sábado, 17 de outubro de 2009

O PRESIDENTE CAMALEÃO (*)


O tempo joga, na maioria das vezes, a favor dos políticos mais hábeis e subtis, na medida em que os seus eleitores têm, quase sempre, memória curta. No dia 16 de Março de 2003, o Presidente dos EUA – George W. Bush, e os Primeiros-Ministros de Inglaterra, Espanha e Portugal, Tony Blair, José Maria Aznar e Durão Barroso, respectivamente, reuniram-se nos Açores, para discutirem as possibilidades dos EUA e seus aliados de declarar guerra ao Iraque, independentemente de haver ou não uma resolução favorável da ONU.

Bush e a sua administração forçaram o conflito com o Iraque, sob o pretexto de destruir todo o arsenal bélico nuclear iraquiano. As “provas” da sua existência foram apresentadas por Colin Powell no seu célebre discurso na ONU mas nunca efectivamente encontradas. Este comportamento agressivo dos EUA, despoletou um ainda maior ódio dos países muçulmanos face aos países do Ocidente, e que se concretizou por dois ataques terroristas de relevo e posteriores aos de 11 de Setembro de 2001, como foi o de Londres (7 de Julho de 2005) e o de Madrid (11 de Março de 2004).

O alinhamento destes quatro lideres políticos, contribuiu gravemente para a desgraça do Iraque, que de uma ditadura militar se transformou num campo de batalha cheio de mortos para enterrar, mutilados e feridos para tratar, e um país a necessitar de ser construído a partir do zero… Este triste cenário, beneficiou a Al-Qaeda que sorveu até à ultima gota de sangue as vitimas desta guerra em beneficio próprio.

A ascensão politica fulminante de Durão Barroso, iniciada nos seus tempos inesquecíveis do Maoismo, PCTP-MRPP, PSD, até à Presidência da Comissão Europeia, é notável. Porém, os tempos mudam e por conseguinte os políticos também. O mesmo Durão Barroso que apoiou a guerra criada por George W. Bush (Inimigo político de Barack Obama), é o mesmo que, há poucos dias, endereçou as felicitações, em nome da Comissão Europeia, pelo feito de Barack Obama: A obtenção do Nobel da Paz 2009.
Coincidências? Não, novos tempos, novos ideais mas sempre a politiquice do costume…

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

UM FUTURO NADA FÁCIL (*)



Os resultados das eleições legislativas de 2009, demonstraram que o eleitorado português reconhece, presentemente, a importância de adoptar, ora, politicas mais estatizantes ou de esquerda (BE, CDU), ora, politicas mais liberais ou de direita (PSD, CDS-PP).
O PSD e a CDU, foram os grandes derrotados nestas eleições. Noites de fortes trovoadas irão surgir no horizonte do PSD e porquê? Porque o PSD, internamente e logo após as eleições autárquicas, irá estar sujeito às já habituais lutas pela liderança, o que na minha opinião, constituirá uma fraqueza politica aquando da necessidade de manter consensos e coligações no parlamento via PSD. Procurar-se-á encapotar essa fraqueza com uma oposição forte e nem sempre cooperante com o governo minoritário de Sócrates. E isso, será grave para Portugal.

Caso o PSD, continue a ser liderado, na base da inflexibilidade negocial parlamentar, ou por Manuela Ferreira Leite, ou por outra individualidade do partido, então poderemos estar perto de um “apagão parcial" na Assembleia da República, implicando entendimentos com outras forças partidárias.

No que diz respeito à CDU, e por mais que Jerónimo de Sousa se esforce em maquilhar os resultados, temos que compreender que o seu partido está a perder influência para o BE.
Por mais sorrisos que Sócrates nos delicie, não vale a pena esconder que o PS saiu derrotado. Ao não conseguir a maioria absoluta, o PS será obrigado a “ouvir”, a “dialogar”, a negociar, e não somente a classificar os seus opositores com afirmações do tipo “bota abaixo” ou “maledicentes”. O respeito entre partidos nunca foi tão necessário e imperioso, dada a situação preocupante em que o país se encontra. Saberá o PS, governar em minoria, tendo em conta a personalidade do Primeiro-Ministro José Sócrates? Como irá Sócrates relacionar-se com líderes como Paulo Portas, um dos políticos mais incisivos e eficazes do nosso actual espectro partidário? E como será relação politica de Sócrates, líder de uma esquerda moderna, com a esquerda radical de Louça que defende nacionalizações e outros anacronismos políticos populistas.
O Presidente da República, que tem procurado ser equidistante na sua relação com os vários partidos políticos, também se encontra sobre “brasas”.
A crescente crispação entre S. Bento e Belém, a explicação do Presidente da República do caso das escutas, por exemplo, em nada abona à estabilidade politica interna de Portugal. A própria e conceituada revista inglesa, “The Economist”, caracteriza a atitude do Presidente, como imprópria nos tempos difíceis da nossa democracia e com possíveis danos ao nível captação do investimento estrangeiro.

A instabilidade actual do nosso sistema político implicará, forçosamente, uma maior intervenção presidencial sem polémicas e atitudes dúbias. O comportamento futuro do Presidente da República, poderá condicionar ou não, a sua reeleição em Janeiro de 2011.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

OS JOVENS SEM ABRIGO DA UE (*)







De forma muito silenciosa e discreta, constato, com tristeza, a emergência de uma realidade social preocupante, com graves consequências para o futuro da União Europeia (EU), e que se traduz pela exclusão sucessiva dos jovens no projecto europeu, nomeadamente, na sua inclusão no mercado de trabalho. Como exemplo, temos os casos de Portugal, Espanha, Grécia e França.

O conceito tradicional de família, tipica do século XX, está em causa. As cada vez maiores pressões económico-politicas e sociais (Baixos salários, instabilidade económica e politica, pobreza crescente, corrupção, economia paralela, insegurança, justiça tardia quando não inexistente, concorrência "louca" no mercado laboral, como resultado de elevadas taxas de desemprego, e na concorrência entre empresas, nem sempre sujeitas às mesmas regras de funcionamento, concorrência desleal, etc.) destroem as relações dos jovens que aspiram à sua independência enquanto cidadãos. Assim, os jovens que entram nesta máquina social, estão amputados de meios de subsistência semelhantes áqueles que tiveram os seus pais e por conseguinte, o futuro daqueles é incerto.

Infelizmente, para muitos, a solução obriga os jovens a viver nas casas dos seus pais. Até quando? Outros têm a sorte de ter emprego e assim podem constituir familia, tornando-se independentes. Mas até quando? Actualmente, o trabalho é incerto. Causa: Ditadura Globalizante em que vivemos. Os divórcios são banalizados e fonte de pobreza para muito homens e mulheres dos novos tempos...
Muitos não aguentam a pressão, e suicidam-se, como foi o caso de alguns trabalhadores da France Telecom. A situação é de tal ordem grave, que o governo francês quis saber o que se estava a passar na empresa.

Aqueles jovens que não conseguem trabalho, e os pais que também perderam o seu “ganha-pão” transformaram-se em “novos pobres”, muito deles, sem abrigo e sem voz, sujeitos a actos de violência física e psíquica na sociedade que os rejeita, acabam a deambular pelas ruas como mendigos...

A sociedade da competição fez implodir os seus sonhos, sucessivamente adiados, e transformou-os em utopias. No passado, os então jovens Van Gogh, Camões, Fernando Pessoa, Galileu, Darwin, Einstein e outros, emanciparam-se porque o mundo não os amputou… Presentemente, quem recuperará os génios da minha geração que deambulam pelas ruas do nosso mundo?