segunda-feira, 14 de setembro de 2009

OBAMA: O SUPER-HERÓI AMERICANO (*)


Na noite do dia 9 de Setembro de 2009, pelas 20h00 de Washington, viveu-se um momento épico no Congresso Americano, protagonizado por um dos principais líderes políticos do início do século XXI, o carismático Barack Obama. Detentor de uma forte fé politica, consubstanciada pela forma apaixonada como que este exerce a presidência dos EUA e a forma como envolve os seus apoiantes.

Um dos seus pontos fortes, enquanto gestor político, manifesta-se pela sua coragem em assumir riscos políticos, mesmo que para tal tenha que se opor a certos interesses instalados.

A gestão agressiva de George W. Bush, dos assuntos políticos internacionais, nomeadamente, com os países que ele apelidou de “o eixo do mal” trouxeram mais problemas aos EUA, do que bons acordos diplomáticos. Por outro lado, Bush foi um dos responsáveis máximos pela derrocada do modelo económico americano interno, com graves consequências ao nível da confiança dos agentes económicos americanos e estrangeiros. A convicção de que os mercados eram estáveis, e de que não seria necessário adoptar medidas de supervisão, tiveram como consequência o pânico financeiro ocorrido nos quatro cantos do mundo, naquilo que foi a primeira crise globalizada.

Por conseguinte, é para mim difícil compreender que recentemente, John McCan, ex-candidato republicano a presidente dos EUA, venha reiterar posições políticas e económicas, ocorridas num período negro da gestão Republicana, e através das quais o mercado livre permitiria aligeirar a tutela das respectivas autoridades da concorrência.
Obama que pretende acabar com a posição dominante das seguradoras de saúde nos EUA, procura criar no seu país, uma função pública e social, que complemente os serviços privados, dando a escolher aos americanos a solução que mais lhes convier.

Os republicanos criticam e chamam socialista a Obama, por este querer criar um serviço público de saúde, agitando os fantasmas do estilo “Onde o Estado se mete, estraga”.
Pergunto: Onde está a coerência dos Republicanos que promovem o liberalismo mas que defendem o grupo das seguradoras de saúde, possivelmente a funcionar em conluio, extorquindo dinheiro àqueles que estão protegidos e fechando as portas a quem está desamparado? Que estilo de democracia é essa?

sábado, 12 de setembro de 2009

A JUSTIÇA E OS INVESTIMENTOS ANGOLANOS (*)




Acredito que a língua portuguesa sempre foi uma das “armas” mais eficazes no bom e desejável relacionamento entre Portugal e Angola. É um crédito que ainda hoje, Portugal não pode hipotecar, de todo.
Em ambiente de guerra fria, os EUA procuraram chamar a si as riquezas naturais angolanas, apoiando a UNITA enquanto que a URSS colaborava com o MPLA com o mesmo objectivo. Nem sempre essas influências foram boas para o povo angolano. A guerra civil entre a UNITA e o MPLA, foi disso exemplo.

Presentemente, nas elites politicas e empresariais portuguesas e angolanas, o tempo das mazelas, resultantes da guerra colonial e suas consequências, foi-se desvanecendo com os anos, a tal ponto que hoje, existem laços importantes de cooperação em vários domínios da vida económica e politica entre Portugal e Angola, como são, por exemplo, a promoção de investimentos portugueses na banca e na construção civil angolanas. Em contrapartida, os Angolanos negoceiam com os portugueses o seu petróleo e outras riquezas oriundas de Angola.

No mundo globalização e multipolar, a língua portuguesa já não é condição necessária nem suficiente, para continuarmos a ser um parceiro privilegiado na sociedade angolana. É imperioso que em Portugal, haja uma estrutura económica forte, atractiva, produtiva, susceptível de alargar e expandir a nossa influência em Angola e que não nos resignemos com eventuais complexos de pequena dimensão.

A recente polémica dos 104 milhões de euros desaparecidos no Banif, e a apresentação de uma queixa-crime do Estado angolano na Procuradoria Geral da República de Portugal sobre o paradeiro desse dinheiro, poderá resvalar para um crise de consequências inimagináveis e perigosas para o relacionamento que se quer saudável entre os dois Estados. Receio que esta embrulhada, venha a dar origem a mais um episódio caricato da nossa Justiça com implicações negativas ao nível de captação de investimento estrangeiro em Portugal e ao nível da boa vontade de Angola em nos considerar parceiros estratégicos.

Entretanto, os nossos concorrentes em Angola, EUA e China, já perceberam onde está a “janela de oportunidade angolana” para continuar a alimentar as suas economias poderosas e atractivas.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A OPERETA POLITICA NACIONAL (*)


O acordo estabelecido entre os vários líderes partidários, relativamente ao modelo das entrevistas a realizar na RTP, SIC e TVI, é um embuste democrático que não presta homenagem àqueles que persistem em exercer o seu dever cívico através do voto.
Em lugar de se promover o diálogo espontâneo e natural entre os políticos na TV, que realce a liderança política de um governo responsável, não, promove-se a venda de um produto televisivo completamente montado e cheio de regras a cumprir pelos intervenientes, de modo a diminuir o risco de alguém poder “perder a face”.
As TV’s e os políticos arriscam o menos possível, enquanto que a maior parte do risco é assumido pelo eleitorado, que continua a passar “cheques em branco” desde 1974, e, que vê os seus direitos cada vez menos assegurados em Portugal.
Por conseguinte, temo que nos bastidores de um palco chamado Assembleia da República, existam acordos semelhantes e em que cada actor político se limita a aparecer no “Canal Parlamento” ou nos “Telejornais” a representar o seu papel, sabendo à partida, que tudo já está determinado pelo “Sistema”.
Certos comentadores políticos da nossa praça, admitem que este tipo de promoção política com regras, é característico de países amadurecidos politicamente e onde o ar que se respira é verdadeiramente democrático, como é o caso dos EUA.
Ao quer transpor e copiar para a realidade portuguesa, o modelo americano corre-se o risco de “borrar a pintura”, uma vez que a sociedade civil americana nada tem a ver com a sociedade civil portuguesa, no que diz respeito àquilo que se espera dos politicos.