É com uma grande tristeza que prevejo a fraca qualidade do debate político com vista à eleição do mais importante cargo político da nação, ou seja, o da eleição do Presidente da República Portuguesa, no próximo ano de 2011. Esta eleição deveria pressupor uma coerência exemplar de comportamentos e de princípios ético-políticos, exigíveis a todos aqueles que se candidatam ao cargo.
O Dr. Fernando Nobre, advoga em sua defesa, que não é um candidato do sistema mas sim de uma cidadania apartidária responsável e justa… Acredito na sua boa-fé, mas pergunto: A sua candidatura não é uma candidatura a um cargo do sistema político português? E a sua cidadania não começa somente quando se é Presidente. A cidadania plena é um direito constitucional de qualquer eleitor português e não meramente prerrogativa de quem exerce cargos políticos.
O Sr. Manuel Alegre, embalado pelo “surpreendente” resultado obtido nas últimas presidenciais, teceu uma rede bem urdida, e na qual o PS, refém do “poeta”, não teve alternativa senão apoiá-lo, mesmo com vozes discordantes, como aconteceu com o Dr. Mário Soares. O eventual apoio de toda a esquerda “radical” (PCP e BE), poderá ser a “cicuta” que Sócrates se verá obrigado a beber, caso o Prof. Cavaco Silva se candidate novamente e ganhe. A meu ver o conceito de “patriotismo” tão em moda, não favorece o Sr. Manuel Alegre, na medida em que o seu exílio politico na Argélia foi menos digno do que aquele que muitos portugueses infelizes tiveram em Àfrica. Se estivéssemos nos EUA, o Sr. Manuel Alegre, jamais seria o Presidente de toda a nação.
O Prof. Cavaco Silva, refém do PS (Exemplo: Lei do Casamento Homossexual), já se contradiz na área económica. O Prof. Cavaco que defende nos seus livros, como dado adquirido, a globalização, e por conseguinte, o fim do proteccionismo no século XXI, vem agora de forma “descabida”, dizer aos portugueses que “passem férias cá dentro” esquecendo-se de acrescentar como sugestão minha, que os portugueses deviam trabalhar no estrangeiro, pois no seu conceito de “patriotismo” não cabe o seu conhecimento de que há portugueses com filhos cheios de fome…
