domingo, 31 de maio de 2009

TRAIÇÃO AO IDEAL DA EUROPA UNIDA? (*)


A II Guerra Mundial traumatizou inúmeros cidadãos dos países envolvidos, independentemente de estes serem vencedores ou vencidos. A necessidade de encontrar soluções que potenciassem o crescimento e desenvolvimento na Europa do pós- guerra, trouxe ao palco politico europeu dos anos 50, dois visionários políticos, - Jean Monnet e Robert Schuman -, portadores de um ideal europeísta, assente em laços de cooperação entre os vários povos europeus, expurgando assim, as sementes do ódio e da vingança geradoras de novos e potenciais conflitos..Com a ajuda dos EUA, expressa através da execução do Plano Marshall (1947), a criação da CEE (1957), o Acordo de Schengen (1985), a instituição da UE através da aprovação do Tratado de Maastricht (1992) e da moeda única (2002), foi possível a edificação passo a passo de uma nova Europa, baseada na paz, no mercado livre de bens e serviços e na livre circulação de pessoas no espaço da UE. A conjugação destes factores possibilitaram aos Estados-Membros alcançar níveis tais de prosperidade que logo após a queda do muro de Berlim (1989), os países satélites subordinados ao antigo poder tutelar da ex-União Soviética, procuraram também atingir. O envolvimento de um cada vez maior número de países em tão distinto clube (UE), tem tornado mais difícil os consensos inter-comunitários e esse fenómeno foi agravado em 2004 com a integração de uma só vez de dez países a saber: República Checa, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta e Polónia; e de mais dois em 2007, Bulgária e Roménia. Todos estes países emancipados e independentes não possuíam uma cultura económica semelhante àquela que existia na Europa Ocidental. Na transição do comunismo para o capitalismo, não houve o tempo suficiente para que estas novas nações obtivessem a experiência de um sistema capitalista específico e sólido. Caminhou-se pela via mais fácil ao importar-se um modelo de capitalismo "puro e duro" ou selvagem com todos os defeitos que hoje lhes reconhecemos e que estão na base da crise financeira actual. As economias com “tradições capitalistas” não parecem dar um bom exemplo a quem as procura como novo paradigma de crescimento e desenvolvimento. Será demérito dos políticos da nossa geração? Será que iremos trair o sonho dos estadistas, Jean Monnet e Robert Schuman, com tamanha indiferença com que os europeus estão a seguir as eleições europeias?

sábado, 9 de maio de 2009

INVESTIMENTO PRIVADO NO SISTEMA POLITICO (*)


Na última cimeira do G20 realizada em Londres, as mais altas individualidades políticas, procuraram transmitir ao mundo a ideia de que o sistema financeiro mundial jamais seria “governado” por gestores irresponsáveis, sem ética empresarial, social e até politica, o que originou uma descompressão nos mercados mundiais, a par também de um renascer de confiança dos agentes económicos. Apoiar-se-ia, assim, o “capitalismo regulado” com ética e transparência em detrimento de um monstro devorador de inúmeras empresas, famílias e até de países inteiros, feito nascer pelo “capitalismo selvagem”. Os actuais políticos portugueses contradizem-se quando assumem a sua concordância com princípios subjacentes à cimeira de Londres. Ou seja, vejamos um exemplo: Em tempos difíceis e com as eleições europeias à porta, os partidos políticos portugueses vão duplicar os seus gastos de propaganda de 4 milhões de euros em 2004 para valores exorbitantes de mais de 8 milhões de euros em 2009, tendo em conta o padrão médio da qualidade de vida dos eleitores... e num ambiente de crise... A nova alteração da Lei de Financiamento dos Partidos e das Campanhas Eleitorais permite que os partidos possam ser “patrocinados” em dinheiro vivo que como todos sabem, além de esconder a identidade de quem os “ajuda”, aumenta a dificuldade de descortinar as eventuais contrapartidas desse apoio… Será este novo fenómeno um novo grau de transparência e de ética? …Será esta realidade compatível com os objectivos da cimeira?... Poderão os partidos políticos aguentar a pressão de entidades de índole duvidosa?.... Fecham-se as portas aos “offshores” e “paraísos fiscais”… abrem-se janelas de oportunidade de "investimento privado" em partidos políticos.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

PORTUGUESES EM EXTINÇÃO (*)


A interacção entre os conceitos de evolucionismo biológico das diversas espécies vivas e os respectivos ecossistemas onde estas nascem, vivem e morrem, foi-nos dada a conhecer pelo célebre naturalista Charles Darwin que criou o principio da “selecção natural”, onde os mais fortes e os mais adaptáveis, seriam os mais protegidos pela natureza. Os países são de certa forma pequenos ecossistemas integrados num ecossistema mundial e globalizado, onde queiramos ou não, a competição é feroz e impiedosa.Sendo Portugal um dos países mais antigos da Europa, parece-me crer que estamos a perder várias guerras no que diz respeito à gestão politica da “coisa publica” e à incapacidade da maioria das empresas portuguesas se adaptarem ao mundo actual num processo de “selecção natural”. Vários indicadores poderão comprovar o meu comentário: Desemprego, endividamento das famílias elevado, fome, baixos salários, baixas pensões, falências fraudulentas, baixas taxas de natalidade e adopção da “politica do filho único”, envelhecimento da população, politicas empresariais e politicas estatais inconsequentes e de fraco rigor económico, acesso rápido à saúde e à justiça somente para quem pode pagar, Universidades com debilidades financeiras, níveis de insegurança nunca antes verificados, lobbies que defendem politicas corporativistas, divida externa incontrolável, descida acentuada das exportações liquidas, desinvestimento privado, carga fiscal asfixiante, concentração crescente de riqueza numa minoria de cidadãos à semelhança do que ocorre em países subdesenvolvidos, etc. Estes sinais negativos levam-me a pensar:Estarão os portugueses em vias de extinção?