quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O CICLO DA HISTÓRIA REPETIR-SE-Á?













Uma boa e rigorosa formação académica, acompanhada por uma boa formação cívica, são dois ingredientes fundamentais para que se construam sociedades desenvolvidas e nas quais os direitos e obrigações são cumpridos religiosamente por todos. A disciplina social e laboral, a boa organização das empresas, orientadas não apenas para o lucro a qualquer preço, mas também, para uma nova realidade, a que muitos sociólogos e outros estudiosos do comportamento humano, chamam de “responsabilidade social”, constituem sinais de que o paradigma actual de economia tem de mudar.

Mas o que actualmente, estamos a viver, não vai ao encontro das ideias expressas no parágrafo anterior! Todos aqueles estudiosos e cidadãos que sentem as tendências económicas, politicas e sociais do mundo globalizado, percebem que o que deveria ser, não é aquilo que é… E esses “curiosos” terão que ter uma boa formação académica, para perceberem, os sinais dos tempos modernos, e concluir que os perigos do mundo no século XXI, não são negligenciáveis, são até muito perigosos…

Até os grandes milionários do EUA, entre os quais se encontra o Sr. Warren Buffett e, posteriormente, outros milionários franceses, já compreenderam, a necessidade de financiar a classe média e os mais pobres com impostos sobre os mais ricos! Surpreendidos? Não, porque se a base cai, quem está por cima, também cai, certo? É preciso manter o sistema a funcionar…

Em Portugal, verifica-se que a classe média e os mais pobres, são reféns de uma carência económica crescente, que os obriga a vender alguns dos seus bens mais valiosos, como por exemplo, o seu ouro, pratas, jóias de família, casas, no pior momento. O empobrecimento acelerado, não só em Portugal mas também noutros países endividados, e no actual contexto de crise internacional, de desemprego, de recessão, de contestação social, de insegurança, de fome, e de incapacidade em dar um futuro promissor aos jovens do amanhã, fazem-me pensar se não estaremos no inicio de uma nova guerra internacional (Via Sistema Financeiro), com algumas semelhanças daquelas que tiveram na origem da II Guerra de 1939-1945… 

Quer queiramos quer não, a economia e os mercados mundiais, manipulam governos e nações inteiras. A velocidade das transacções e a volatilidade observáveis nos mercados financeiros, tecnológicos e das “commodities”, não permitem uma monitorização pelos políticos e pelos governos, em tempo real… E como dizia o provérbio popular, mas sábio, “Enquanto o pau vem e não vem, folgam as costas”… No mundo das “bolsas” do século XXI, o provérbio poder-se-ia reformular: “Enquanto os governos, não reagirem, adequadamente, aos abusos dos investidores nas bolsas nacionais e internacionais, estes continuarão, a sangrar, sem “dó nem piedade”, nações inteiras, via transferências “computacionais” de capital, para destinos muito mais bem remunerados e desconhecidos…" Chamo-lhes, as transferências “beduínas” de capital…

Ao contrário dos finais felizes, parece-me que neste filme, o “Mal” está e estará, a vencer o “Bem”. Até quando?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

URSS, UNIÃO EUROPEIA E EUA: IDEOLOGIAS FALHADAS?












O mundo actual, transfigura-se e reprograma-se a uma velocidade estonteante, com implicações profundas nos referênciais culturais, comerciais, económicas e geopoliticas. Daqui, recorre que os lideres politicos mundiais não conseguem acompanhar e controlar essa transformação de uma forma preventiva e coordenada.
Cada vez mais a antiga URSS e a União Europeia (UE), se assemelham mais. A primeira, não admitia a propriedade privada, nem a liberdade de organização empresarial, livre da tutela do Estado. Condicionou-se a criatividade produtiva dos cidadãos, esse elemento tão motivador e necessário ao desenvolvimento e crescimento das economias. Como consequência, o mérito e a qualidade, constituiam realidades não estimuladas pelo Estado comunista. Dai o falhanço deste modelo que se consubstanciou na derrocada e no desmembramento da URSS em paises independentes. O império comunista chegava ao fim dos seus dias, como se de uma implosão se tratasse.

