sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

VIVEMOS TEMPOS DIFICEIS (*)


A última década foi desastrosa para quem confiava e “punha as mãos no fogo” pela qualidade, eficácia, eficiência e transparência do sistema financeiro mundial.
Infelizmente, muitos queimaram-se e não se sabe se viverão no futuro com as mazelas profundas e por ventura irreversíveis. Aposto que até o célebre economista Adam Smith (Séc. XIX), famoso pelo conceito da “Mão Invisível” como factor de correcção dos mercados em desequilíbrio, se lamentou…
É evidente que o mundo mudou muito, desde que Adam Smith materializou os seus pensamentos económicos na sua mais famosa obra “A Riqueza das Nações”.
Contudo, a História da Humanidade tem-nos ensinado que os radicalismos, quaisquer que eles sejam, não são muito saudáveis. Opondo-se a Adam Smith, Karl Marx descreveu o pecado que era o capitalismo na sua obra “O Capital”.
Nem tanto ao mar nem tanto à terra…
A globalização reforçou a interdependência dos vários países e jamais se poderá adoptar um proteccionismo económico e político, pois seria totalmente descabido.
O mercado financeiro internacional desencadeou ondas de choque praticamente em todo lado e em tudo o que mexe com dinheiro, desconhecendo-se até quando essa tendência se irá manter.
É imperioso que o G20, grupo constituído pelas mais importantes economias do mundo, se entenda e que procure adoptar as políticas necessárias para obstaculizar o processo de empobrecimento acelerado dos vários países e dos respectivos agentes económicos.
Não é tolerável que os investidores e os depositantes que sempre confiaram no sistema financeiro venham a aplicar as suas poupanças em instituições que não sejam geridas com rigor e transparência. Os Estados têm a obrigação de moralizar e regular o sistema, mesmo que para isso seja necessário proceder criminalmente contra todos aqueles cuja gestão dos bancos, seguradoras, correctores, seja danosa para terceiros.
Nos cinco continentes, além de haver perdas de rendibilidade nos sistemas financeiros existe um número cada vez maior e preocupante de desempregados. E agora pergunto: Se não há dinheiro, se não há empregos, então o que é que nos resta?
Caso os governos continuem a alhear-se destes “desequilíbrios” financeiros corremos o risco de regressarmos ao sistema económico Pré-Histórico e no qual, não havendo moeda, funcionava a troca por troca…

domingo, 7 de dezembro de 2008

A AMÉRICA E O IRAQUE (*)


Fiquei siderado com o desabafo político muito recente do Presidente demissionário dos EUA, o Sr. George W. Bush, relativamente à questão da Guerra do Iraque.
Dizia ele de ânimo leve, que reconhecia não estar preparado para dar início à Guerra do Iraque, desculpando-se com a informação não muito correcta que tinha obtido dos seus conselheiros militares, entre os quais o Sr. Colin Powell que defendeu a Guerra no seu célebre discurso na ONU apoiado por várias fotografias via satélite, sobre as tão propaladas armas nucleares e químicas, existentes em enormes esconderijos subterrâneos iraquianos. O Sr. Bush enfatizou ainda uma constatação: Que o exercício da presidência moderna acarretava alguma dificuldade em fazer face aos problemas inesperados!
O Sr. Bush reconhece subtilmente então, e partindo da premissa que a informação estava incorrecta, que a razão da guerra foi fabricada pelo simples motivo: O petróleo. Deste modo o Sr. Bush considera-se culpado de fazer uma guerra injusta, já que no Iraque não se encontrou nada de perigosamente letal. A propósito, o Sr. Colin Powell no presente momento faz parte da equipa do Presidente eleito Barack Obama.
Se a mais alta instância dos EUA, teve a coragem de dizer o que disse a uma cadeia de TV americana, então a figura do Presidente dos EUA não pode deixar de ficar ainda mais chamuscada. Como reagirão as famílias dos militares que morreram pelas mentiras “vendidas” como verdades ao Mundo? E no futuro? Será que a História se irá repetir? Haverá o apoio incondicional dos desempregados transformados em militares para novas guerras futuras sem causas nobres?
Todos estes sinais dados pelos EUA ao mundo, contribuíram para que a sua imagem ao nível interno e externo estivesse nos níveis mais baixos de popularidade de sempre.
Sendo Obama um “Self-Made-Man” politico original, carregando consigo o slogan “We Can”, acredito que é possível reparar as “asneiras” da anterior Administração Americana, sob pena dos EUA perderem não só o seu destaque no mundo para outros países emergentes como por exemplo a China, Brasil e Índia e mais grave ainda, continuar a alimentar as raízes do ódio, da exploração, da guerra, da instabilidade internacional económica e politica, elementos todos necessários para manter a chama do “Terrorismo” bem vivos?
A fraqueza económica da URSS fez esboroar a qualidade do seu aparelho militar e contribuiu para a sua impulsão. Nos EUA, há uma forte necessidade de recuperar a economia para que aquela mantenha a sua ambição de manter os seus interesses estratégicos no mundo. É curioso salientar que a URSS se desmoronou em várias repúblicas independentes, na maioria do caso alinhadas com a introdução dos princípios capitalistas enquanto que os EUA, nos actuais tempos difíceis procuram a salvação do sistema económico com uma inesperada protecção do Estado.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O DEUS DINHEIRO (*)


Uma nova religião está a tomar forma desde o início deste séc. XXI: Chama-se Globalização, e tem como Deus, o “Dinheiro”. Este Deus tende a proteger somente aqueles que vivem com os “mundanos” princípios e valores tais como: O sucesso, a imagem, a beleza, a ganância.
Os mais vulneráveis e desprotegidos, os desempregados, os pensadores não alinhados ou todos aqueles que estão amputados de pensar criticamente o mundo que os engole a cada minuto que passa, não chegarão ao tão desejado “Céu ou Paraíso”… Chegarão sim ao “Inferno”… marchando paulatinamente em direcção aos novos “Depósitos Humanos Contemporâneos” ou DHC para não chocar os mais sensíveis.
Refiro-me aos “Seres inúteis” económica e socialmente ausentes, destituídos de qualquer dignidade, excluídos dos direitos mais básicos, simplesmente por que a sociedade dos poderosos os cegou e à qual os primeiros devem vassalagem aos segundos, neste “Feudo Mundial”…
Daí que, o crescimento exponencial e concentracionário do poder económico promovido com o recurso à cumplicidade retórica dos políticos “democraticamente eleitos”, esteja a criar e a agravar o fosso entre ricos e pobres, não só dentro de cada país mas também a nível internacional, com consequências graves ao nível da segurança no mundo, como se prova com os atentados suicidas de terroristas a pulularem por sítios inimagináveis – desta vez na Índia e amanhã aonde?
Não sou de esquerda nem de direita, mas sim um “Ser inútil”, como tantos outros, a lutar contra a minha própria cegueira… e como diria o outro, “O pior cego é aquele não quer ver”…