segunda-feira, 30 de março de 2009

MÁFIAS E OFFSHORES (*)


A globalização, através das novas tecnologias de comunicação, transformou profundamente, a forma de nos relacionarmos uns com outros na nossa pequena aldeia mundial. Actualmente e de forma gradual, as barreiras à comunicação vão-se esbatendo, independentemente da localização dos respectivos interlocutores, quer se tratem de simples cidadãos e empresas, quer se tratem de países e governos. Em Abril, o G20 reunir-se-á em Londres, com o intuito de alcançar objectivos mais ambiciosos e dirigidos à criação de uma nova e mais eficaz regulação internacional do actual sistema financeiro mundial, de modo que cada país não fique exposto a criminosos económico-financeiros sem escrúpulos, que depositam os seus ganhos milionários e muitas vezes fraudulentos em “Off-Shores”, proporcionando o branqueamento de capitais como resultado de actividades mafiosas entre as quais destaco por exemplo: Tráfico de Armas, droga, mulheres, extorsão, escravos (séc. XXI !!!?), cibercrime, etc… Neste momento, parece-me crer que as posições actuais dos EUA e da EU não se encontram em sintonia, o que me leva a pensar que a reunião de Londres não venha a ser proveitosa para as “urgentes reparações” do sistema. Mais, a própria EU protegeu países de figurarem na lista negra dos paraísos fiscais, como por exemplo, Luxemburgo, Bélgica, Áustria, Suíça… Sabendo que a economia paralela já detêm mais de 20% do PIB mundial e que alguns países ocidentais também beneficiam da reconversão do ilegal para o legal, poderemos pensar, se de facto, é ou não viável uma nova reforma sobre o sistema financeiro mundial?

sábado, 28 de março de 2009

O ESTADO SEM ABRIGO (*)


É inegável o reconhecimento das melhorias das condições de vida dos portugueses, desde os tempos da revolução de Abril até os nossos dias. Porém, não seria de esperar outra coisa, dado que outros países europeus mais desenvolvidos, têm vindo a crescer e a desenvolver-se a níveis mais consistentes do que Portugal, sem que este consiga a necessária convergência dos indicadores económico-sociais, mesmo com a entrada de milhares de milhões de euros que Portugal tem recebido. Infelizmente, sabe-se que actualmente Portugal enfrenta várias “patologias” que se não forem cuidadosamente avaliadas e tratadas, poderão inviabilizar a nossa independência enquanto país. Como poderemos ter crédito internacional, sabendo que o nosso défice externo, na casa dos 97% do PIB, apresenta um valor gritantemente destrutivo de um ambiente capaz de atrair investimento nacional e externo? Os Governos portugueses, à semelhança das famílias endividadas e desorientadas na gestão dos seus rendimentos, têm vivido de dinheiros ao estilo de “créditos fáceis”, quase sem dar garantias as esses empréstimos, com o objectivo de manter os níveis de “fachada” de consumo e investimento públicos em projectos de difícil aprovação pelo rigor das ciências económicas. Temo que o poder político e que a nossa identidade portuguesa, venham a ser desalojados por entidades estrangeiras alheias aos interesses de Portugal, à semelhança do que acontece com um número crescente de famílias portuguesas que deambulam pelas ruas, sem qualquer perspectiva de futuro…

segunda-feira, 23 de março de 2009

G20 PLANO OPTIMISTA. SERÁ VIÁVEL? (*)