A UE, ou o "Imperio da Europa Ocidental" pressupõe o regime da propriedade e iniciativa privada neste espaço geográfico. Defende-se que a livre concorrência, promove o mérito e a criatividade daqueles que assumem o risco de investir e de produzir riqueza no espaço comunitário e no mundo globalizado.
Contudo, em ambos sistemas ideológicos, existem um conjunto de politicos e de burocratas, que não são eleitos pelos seus respectivos povos. Há quem ponha em causa, essa forma de governar em "grupo fechado", e que se questione, se essa forma de liderar o projecto europeu é consentânea com o ideal de democracia. A lentidão da UE em resolver assuntos vitais (Combater os ataques financeiros à zona euro), em tempo util, é cada vez mais evidente. Será que iremos assistir em breve, à derrocada do "império ideológico" que é a União Europeia?

Entretanto, o "império" dos EUA, também, ele começa a abrir brechas, ou não seja este, o pais com o maior nivel de divida do mundo. Este aspecto, começa a preocupar os americanos, que para resolver os seus problemas internos, recorrem à "casa da moeda", o FED, para facilmente, imprimir dolares, moeda aceite como moeda padrão no comércio mundial. Até quando?
O Presidente americano, Barack Obama, bem tenta aumentar o nivel limite de endividamento, quando já se fala no incumprimento dos EUA no dia 2 de Agosto de 2011. Mas esse desejo de aumentar o limite da divida não pode ser adoptado para todo o sempre.

Assim, parece que nestes tempos modernos do século XXI, os paises conhecidos pela sigla BIRC, irão ter um papel fundamental, no crescimento e desenvolvimento económico no mundo globalizado, uma vez que de uma forma ordeira, têm vindo a fazer reformas que lhes permite crescer a taxas de fazer corar os paises mais desenvolvidos.

Conclusão: Os centros de poder económico e politico, poderão transferir-se para novos paises cuja estrututra económica, social e politica, seja capaz de atrair os fluxos de capitais, criando novos "impérios" noutras zonas do globo...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

TROIKA: SACRIFICIOS E SOLIDARIEDADE (*)




Actualmente, Portugal padece de muitos males cujo tratamento tem sido adiado, sucessivamente, por falta de coragem dos decisores políticos em governar com eficácia e eficiência, sem a “muleta” do ciclo eleitoral. Estas “muletas” destroem a democracia. Os “medicamentos” utilizados e que provêm de adopção de politicas erradas e avulso, tomadas no passado, não permitiram restaurar a confiança económica, social e politica. Estes três pilares são necessários para que um país tenha ambições e expectativas elevadas, emancipando-se numa comunidade internacional cada vez mais exigente. A pergunta impõe-se: Será o nosso regime, um regime falhado, nos tempos tão exigentes como o são, o início do séc. XXI?

Houve necessidade de pedir ajuda externa porque as medidas implementadas nos últimos 15 anos, têm se resumido a meros tratamentos “paliativos” que não curam o doente “Portugal” mas que estão a contribuir para um agravamento do nosso “estado de necessidade” face ao actual “Estado Social” que não deve ser protegido por “discursos de fé” mas sim por uma racionalidade económica e social, verdadeiramente, humanas, assentes numa politica de partilha de custos maiores para quem pode pagar mais, e de custos mais baixos para quem vive com graves restrições económicas no seu dia a dia. A ausência de solidariedade, ou a existência de uma solidariedade “precária”, acabarão por minar, qualquer sistema político e económico que se queira construir num país livre e de sucesso.

A falência do nosso regime, implicou a vinda da Troika, e a criação de um “Memorando” subscrito pelo PS, PSD e CDS-PP, irá aumentar a tensão social que de forma crescente e preocupante, já se começa a sentir no dia a dia dos portugueses. Os sacrifícios serão imensos, mas agora, não podemos falhar, pois a nossa margem de erros já se esgotou… e a paciência dos nossos credores também pode acabar…

sábado, 12 de março de 2011

DITADURA EUROPEIA E DEMOCRACIA MUÇULMANA?



