segunda-feira, 31 de agosto de 2009

SÉCULO XXI: IDEOLOGIAS PRECISAM-SE (*)




Após o fim da II Guerra Mundial (1939-1944) e com a Europa devastada por um dos conflitos mundiais mais traumatizantes, não só ao nível do número de pessoas eliminadas, como também pela destruição material das nações envolvidas, os EUA criaram, através do Plano Marshall, a sua janela de oportunidade para criar uma rede de influências numa Europa dividida em dois blocos através do muro de Berlim.
Nessa época, as ideologias dominantes no espaço europeu, baseavam-se por um lado, na democracia, suportada pelo capitalismo e pela iniciativa privada, e por outro, no comunismo baseado no colectivismo dos meios de produção geridos pelo governo central.
Bastaram 45 anos de funcionamento do modelo comunista inspirado na utopia do homem “bom”, para que em 1989, o muro de Berlim fosse derrubado, com consequências trágicas para a ideologia defendida na URSS e da falência do modelo que a sustentava.
O contraponto ideológico que de certo modo obrigava às ideologias da época, um respeito mútuo, tinha acabado por se desmoronar como se tratasse de um autêntico castelo de cartas.
Pavoneando-se no palco das vaidades, o capitalismo liberal americano e o europeu (UE), procuraram aliciar as ex-republicas soviéticas a aderirem ao capitalismo, sem haver a preocupação de o adaptar às especificidades de cada país.
O desmembramento da URSS em repúblicas independentes teve como consequência o esvaziamento de um sistema politico completamente ineficaz e injusto para dar origem a um outro ambiente igualmente severo - capitalista selvagem comandado por máfias e corrupção politica.
Agora, e para surpresa dos menos atentos, o modelo de capitalismo subjacente à actual crise financeira em que vivemos, é criticado por muitos que acham que o Estado deve ser mais interventivo na economia, deve monitorizar as politicas económicas, financeiras e monetárias, regular com mais eficácia os diversos de mercados, eliminar os paraísos fiscais, enfim, a reformar o actual sistema financeiro nos moldes da cimeira de Londres.
Assim, a criação de uma ideologia menos radical à esquerda e menos extremada à direita impõe-se…

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A DITADURA DAS MÁQUINAS (*)


O processo de desenvolvimento da globalização é irreversível. Por conseguinte, o sucesso de cada cidadão, ou de uma empresa, em obter e manter um “lugar ao sol” numa “praia mundial” cheia de concorrentes ameaçadores, dependerá cada vez mais das competências dos indivíduos, orientadas para aquilo que o mercado de trabalho procura, onde quer que seja, ou das razões pelas quais determinada empresa justifica a satisfação das necessidades dos seus clientes, tornando a sua actividade empresarial rentável e sustentável a médio e longo prazo.
Os modelos económicos e sociais actuais, estão a destruir o conceito de família tradicional. Os movimentos migratórios são consequência de um desenraizamento ao sabor das vagas nessa “praia mundial” que olha para o capital humano como se de uma “matéria-prima” se tratasse.
A globalização não implica somente um choque de culturas e mentalidades mas tem também como consequência, a ruptura entre aquilo que uma determinada geração de desempregados já não consegue alcançar, e aquilo que é obrigatório nomeadamente: Uma adaptação a um modelo económico mundial cujas exigências são: Rápida e constante aprendizagem, Flexibilidade e Polivalência.
Pensamos que somos donos da nossa liberdade económica, social e politica mas estamos expostos a uma “ditadura das máquinas de informação” que nos expropria a identidade e que nos manipula com o intuito de nos manter num sistema centrado de poder que decide verdadeiramente o rumo das nossas vidas, como aconteceu por exemplo, com a politica de guerra do terror promovida pelo ex-Presidente George W. Bush, como desculpa para atacar o Iraque e o Afeganistão, e que tão graves consequências teve e está a ter no Ocidente…

sábado, 22 de agosto de 2009

A SAÚDE AMERICANA (*)






Os excelentes dotes oratórios de Barack Obama, foram determinantes na sua eleição como presidente dos EUA. E Obama, conhecendo este seu dom sublime, faz dele, uma “arma estratégica” na definição e alcance de um dos pontos da sua missão politica – Criar um sistema universal de saúde, - que possibilite a todos os americanos “desamparados”, um apoio mais humano, solidário e consistente com a importância de um país, como são os EUA.