A forma como os mercados reagiram aos resultados da cimeira dos G20 em Londres, demonstra que a globalização não é necessariamente algo de perverso. O período da Grande Depressão em 1929 e do qual resultou o proteccionismo, deu origem à atitude “Cada um por si e fé em Deus”… Essa realidade já não exequível num mundo globalizado. A nossa aldeia global, é o resultado da transformação do egoísmo proteccionista, numa realidade onde a cooperação e solidariedade internacionais, são peças fundamentais para que se possa alcançar o objectivo de vivermos num mundo mais equilibrado e sustentável. Felizmente, começa-se a perceber que todos vivemos no mesmo espaço de interesses e por conseguinte, a Humanidade tem de se comprometer e de se responsabilizar por várias dimensões: Económica, Social, Politica, Ambiental, etc. sem esquecer de zelar pelos interesses das gerações vindouras. Daí a necessidade de implementar medidas que visem restabelecer a confiança, o crescimento e o emprego através da regulação e supervisão do sistema financeiro, eliminando os paraísos fiscais “não cooperantes”, sem esquecer a criação de leis que penalizem os prevaricadores das regras do jogo económico e financeiro. Contudo, penso que mesmo com a boa vontade dos actuais lideres mundiais presentes na cimeira, existirão barreiras a derrubar: Num mundo onde o crime organizado tem um peso elevado no PIB mundial na ordem dos 20%, será possível observar os caminhos de fortunas invisíveis provenientes de actividades ilegais e por vezes mafiosas? Será possível detectar as fontes ilegais de capitais e a forma como elas se misturam nas contas bancárias de destino com aparência falsamente justificada? Sabendo que alguns países subscritores do Plano G20, também beneficiam da reconversão dos dinheiros sujos, “Hot Money”, em investimentos indispensáveis ao seus equilíbrios sociais e económicos, através do branqueamento de capitais, qual será o impacto nesses paises "com dupla personalidade"?

sexta-feira, 20 de março de 2009

SISTEMA FINANCEIRO (*)



No discurso e posterior debate com uma plateia de americanos, promovida por Barack Obama na Califórnia, no dia de 19 de Março de 2009, o Presidente Afro-Americano declarou com veemência o seu repúdio, pela completa irresponsabilidade dos actos de gestão no sector económico-financeiro, que puseram também “de tanga” e à mostra a fragilidade da economia dos EUA. Desde falsos gurus das finanças (Madoff), muitos deles ocupando cargos vitais em organismos económicos (Alan Greenspan), financeiros e políticos, e que já provinham da presidência de George W. Bush, até ao surgimento de terroristas financeiros “encapuçados”, todos eles com o propósito de “encherem os bolsos” sob a forma de “chorudos” prémios e bónus, independentemente de haver lucros ou não, mas sempre com a necessária discrição. Presentemente, Barack Obama está determinado e assume a responsabilidade do seu executivo, em fixar limites dos prémios e bónus, de todas as instituições que venham a requerer a ajuda das autoridades monetárias americanas. Contudo, esta postura política não terá efeitos retroactivos, uma vez que do ponto de vista legal seria uma tarefa “Herculea” gerir tantas "anomalias" nos tribunais. Em Portugal, são conhecidas situações semelhantes de incumprimento das responsabilidades de alguns bancos face aos seus clientes, de promiscuidade de banqueiros com políticos “desmemoriados”, de autoridades da concorrência que não transmitem relatórios em tempo útil, de uma justiça inoperante e de um sistema politico hermético que reforça o desinteresse dos cidadãos nesta geração de políticos.Será possível captar recursos humanos de valor acrescentado para Portugal, será possível captar investimento estrangeiro num cenário de concorrência global? Não me parece, infelizmente…

domingo, 15 de março de 2009

PORTUGAL, QUE FUTURO? (*)


As cada vez mais frequentes barbaridades e chacinas, ocorridas em escolas no estrangeiro e perpetradas por alunos infelizmente “desajustados” no seu comportamento social, tendo como exemplo, os casos ocorridos nos EUA, no Japão, na Finlândia e na Alemanha, transportam-nos para um cenário negro e preocupante também em Portugal. Embora não se verifiquem no nosso país, por enquanto, as “matanças” hediondas como aquelas que têm ocorrido em países mais desenvolvidos e onde a consciência social é fortemente defendida por todos, seria prudente que os nossos políticos, as escolas, os professores e os encarregados de educação, criassem as oportunidades de um futuro atingível para quem se dedica aos estudos com o objectivo, não de emigrar mas sim de tornar mais rico e desenvolvido a nossa comunidade chamada Portugal. Muitos jovens não sentem o reconhecimento social dos seus estudos e muitos já começam a pensar, que não vale a pena estudar porque Portugal nega-lhes o posto de trabalho com dignidade; a menos que 500,00 euros a prazo certo seja digno para alguém… As novas tecnologias não são por si só, condição necessária e suficiente para o sucesso de um país. Quando bem utilizadas, podem acrescentar valor aos estudantes honestos, mas quando o seu uso tem fins desumanizados, como é o caso do “Bullying” e dos “joguinhos”, então podemos estar a criar uma geração “de” e “com” problemas. Os jovens portugueses, já perceberam que os sinais da economia portuguesa são desmotivantes… Enquanto cidadão deste país, preocupa-me que haja uma geração de jovens que não lê, que não sabe fazer contas e que não sabe escrever e que se preocupa em viver a vida do dia a dia sem projectos de futuro e com a gravidade de podermos vir a ter consequências graves na sua eterna e adiável inclusão social. Resta-me perguntar: PORTUGAL, QUE FUTURO?