Os princípios humanos dos líderes e estadistas europeus, subjacentes ao projecto de criação da CEE em 1957, pressupunham lideranças solidárias, descomplexadas, corajosas e de cooperação efectiva entre os Estados Membros fundadores. Contudo, esses valores parecem ser coisa do passado. A consciência europeia relativa ao respeito dos Direitos Humanos, no período pós II Guerra Mundial, parece estar diluída e menos presente enquanto valores de conduta politica actual. Os políticos europeus, são olhados com desconfiança pelos seus eleitores, pelos actos políticos menos transparentes divulgados inúmeras vezes pelos órgãos de comunicação social, e nos quais se questiona onde se encontra a fronteira daquilo que é e não é legítimo. Os negócios entre os políticos de países defensores dos “Direitos Humanos”, por vezes, esquecem-se que negociar com ditadores (Kadafi, Mubarak, etc.) lhes cria uma suspeita nefasta do ponto de vista ético e moral que os descredibiliza junto dos seus eleitores. Acresce ainda, a corrupção que graça em vários países europeus, a colocação de quadros em empregos sujeitos a critérios de admissibilidade partidária e não pela adopção de critérios de mérito baseados no filtro da competência laboral e de liderança. A manutenção deste tipo de politicas, já não são compatíveis com o mundo de hoje, e no qual os lideres políticos de países com graves problemas, não podem continuar a assobiar para o lado ao estilo do “tudo está bem”… Por exemplo, terá Sarkozy sido financiado por Kadafi no seu caminho político? A constatação desta e de outras realidades, talvez justifiquem, o elevado desinteresse pela política expresso pelos crescentes níveis de absentismo eleitoral em países cuja qualidade da gestão dos seus políticos, tarda em dar resposta aos problemas das sociedades modernas, como o desemprego e o crescimento.

O reforço da dialéctica “produção – consumo” mundial, torna insustentável o nível de conforto presente, na medida em que as taxas de reposição e de renovação dos recursos criados pela natureza, estão a conduzir os povos a novos problemas de repartição de riquezas e a tensões sociais, nacionais e internacionais, num cenário de concorrência extrema que se verifica globalmente sob a tutela de organizações e entidades poderosas, públicas ou privadas, que manobram as lógicas dos mercados financeiros, dos mercados das matérias primas e alimentares, dos mercados energéticos, dos mercados industriais e das novas tecnologias de informação em crescimento exponencial, e que a médio e longo prazo, irão favorecer as economias do conhecimento, um dos activos mais relevantes no jogo do poder mundial.

Por outro lado, os mercados financeiros passaram a olhar para as nações, como se estas fossem meros “produtos transaccionáveis”, geridos sem qualquer pudor e preocupação solidária ético - moral. Navegamos à vista e ao sabor dos fortes ventos e tempestades… Os povos do mundo muçulmano e árabe, já percepcionaram na “pele” a consequência das politicas erradas dos seus dirigentes pouco “democráticos” e estão dispostos a lutar pelos “Direitos Humanos” que outrora foram defendidos pelas potências económicas mais desenvolvidas do Ocidente no século XX… Se os povos árabes já não “aturam” os caprichos ditatoriais dos seus governantes, estarão os europeus dispostos a “eleger” políticos que se esqueceram dos ideais dos estadistas de 1957?...


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

PODER, PROPAGANDA E INTERNET


A propaganda militar dos tempos modernos, surgiu com o nazismo, na pessoa do Joseph Goebbels. Esta propaganda dificultou a percepção da realidade efectiva pelos militares alemães, especialmente, quando estes se encontravam na fase descendente do poderio alemão durante os meados da II Guerra Mundial, período esse em que já se alimentava a esperança de uma vitória dos Aliados e dos Russos. Este bloqueio à “verdade”, por parte da elite militar alemã, visava "manipular psicologicamente" as suas tropas, com vista à criação de um Estado composto por uma raça superior (Ariana), e com o objectivo de aumentar o seu território, também conhecido por “espaço vital". Este processo iniciou-se com a anexação da Polónia. Mais tarde, os Aliados descobriram as consequências trágicas e hediondas dessa propaganda ao descobrirem as consequências do desastre humano, a que se veio a chamar de “Holocausto Nazi”... Campos de extermino em massa e que nunca tinham sido alguma vez vistos, em nenhum outro período da História da Humanidade acabaram por chocar gerações durante anos subsequentes...