Os Republicanos, fortes adeptos de uma economia onde o Estado não se deve meter em certas áreas de negócio, pois o mercado resolve as “ineficiências naturalmente”, estão unidos em dificultar o a concretização de um eventual sucesso desta reforma de Obama, chegando ao extremo de o apelidar de “socialista”, nome que nos EUA, não é muito bem visto. Até mesmo alguns democratas se sentem incomodados com o “eco” dessa palavra tabu, - Socialismo.-

Porém, Obama não quer acabar com os seguros de saúde privados mas defende a existência de programas públicos que assegurem também alguma concorrência no sector. Mas na impossibilidade de os criar, então dever-se-ia de optar pela solução de cooperativas sem fins lucrativos, autosustentáveis, cuja qualidade e abrangência fossem asseguradas a todos aqueles que não tivessem acesso à solução do privado, pagando preços mais acessíveis.

Além dos adversários políticos, existe o “lobby” das seguradoras cujo interesse em dominar a cobertura dos cuidados de saúde, ser-lhes-ia mais favorável, caso a situação se mantivesse inalterável. Nesse caso, os EUA continuariam a gastar mais sem ter por isso melhores resultados.

Se Obama fraquejar neste “objectivo emblemático” da sua presidência, a sua carreira e carisma políticos, construídos heroicamente e contra todas adversidades, esvaziar-se-ão rapidamente como se fossem balões perdendo “gás”…

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ESTADO NOVO E A DEMOCRACIA EM PORTUGAL (*)


Pertenço a uma geração de portugueses que não viveram as restrições cívicas individuais e colectivas, impostas por um regime autoritário como foi o Estado Novo de Salazar. As políticas económicas e sociais eram totalmente controladas pela ditadura, de então, e a ausência de liberdade de expressão e da confiança do Estado no cidadão, como agente criador de riqueza, tiveram como grave consequência:
(1) A amputação da função critica do povo português tão necessária ao desenvolvimento do país; (2) Ao emergir de um Estado corporativista e paternalista, para com uma classe empresarial “acomodada” e sem saber o que significava concorrer nos mercados nacionais e internacionais. O condicionamento industrial é bem uma prova desse facto.
O Portugal de Salazar, mesmo sem ter participado na II Guerra Mundial, perdeu no confronto com outras economias completamente arrasadas pela guerra mas que deram a volta por cima (Ex: a Itália, Espanha e a Alemanha).

Embora vivamos em Democracia, os portugueses cidadãos anónimos, encontram-se feridos de morte… senão vejamos: As revoluções trazem sempre consigo, boas novas e promessas e a revolução dos cravos não fugiu à regra. Porém, a classe politica que tem estado em “palco”, desde 1974, é cada vez mais maniatada por interesses obscuros, difíceis de entender do ponto de vista da justiça, da equidade fiscal, dos atrasos de pagamentos aos credores do Estado, das listas de espera na saúde, do ensino em nada orientado para as necessidades das empresas e por aí adiante. Por fim, temos a triste constatação de saber que na maior parte dos países da Europa de Leste integrados na UE, os níveis de qualidade de vida já são superiores aos do nosso cantinho lusitano.