segunda-feira, 9 de março de 2009

UTOPIAS (*)



A utopia comunista inventou o conceito de "Homem bom", através do qual se pretendia pensar que este jamais seria explorado por patrões sem escrúpulos. Enganaram-se, pois a nomenclatura soviética veio a concretizar-se numa a pobreza generalizada do povo, contrastando com os privilégios da classe política dirigente. Nos actuais tempos de insegurança económica, social e política, persiste a ideia de que a crise actual é passageira e que será resolvida por um grupo de países tradicionalmente poderosos (G8), bastando para isso agendar fóruns, reuniões, conferências, cimeiras, enfim, um conjunto de atitudes paliativas que procuram chamar à vida e transformar o "Homem mau capitalista" num "Homem bom" bastando para isso que haja uma regulamentação sobre o comportamento dos capitalistas, com a missão de conquistar de ideais de equidade e de justição tão esquecidos actualmente.
Na base do capitalismo regulado, terão que existir profissionais que sejam honestos e que não sejam gananciosos, socialmente solidários, bons profissionais e que não vendam gato por lebre a investidores desprovidos de cultura económico-financeira, uma vez que o sector bancário precisa de ter crédito assente numa base da confiança ou fiduciária com os seus clientes. Resumindo: Precisa-se de uma nova utopia – "O Homem bom capitalista". Será fácil encontrá-lo? Em oposição, dispensa-se o "Terrorista económico-financeiro"… Infelizmente, é uma fatalidade, pois acredito piamente que esse "Homem bom capitalista" raramente aparecerá e por conseguinte, os cidadãos do mundo estarão na maior parte das vezes, reféns de capitalistas maus. E assim, devemos deixar de falar de crise mas sim na consciencialização de que é fortemente necessário um novo paradigma económico-financeiro mundial.

sábado, 7 de março de 2009

PROTECCIONISMO? NÃO OBRIGADO (*)


No actual contexto internacional, a compreensão de alguns comuns dos mortais da realidade económica e política, nem sempre converge com os argumentos sustentados pelas ciências económica e política.Não passa pela cabeça de ninguém, que nós, enquanto cidadãos individualizados, possamos adquirir os bens e serviços de que necessitamos através da nossa auto-produção. Ou seja, cada um deve procurar fazer aquilo em que é mais competente e em que se diferencia da concorrência. A sua especialização terá um valor expresso em euros que depois lhe permitirá adquirir um determinado cabaz de bens e serviços.A estabilidade social existe enquanto a vivência comum assentar no equilíbrio das trocas justas entre os concidadãos de um país. Neste ponto, cabe ao governo estabelecer as regras do jogo e de equidade para que não haja atropelos aos direitos e obrigações das pessoas mais poderosas e dos menos afortunados.Também os países devem relacionar-se entre si de forma semelhante, num mundo em que a dimensão espaço e tempo são reduzidos a um ritmo avassalador, consequência da globalização e também porque o eventual regresso ao passado de ideais proteccionistas agravariam exponencialmente o equilíbrio do sistema financeiro e da economia real mundiais. Seria, uma demonstração de “egoísmo” num mundo que necessita de ser trabalhado por todos de uma forma mais solidária e responsável.