Actualmente, a economia mundial, nem sempre é regulada pelas forças do mercado. É necessário e urgente, edificar um sistema financeiro internacional, regulamentado e eficaz, que evite os abusos cometidos pela crise de 2007- (...). Os beneficiários, desta máquina económica "beduina" não podem continuar a dominar, sem regras, a orientação dos movimentos de capitais para zonas em que os custos e os meios de produção são autênticas violações aos Direitos Humanos. O recorrer-se, sistematicamente, à propaganda assente no conceito da "Globalização", que não é necessariamente uma coisa má, tem que ser regulada pelos políticos mundiais, sob pena de ser a desgraça de muitas nações, com consequências graves para um mundo ligado numa lógica de "vasos comunicantes"...

Acontece que a China, ao violar os direitos humanos mais básicos dos seus cidadãos (Protecção social e liberdade de expressão inexistentes, etc.) e muitas das vezes, fazendo uso da exploração de mão-de-obra escrava (Partido Comunista Chinês!!!), está a destruir muitas economias europeias e a criar problemas sérios aos EUA, porque os lideres comunistas, persistem em manter os princípios de uma organização social e económica, manifestamente incompatíveis com os restantes modelos económicos em vigor no mundo mais desenvolvido. Por outro lado, a censura politica do governo chinês que controla, através da internet, o seu povo, ao admitir funcionários pró – governamentais, através dos quais se “branqueia” os comentários menos abonatórios do povo perante os problemas do dia-a-dia na sociedade chinesa.

Presentemente, os países árabes e muçulmanos estão a observar e a perceber, com atenção e dor, que os seus povos já não receiam manifestar-se contra os regimes ditatoriais onde vivem, como se observa nos órgãos de comunicação tradicionais e principalmente, nos novos meios de transmissão via internet de imagens e de mensagens, tais como: “Twitter”, “Youtube”, “Facebook”, etc. Assiste-se ao surgimento de convulsões populares em países onde o regime da “mão de ferro” impera mas que progressivamente se transformam em países cuja vontade popular irá ser a regra. Ou seja, a saúde dos países que adoptem a força como meio de dissuasão não terão futuro... Veja-se o que se passa com a Tunísia, o Egipto, o Iémen e o Irão, onde a liberdade só existe para quem controla o sistema... Até quando? Será que a China não aprenderá com este crescente “tsunami revolucionário” no Médio Oriente?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

À DERIVA NO SÉCULO XXI


A situação precária e insustentável em que Portugal se encontra, é de tal forma grave, que não há coragem política, quaisquer que sejam os partidos com assento parlamentar, em propor soluções politicas que promovam uma equidade “verdadeira” entre os cidadãos no que diz respeito aos direitos e deveres a cumprir por todos, sem excepção. É necessário coragem para promover um conjunto de medidas de gestão politica de “verdade”, “doa a quem doer”, de modo a que se inverta o “saque cego” permanente de um “Estado obeso mórbido” em relação ao sector privado, cada vez mais entorpecido no seu desempenho económico interno e externo. Ao Estado não lhe chega “comer” os 50% da riqueza produzida em Portugal… Já se alimenta também, em casa alheia (China, Japão, Qatar, etc.) sem perguntar o preço do almoço que não será “grátis”…

A competitividade e a produtividade das empresas não dependem somente da iniciativa privada. É necessário que o Estado crie um ambiente fértil ao investimento nacional e ao investimento estrangeiro, através de adopção de politicas que protejam o interesse público e ao mesmo tempo que não permita abusos de alguns movimentos corporativos ou de lobbies que falseiam a concorrência entre os vários agentes económicos públicos e privados, ou ainda que funcionem em conluio. A cedência do Estado ao clientelismo, que estrangula os bons profissionais e promove os “maus feitores”, farão implodir, mais cedo ou mais tarde, o nosso sistema económico, social e político, caso não haja novas mentalidades que contrariem anos e anos de décadas de politicas erradas e irresponsáveis, onde a culpa sempre tem morrido solteira…

