sábado, 21 de novembro de 2009

PORTUGUESES do SÉC. XV e do SÉC. XXI (*)






Os êxitos consecutivos dos corajosos descobridores portugueses no século XV e XVI, e que ousaram “navegar por mares nunca antes navegados”, em busca de melhores condições de vida, deixaram um testemunho profundo e inesquecível, na História Universal, no que diz respeito ao desenvolvimento do saber cientifico da época e da sua respectiva aplicabilidade nos vários saberes desse periodo, tão necessários para realização das tarefas diárias, como por exemplo, a navegação marítima e o acesso a novas rotas de comércio, em busca de matérias primas de grande valor e, por arrasto, com a consequente descoberta de novos mundos que viriam a permitir a exploração de uma nova força de trabalho: A Mão-de-obra escrava barata.
A pobreza reinante e a escassez de oportunidades de vida em Portugal do século XIV e XV, forçaram os mais audazes, a arriscar a “deslocalização” das suas vidas para outros mundos ou “mercados” mais promissores, com a “tormenta” de pôr em causa os mitos da época em relação aos famosos guardiões dos caminhos marítimos, ao bom estilo do monstro “Adamastor”. O desespero dos portugueses “emigrantes” deu lugar à coragem bem sucedida, e permitiu ainda o enriquecimento rápido da metrópole que facilmente se habituou a viver das riquezas do Império.
Quando o sucesso português se expandiu pelos quatro cantos do mundo, a concorrência internacional, incentivada ferozmente pelas riquezas obtidas pelos portugueses, deu origem a que novos países entrassem na corrida: Inglaterra, Holanda, França, Espanha.
Portugal que se limitava a consumir as riquezas vindas do seu império e que as usava para comprar os restantes bens necessários à vida da metrópole, sem preocupações de reinvestimento interno, foi, pouco a pouco, posto fora do palco das atenções do comércio mundial. Infelizmente e por demérito próprio, Portugal embora responsável pelo processo inicial de “globalização” da economia mundial, nunca mais conseguiu alcançar o “pódio” das nações mais desenvolvidas.
No presente momento, seria bom que os políticos portugueses, as empresas e a sociedade civil portuguesa, recordassem esta dura lição dos séculos XV e XVI. E porquê?
Porque o cenário económico de Portugal está fortemente condicionado pela economia da UE e do resto do mundo, apesar de a crise ser global. Os recursos humanos de valor, também designados por "cérebros", engrossam as fileiras da emigração, arriscando com coragem o embate dos “novos e desconhecidos mares”, tal é o triste panorama do nosso país. Um grande número de empresários medíocres, insiste em remunerar os seus trabalhadores portugueses, ao estilo daquilo que em tempos foi a mão-de-obra escrava. Não produzimos aquilo que consumimos e estamos cada vez mais endividados interna e externamente, e por conseguinte, a nossa independência económica já está nas mãos de estrangeiros. A galinha de ovos de ouro dos tempos XV e XVI já morreu. A galinha da UE está a definhar. E a riqueza da nossa economia privada é crescentemente desviada para a alimentar o “monstro” do Estado, ou dos seus representantes políticos…

sábado, 7 de novembro de 2009

ARMAS CIBERNÉTICAS (*)



Nos finais do século XX, uma nova era tecnológica baseada na utilização de computadores, telemóveis e de outros equipamentos similares sucessivamente melhorados e alimentados por programas sofisticadíssimos, veio permitir o surgimento de uma nova realidade expressa pelo conceito de “Aldeia global” e na qual um número crescente de “adeptos” nem sempre surge com a melhor das intenções, como tudo na vida. O acesso à informação nunca foi tão democrático como agora, no século XXI. Porém, esse acesso mais democrático pode afectar a liberdade de quem pensa que é livre.

Alguém disse que o principal inimigo da democracia, era a própria democracia. Ou seja, o livre acesso a certas informações obtidas pelos cibernautas maliciosos (Hackers) pode pôr em causa a integridade de entidades importantes e em caso limite, a segurança dos próprios países, através de ataques cibernéticos orientados para novas formas de guerra, sem implicar grandes investimentos financeiros. A realidade nunca esteve tão próxima da ficção, e por conseguinte, o controlo dos Estados nestes actos de guerra à “velocidade da luz”, é muita das vezes reactivo e não preventivo.

O provérbio popular, “Tempo é dinheiro”, está no espírito e na vida de muitos cidadãos do mundo que recorrem cada vez mais ao “fenómeno” da internet, para tomar decisões e comportamentos, sejam eles profissionais ou de lazer. O desenvolvimento das tecnologias de informação, no que diz respeito, à produção de computadores de grande “performance” a custos verdadeiramente “democráticos”, a internet e o respectivo arsenal de “software”, mudou e irá continuar a mudar as diversas formas de relacionamento entre os cidadãos, não só ao nível social e de segurança, como também politico, económico-financeiro nos seus países e na restante comunidade internacional.

A guerra agora também é virtual, numa nova dimensão de espaço, mas com consequências eventualmente nefastas para as nossas vidas do dia-a-dia. Estamos atentos e em estado de alerta constante e esta atitude origina mais ansiedade social num mundo onde os variados povos se acotovelam para sobreviver nestes tempos dificeis.