A ausência de transparência, de verdade na política e nos negócios públicos e privados, o diferente tratamento de pessoa para pessoa consoante o seu “status” não são formas mais subtis de limitar os direitos de quem não têm voz? De facto, existem algumas “adaptações salazaristas” na nossa democracia.
Enfim, o 25 de Abril foi bom para uma minoria que deve a sua boa qualidade de vida ao bode expiatório do ditador Salazar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

AS CONTAS DE MERCEEIRO (*)




Já não há vergonha e competência governativa neste país. Qualquer formando dos cursos técnico-profissionais, promovidos pelo actual governo do Sr. Engenheiro e Primeiro-Ministro Sócrates, sabe fazer umas “continhas” que este e o seu acólito, Super-Ministro Teixeira dos Santos, ou não sabem ou sabem mas procuram esconder com a máxima discrição, tal é a “bujarda” da politica de apoio à natalidade, anunciada pelo governo nos media nos últimos dias.

Com o baixo nível de escolaridade do nosso povo, muitos só ouviram que se tratava de uma politica de apoio social ponderada e rigorosamente estudada pelos letrados dos nossos governantes, e por conseguinte, aplaudiram logo num desses jantares políticos tão elucidativos e ao sabor de um “pastel de bacalhau” e de um “copo de três”. Mais uma vez, foram enganados com a propaganda deste governo. E porquê? Porque neste país parece haver desprezo pela matemática e muito menos interesse em ensiná-la a alunos responsáveis e potencialmente inimigos deste estado de coisas.

Porém, dei-me ao trabalho de fazer umas continhas simples, assentes em vários pressupostos: (1) Aplicação do capital de 200 euros no ano de 2010 sem ser resgatado até ao ano 2028; (2) Taxa de juro líquida de 3% assumida a título de exemplo, nessa aplicação “conta poupança” proposta pelo governo. Isto com uma taxa de depósito optimista para quem poupa mas pessimista para quem quer comprar casa e formar família.

No fim de 2028, o novo contribuinte teria na sua conta poupança, o valor de 340.49 euros sujeitos muito possivelmente a imposto de capitais. É este o conceito de “Apoio à Natalidade” do Governo? Mais, dividam agora 340.49 por 18 anos e obtemos 18,91 euros por ano. Mais ainda, dividam 18.91 euros por 360 dias e obtemos a consideração do governo de 0,05 cêntimos de ajuda por dia… Em África, há seres desumanizados que ganham um dólar por dia…

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

DARWIN, MALTHUS e ENERGIA VERDE (*)







A interacção entre o evolucionismo biológico das diversas espécies vivas e os respectivos ecossistemas onde estas nascem, vivem e morrem, foi-nos transmitida na obra, “A Origem das Espécies” (1859), pelo célebre naturalista Charles Darwin (1809-1882), e na qual o processo de “selecção natural”, surge como critério de sobrevivência.
Entretanto, Thomas Malthus (1766-1834), economista, na sua “Teoria Populacional” (1798) observou que o crescimento demográfico aumentava drasticamente, como consequência da mais eficaz produção de alimentos, das melhores condições de vida, do combate às doenças, do melhor saneamento básico e da própria Revolução Industrial. Contudo, o nível de recursos escassos consumidos pela população em crescimento exponencial (Baixas taxas de mortalidade e elevadas taxas de natalidade), ameaçaria a sustentabilidade da comunidade, ao estilo de uma “praga humana”. Assim, os mecanismos correctores fazer-se-iam pelas doenças, guerras, competição, miséria persistente, e controle da fome.
A transposição das teorias de Darwin e de Malthus para o cenário das energias renováveis e/ou poluentes leva-me a obter duas conclusões:
(1) A persistência do actual paradigma energético mundial, implicará que, ou se mantêm alianças entre nações mais poderosas e amigas nesta área de negócio, ou se entra em guerras pela sua apropriação. Como consequência teremos instabilidade potencial nos mercados mundiais por mais umas décadas, como acontecerá logo a seguir à crise mundial actual;
(2) A adopção de um novo paradigma alicerçado nas energias renováveis e de acesso mais democrático, permitiria a sobrevivência da espécie humana num planeta mais verde e sustentável…