulativos nas bolsas internacionais, acabando assim com uma década de sucesso da moeda única.

É imperativo que se mantenha estabilidade do euro na União Europeia. No mundo globalizado em que vivemos, é bom ter consciência que uma crise financeira rapidamente se propaga ao sector económico (Economia real). A cooperação e a solidariedade são fundamentais para a resolução dos problemas, e não para tomar atitudes que vissem a maximização do “ruído comportamental” dos especuladores e investidores, muitas das vezes responsáveis pelas fugas de capital para zonas do globo mais calmas e atraentes (Offshores).

O recurso ao FMI para ajudar a minorar a comparticipação dos Estados Europeus, no caso das contas públicas gregas, é a constatação de que é imperioso e urgente, criar uma instituição europeia semelhante. Chamemos-lhe, Fundo Monetário Europeu, por exemplo. Uma Europa que pretende ter a ambição de ser uma potência no século XXI, não pode deixar para o FMI, a resolução dos seus problemas financeiros e monetários. Acredito piamente, que com o evoluir dos tempos, a construção da Europa será realizada com os desafios nascidos do dia-a-dia e sensatamente resolvidos ao mesmo ritmo, neste mundo cada vez mais integrado.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O PAIS DOS TUGAS (*)



Enquanto o Presidente da República expressava a sua preocupação com o "Estado da Injustiça", perdão..., com o "Estado da Justiça" na abertura do ano judicial, na pomposa sala para o efeito, o Primeiro-Ministro Sócrates olhava silenciosamente, ao "estilo" de quem assobia para o lado, ou melhor, de quem não quer ver o "Estado Criminoso" a que chegou o Estado de Direito em Portugal.

Nestes tempos de inúmeros furacões ocultos e outros em completo descontrolo, num ambiente de navegação à vista, sem qualquer plano nacional estratégico que nos sirva de "astrolábio", outrora bem rentabilizado pelos seiscentistas navegadores portugueses e hoje, desonrados por políticos medíocres e perdidos "a ver estrelas" num oceano cheio de “oportunidades perdidas” pós 25 de Abril 1974.

A ditadura desta partidocracia "tuga", moribunda e em avançado estado de decomposição, faz-me temer o fim apocalíptico de Portugal enquanto pais independente. As elites politicas digladiam-se numa retórica irresponsável, sem qualquer consequência prática ao nível do bem-estar presente e futuro do povo sempre acomodado no seu cantinho e entre paredes, às quais eu chamaria de fortaleza do comportamento do “deixa andar” e cuja atitude voluntária se materializa numa inacção sufocante e desprezível. Ate quando?

O despotismo das finanças do regime politico do Estado Novo, teve a virtude de pelo menos, manter "as pratas da casa" nas mãos portuguesas. Isso foi possível porque o "povo era sereno" e na maior parte das vezes, ignorante também... E hoje o que temos? Ignorantes que persistem nesse patamar cultural, transversal a toda a sociedade civil portuguesa e que se sujeitam àqueles que são detentores absolutos de uma espécie de "Telecomando" dirigido pela "Geofinança”, ou seja, por empresas de “rating” e credores internacionais, que sem dar "cavaco" aos "tugas", espreitam o ataque especulativo ao nosso “tecto” chamado Portugal… Quem tem telhados de vidro, deve conhecer o risco potencial sobre a nossa divida pública de uma forte subida dos juros pelo BCE, à médio e longo prazo, e por conseguinte, deve haver coragem de falar a verdade sob pena de muitos portugueses terem de mudar de casa para a rua…

sábado, 16 de janeiro de 2010

TERRORISMO E ZONAS SEM LEI (*)



Uma tragédia em plena quadra natalícia de 2009, poderia ter ocorrido no voo da “Northwest Airlines 253”, caso o jovem nigeriano mas formado como terrorista no Iémen, Omar Faruk Abdulmutallab, não tivesse sido denunciado às autoridades americanas pelo seu próprio e corajoso pai e ainda, se não fosse rapidamente anulado por um passageiro e respectiva tripulação, tornados heróis no momento da chegada do avião ao seu destino. A eventual consumação deste ataque hediondo, revela uma nova realidade preocupante e que ultrapassa a catástrofe do que poderia ter acontecido mas que nos dá, também, um sinal de alarme no que diz respeito à estratégia presente e futura dos terroristas da al-Qaeda.

A al-Qaeda, está a servir-se de “zonas sem leis”, para recrutar, organizar, planear, formar, desenvolver e angariar fundos, impunemente, com o objectivo de criar uma rede de terror criminosa. Zonas empobrecidas e de fraco controlo do Afeganistão, do Paquistão, da Índia, Somália e do Iémen são disso tristes exemplos.

O processo de mentalização para “exportar mártires” para o Ocidente, é iniciado nestes “viveiros de suicidas” que doam a sua existência a uma causa “divina” específica: Combater os interesses dos ocidentais e sua cultura. A pobreza dos países onde vivem, reforça a sua vontade para morrer em nome de um ideal superior. Na maioria das vezes, o hábil comando por chefias terroristas radicais, alimenta adicionalmente ainda mais esse desejo sanguinário.

Se juntarmos a este cenário negro, o poder sedutor da internet, no que diz respeito à facilidade não só em construir uma bomba artesanal de impacto relevante mas também em reunir “vontades de guerra”, expressas pelo conceito de “células terroristas móveis” espalhadas pelo mundo, então poderemos concluir que passaremos a incorporar no nosso comportamento diário, essa realidade opressiva da qual ficaremos presos, resultado dos princípios subjacentes à globalização em que vivemos.