O Estado para se “alimentar” das mais variadas iguarias e manter os seus “pequenos” luxos, persiste em não mudar de vida. O Estado está a “comer” aquilo que muitas famílias portuguesas já começam a não ter: Uma refeição por dia!!! Isto, sem pensar na satisfação de outras necessidades básicas dos cidadãos igualmente carenciados, as quais deviam ser contempladas por uma Justiça “verdadeira” que facilitasse o cumprimento da nossa Constituição “empalhada” mas que uma classe politica não quer saber em mudar para melhor. Assim, a Constituição e a Justiça portuguesas, estão perigosamente de costas voltadas…

A manter-se esta tendência social “suicida”, corremos o risco de assistir a convulsões sociais perigosas logo que o povo se farte de ouvir o “Fado”, de ver o “Futebol” e de rezar para manter a esperança de que a vida melhorará no dia do “São nunca à tarde”. A própria Igreja Católica já alertou a comunidade politica, para a necessidade de dar resposta ao número crescente dos sem-abrigo, muitas das vezes, consequência da perda involuntária do posto de trabalho, de inadequado planeamento financeiro (Iliteracia financeira), da saúde para a qual o dinheiro escasseia, das famílias que se vêm endividadas e sem soluções à vista mas com os problemas a crescer ao estilo de uma bola de neve. Até quando, resistiremos?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

OS ANOS PERDIDOS DE 1974 A 2011

No período pós 25 de Abril de 1974, a maior prosperidade da economia portuguesa, correspondeu na maioria dos casos, e quase sempre, a níveis de endividamento externo insustentáveis, tendo em conta a estrutura produtiva dos lusitanos. Parece existir uma “vocação” nacional para consumir mais do que para produzir no nosso “cantinho à beira mar plantado”, “vocação” que talvez, tenha nascido com os maus hábitos dos navegadores quinhentistas portugueses…

Nesse histórico virar de página que foi a revolução dos cravos, um grande número de empresas de iniciativa privada e de grupos económicos de dimensão relevante, passaram para as mãos do Estado, através de um processo de nacionalizações. Essa transferência da propriedade empresarial, implicou a ocorrência de um conjunto de ineficiências económicas e de débeis “performances” em vários mercados, ferindo de morte, a concretização com sucesso, pelo sector público, da tarefa de optimização e afectação dos recursos escassos, às exigências de um país europeu moderno e desenvolvido. A fé na ideologia “Socialista”, conforme constava na letra da Constituição da República dessa época, reforçou a incapacidade de Portugal em concorrer com modelos económicos liberais, nos quais se observavam níveis de crescimento vigorosos e que possibilitariam a sustentabilidade do processo de enriquecimento dos países pertencentes ao “Clube dos Ricos”, leia-se, CEE…

As reivindicações dos trabalhadores ao nível salarial, também, contribuíram para a criação de um ambiente politico complacente com a adopção de politicas de rendimentos e de salários demasiadamente generosas tendo em conta os níveis de produtividade observados nos três sectores económicos do Portugal dos anos setenta. Era necessário não “trair” os ideais revolucionários conquistados pelo povo, agora libertado da ditadura do Estado Novo…

O eclodir do choque petrolífero (1973) a nível mundial, teve repercussões graves nos custos das empresas e na sua competitividade interna e externa, em especial nas empresas de bens transaccionáveis, já que as de bens não transaccionáveis sempre estiveram mais protegidas pelo Estado através da adopção de politicas públicas adequadas a esse fim.

A evolução nos anos seguintes da economia portuguesa, ficou pressionada por níveis elevados de inflação, com perda efectiva dos salários reais e com taxas de juro elevadas que limitavam o investimento, contribuíram para o agravar do cenário económico português, na medida em que o nosso tecido empresarial dependia, fortemente, da evolução destas variáveis com vista à viabilização do projecto de crescimento e assim, por essa via, poder convergir para níveis de bem-estar mais adequados e semelhantes aos países do então chamado “pelotão da frente”.

A conjugação destes factores criou uma restrição ao crescimento económico em Portugal. Houve, então, a necessidade de recorrer ao FMI (1983) de modo a implementar medidas de austeridade (Politicas monetárias e orçamentais restritivas e politicas cambiais de desvalorização cambial com o objectivo de aumentar as exportações) que assegurassem a credibilidade necessária à cura do doente “Portugal” junto dos credores internacionais de então.

PS e PSD esqueceram as guerrilhas partidárias em virtude da grave crise vivida em Portugal. Era imperioso salvar o país. Nascia uma “parceria” verdadeiramente patriótica, chamada de “Bloco Central”, que possibilitou o regresso ao bom comportamento dos agentes económicos, políticos e sociais conforme se comprovou posteriormente, com a nossa adesão à CEE (1986) mediante certos critérios de admissibilidade, como foi, por exemplo, o processo de privatizações de empresas outrora nacionalizadas nos anos oitenta.

Após a nossa entrada na CEE, e com o apoio dos fundos estruturais no período compreendido entre os anos de 1986 e os anos de 1995, procurou-se financiar um conjunto de infra-estruturas, aproveitando as baixas de taxas de juro no contexto europeu tendo em conta aquelas que se observavam na década de 70 e 80 em Portugal. Os pacotes de ajuda comunitária tão necessários à qualificação e formação do factor trabalho, visavam também, aumentar e potenciar o crescimento económico futuro. A adesão à CEE implicou níveis de crescimento na ordem dos 3%, fenómeno, raramente, observado na nossa História colectiva, com consequências positivas no crescimento nacional até aos meados anos de 2001.

Contudo, e por decisões de politica económica erradas adoptadas pelo Estado (2001), a par de um modelo inadequado de negócio da bancário, focado essencialmente para o financiamento do crédito à habitação, agravou não só a mobilidade dos trabalhadores como também restringiu o crédito às empresas orientadas para a produção de bens transaccionáveis e que se esforçavam por exportar para uma nova dimensão de espaço fortemente concorrencial e bastante agreste face a qualidade dos empresários saídos de um contexto proteccionista estatal…

Nos anos 2001 até aos dias de hoje, a falsa ideia de que com o euro os portugueses podiam viver à “moda alemã” teve consequências trágicas para Portugal.

Os fracos níveis de crescimento (Crescimento médio do PIB foi de 0.6% na primeira década deste século) verificados no período compreendido entre 2001 e 2011, não permitem, actualmente, manter o nível das importações mesmo com um ligeiro aumento das exportações, pois a balança de transacções correntes apresenta-se constantemente deficitária. Aliás, com este nível de crescimento do PIB, o desemprego não descerá, isto se o avaliarmos com o antigo (!!!) método de cálculo do número de desempregados pelo INE…

A classe politica, na passada década, nada vez para evitar o apetite voraz e a gula do “monstro” que “abocanha” quantidades crescentes de riqueza produzida pelo sector privado, matando a iniciativa “patriótica” e meritória dos empresários que ainda resistem a uma fiscalidade paralisante e a uma justiça ineficaz, acabando por inibir o bom investimento nacional e estrangeiro, a médio e longo prazo, que motiva os cidadãos a recorrer à economia paralela para sobreviver face às dificuldades sentidas dia após dia, que “expulsa” para o estrangeiro uma geração crescente de jovens licenciados custeados na sua formação académica pelos contribuintes portugueses sem haver garantia de que esse investimento em capital humano se fixe no mercado laboral português, que reduz o Estado Social sem dar a cara por essa medida. Enfim, vivemos numa sociedade de desperdícios… e o sonho chamado “Democracia” que nos impingiram em 1974, foi mais uma atitude desprezível com que os políticos nos presenteiam todos os dias com escândalos de corrupção, de falta de transparência entre o que é público e o que é privado. Concluindo, Portugal voltou à estaca zero. Contudo, há um princípio que não admito que me roubem: Não admito que esta classe política me roube o “sonho” de pensar em viver num Portugal mais justo. Isto porque o sonho é o bem mais precioso que um cidadão digno pode ambicionar ter e por isso nunca será alienável, custe o que custar…